Vivendo do Ócio coloca pimenta no rock em seu terceiro álbum

Baianos apresentam as músicas de “Selva Mundo” neste sábado em São José

Escrito por: João Pedro Teles4 min de leitura
fundo_placeholder-023136
11751930_843430015705471_5101503454972105889_n

Disco foi lançado de forma independente após grupo abandonar a gravadora

Divulgação

Após três anos longe dos estúdios, os baianos do Vivendo do Ócio não economizam nas influências em seu novo disco, “Selva Mundo”, lançado em setembro deste ano. Coletivo até no seu financiamento, realizado por meio de crowndfounding, o trabalho revela uma banda liberta de rótulos  e segura em suas convicções.  O rock continua presente. Mas desta vez, não há pudor em escancarar as referências a outros ritmos que sempre fizeram a cabeça dos integrantes.

A ideia de diversificar começou já a partir da escolha de Curumin para produzir o trabalho.  O músico, que traz um som carregado de suingue e brasilidade, é unanimidade na banda e foi o primeiro nome  sondado. Ele assina a produção do disco junto com Fernando Sanches, que masterizou o álbum Dancê, de Tulipa Ruiz.

“O Curumin é um cara que tem uma pimenta que a gente queria muito para o som desse nosso novo CD. A gente escuta muita música brasileira. De tudo quanto é canto. Gostamos dos nomes das antigas, como Caetano, Gil, Alceu Valença, mas é na nova MPB que estamos nos encontrando mais ultimamente. Ouvimos Tulipa, Síntese, Curumin, Anelis Assumpção e vários outros caras que estão fazendo música de primeiríssima”, explica o baterista Dieguito, que define a nova fase da banda como “um rolê pela música regional sem perder a rebeldia Rock’n Roll”.

Identidade
Apesar da sonoridade alcançada com o novo álbum ter ultrapassado a expectativa da banda, o processo que envolveu a criação de “Selva Mundo” exigiu coragem para bancar certos rompimentos. O primeiro deles foi questão de identidade. A vontade de se escancarar as influências de outros ritmos poderia soar como uma traição ao bom e velho rock.

12112101_882315438483595_8523560019611202716_n

Músicos assinam os novos CDs

Divulgação

“A gente sofreu um pouco com isso. De pensar que esse lance que estávamos fazendo não era realmente Vivendo do Ócio e não tinha a nossa pegada. Mas, se a banda é o que os quatro integrantes gostam de fazer e a nossa verdade nesse momento era aquilo, não tinha porque ter medo. Aí fomos com tudo”, afirma o baterista.

O segundo rompimento foi com a gravadora Deckdisk, da qual a banda fazia parte. Nesse caso, a questão foi o ‘timing’ diferente. Os baianos queriam lançar o CD já para este ano, enquanto os planos da gravadora eram de segurar o material para 2016 e olhe lá.

“Saímos numa boa. Acho que foi bom pra gente e foi bom pra eles também. Decidimos lançar com selo independente e financiamos o trabalho por meio de crowndfounding. Foi a melhor coisa que  a gente fez para conseguir chegar ao resultado que queríamos. O trabalho já era extremamente colaborativo e, com essa forma de financiamento ficou mais ainda”, explica.

Hocus Pocus
Neste sábado (14), às 22h, a banda volta ao Hocus Pocus, em São José dos Campos, para apresentar as novas músicas. A casa é uma das preferidas da banda e Dieguito já perdeu as contas de quantas vezes se apresentou por aqui.

“Se fosse só por abrir espaço para as bandas independentes a casa já seria legal. Mas eles são ainda mais do que isso. O Hocus é um incentivador da arte mesmo. Lembro que a primeira vez que tocamos lá, a casa não bombou tanto. Depois do show fui lá me desculpar com os caras e o que rolou foi que eles chamaram a gente de novo e disseram que iriam insistir até a banda  lotar a casa”, conclui.

Vivendo do Ócio
Local:
Hocus Pocus (Rua Paraibuna, 838 — Jardim São Dimas)
Horário: 22h
Valor: R$ 15 (antecipado) e R$ 20 (com nome na lista)

Publicado em: