Bolsa de NY fecha em queda forte após indicador de emprego

As bolsas dos EUA fecharam em queda forte nesta sexta-feira, 5, conduzidas por ações dos setores de tecnologia, bens de consumo não essenciais e energia. depois de os dados do nível de emprego nos EUA em janeiro alimentarem dúvidas sobre o consenso que estava se construindo no mercado, de que o Federal Reserve não voltaria a elevar as taxas de…

Escrito por: Conteúdo Estadão5 min de leitura
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As bolsas dos EUA fecharam em queda forte nesta sexta-feira, 5, conduzidas por ações dos setores de tecnologia, bens de consumo não essenciais e energia. depois de os dados do nível de emprego nos EUA em janeiro alimentarem dúvidas sobre o consenso que estava se construindo no mercado, de que o Federal Reserve não voltaria a elevar as taxas de juro neste ano. Os dados do nível de emprego nos EUA em janeiro, divulgados depois de indicadores fracos de atividade nos setores industrial e de serviços divulgados no começo da semana, saíram mistos e levaram o dólar a subir, depois de dois dias de baixas. Os preços do petróleo, que haviam subido na semana passada, caíram pela quinta sessão consecutiva e o preço do ouro acumulou uma alta de 3,7% na semana, a maior desde agosto do ano passado. Informes fracos de resultados de empresas no quarto trimestre, sobretudo do setor de tecnologia, também contribuíram para a queda das ações.

O Departamento do Trabalho informou que o número de postos de trabalho criados em janeiro ficou em 151 mil, bastante abaixo da previsão dos economistas, de 185 mil. O número de empregos criados em dezembro foi revisado para 262 mil, de 292 mil no informe preliminar. A taxa de desemprego recuou para 4,9%, quando a expectativa era de que ela ficasse nos mesmos 5,0% de dezembro. O salário médio por hora elevou-se em US$ 0,12 (0,47%), para US$ 25,39, após um recuo de 0,04% em dezembro; a expectativa para janeiro era de +0,3%. Em relação a janeiro de 2014, o salário médio por hora aumentou 2,5%.

Os dados do payrol “não contribuem em nada para dar alívio às pessoas que estão preocupadas com o risco de uma recessão. Se o número de empregos começa a recuar, somando-se a todos os dados fracos da indústria, então todas as peças do quebra-cabeças começam a se juntar”, disse o trader Michael Antonelli, da R.W. Baird. “Se você olha para além do número fraco de postos de trabalho criados, os dados são bastante bons. Eles provavelmente são suficientemente fortes para ajudar o dólar a recuperar a compostura, depois de uma semana muito dura”, comentou o analista Omer Esiner, da Commonwealth Foreign Exchange.

“O informe não bate com as expectativas de deterioração na perspectiva de crescimento dos EUA que resultaram da turbulência recente nos mercados. Acho que é prematuro descartar a possibilidade de uma elevação das taxas de juro pelo Fed neste ano”, afirmou o estrategista Aaron Kohli, da BMO Capital Markets. Já o trader Peter Costa, da corretora Empire Executions, disse que “a palavra recessão está começando a aparecer nas conversas”.

O estrategista Brian Jacobsen, da Wells Fargo Funds Management, disse que o número de empregos criados em dezembro “é fraco, mas não no nível de uma recessão, de modo que a correção que vemos no mercado é um pouco exagerada. Será necessário termos mais evidências, nos indicadores econômicos, que mostrem que novas quedas das ações não são justificadas. Mas me sinto mais confortável em acrescentar risco a uma carteira”.

A estrategista Kate Warne, da corretora Edward Jones, observou que os empregadores não foram abalados pela volatilidade registrada nos mercados no mês passado e pelo rebaixamento das expectativas de crescimento da economia. “Havia a preocupação de que os declínios do mercado reduziriam a confiança das empresas e que veríamos, como resultado disso, um efeito econômico real. Mas não vemos isso no informe de empregos de janeiro.”

Mesmo com as interpretações positivas de muitos participantes do mercado, a queda das ações acelerou à tarde e o índice Dow Jones chegou a cair 286 pontos (1,75%), o Nasdaq chegou a cair 159 pontos (3,53%) e o S&P-500 chegou a perder 42 pontos (2,23%). Na Chicago Board Options Exchange (CBOE), o índice de volatilidade VIX subiu 7,05%, para 23,38, com máxima intraday em 24,11.

Dos dez componentes setoriais do S&P-500, os únicos a subir foram os de telecomunicações (+0,76%) e utilidades públicas (+0306%). Os que mais caíram foram os de tecnologia (-3,25%), bens de consumo não essenciais (-3,19%) e energia (-2,03%); o de serviços de saúde caiu 1,96% e o do setor financeiro recuou 1,36%.

As ações da LinkedIn caíram 43,63%, depois de vários analistas rebaixarem sua recomendação em reação ao balanço da companhia no quarto trimestre. O volume de negócios com LinkedIn foi 25 vezes maior do que a média das 30 sessões anteriores e a empresa perdeu hoje US$ 11 bilhões em capitalização (mais do que o valor de mercado do Twitter, cujas ações perderam 7,04%). As da Tableau Software, que também divulgou resultados, caíram 49,44%. Entre os destaques negativos do setor de tecnologia também estavam ações como Facebook (5,81%), Amazon.com (-6,36%), Alphabet, a controladora do Google (-3,60%) e Netflix (-7,71%).

Entre as componentes do Dow Jones, as que mais caíram foram Nike (-4,99%), McDonald’s (-4,36%), Home Depot (-3,86%), Microsoft (-3,54%) e Johnson & Johnson (-3,23%). As da Cisco Systems caíram 2,76% e as da Apple recuaram 2,67%.

Entre as ações de empresas que divulgaram resultados do quarto trimestre, outros destaques foram News Corp. (-9,09%), Symantec (+3,02%), Tyson Foods (+9,91%), Estée Lauder (+4,57%) e Hanesbrands (-15,07%).

O índice Dow Jones fechou em queda de 211,61 pontos (1,29%), em 16.204,97 pontos. O Nasdaq fechou em queda de 146,42 pontos (3,25%), em 4.363,14 pontos. O S&P-500 fechou em queda de 35,40 pontos (1,85%), em 1.880,05 pontos.

Na semana, o Dow acumulou uma queda de 1,59%, a maior em três semanas; o Nasdaq acumulou uma queda de 5,44%, a maior em um mês, e o S&P-500 acumulou uma queda de 3,10%. Nas primeiras cinco semanas do ano, o Dow acumula uma queda de 7,00%, o Nasdaq, uma baixa de 12,87% e o S&P-500, uma perda de 8,02%. Fonte: Dow Jones Newswires

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