Bolsas de NY fecham em queda depois de três sessões consecutivas de altas

As bolsas dos EUA fecharam em queda nesta quinta-feira, 17, depois de três sessões consecutivas de altas e revertendo os ganhos da abertura. O índice Dow Jones chegou a subir 47 pontos nos primeiros minutos da sessão, num esforço para dar continuidade à alta de ontem, quando o mercado reagiu positivamente à primeira elevação das taxas de juro…

Escrito por: Conteúdo Estadão5 min de leitura
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As bolsas dos EUA fecharam em queda nesta quinta-feira, 17, depois de três sessões consecutivas de altas e revertendo os ganhos da abertura. O índice Dow Jones chegou a subir 47 pontos nos primeiros minutos da sessão, num esforço para dar continuidade à alta de ontem, quando o mercado reagiu positivamente à primeira elevação das taxas de juro de curto prazo pelo Federal Reserve. Depois disso, o Dow chegou a cair 255 pontos.

O economista-chefe da RBC Global Asset Management, Eric Lascelles, disse que “a mensagem em torno da decisão do Fed é tão positiva para os investidores quanto se poderia esperar: uma avaliação positiva sobre o desempenho da economia e uma sinalização bastante ‘dovish’ por parte do banco central”.

Brian Fenske, da ITG, disse que o volume de negócios aumentou um pouco e que alguma volatilidade já era esperada, já que nesta sexta-feira acontece o “quadruple witching”, o vencimento simultâneo de contratos futuros e de opções sobre ações e índices. Na Chicago Board Options Exchange (CBOE), o índice de volatilidade VIX subiu 6,05%.

As bolsas europeias subiram em reação à decisão do Fed, com as ações do setor financeiro entre as maiores altas. O dólar subiu diante das principais moedas e também das dos países produtores de commodities e dos emergentes; os preços dos títulos do Tesouro dos EUA subiram, com correspondente baixa nos juros. Os preços dos metais básicos e preciosos caíram, assim como os do petróleo.

“As perdas de hoje tiraram o oxigênio do ‘rali de Papai Noel’, à medida que o sentimento dos investidores não é positivo, tendo em vista a debilidade contínua no mercado de petróleo e a turbulência no mercado de bônus ‘junk’, disse Jennifer Ellison, da Bingham, Osborn & Scarborough. O fundo negociado em bolsa iShare iBoxx $ High Yield Corporate Bond ETF, focado em bônus corporativos com grau especulativo, recuou 1,11% e acumula uma queda de 10,90% em 2015.

O S&P-500 voltou a acumular queda desde o começo deste ano. Dos dez componentes setoriais do S&P-500, o único a subir foi o de utilidades públicas, com alta de 0,10%. Os que mais caíram foram os de energia (-2,48%), materiais (-1,94%), indústrias (-1,64%), bens de consumo não essenciais (-1,63%), tecnologia (-1,61%) e o financeiro (-1,58%). Das 30 componentes do Dow Jones, a única ação a subir foi UnitedHealth (+0,33%); os destaques negativos foram Caterpillar (-4,16%), Chevron (-3,10%), Merck (-2,52%), Visa (-2,19%) e Apple (-2,12%); no setor financeiro, as ações do Goldman Sachs caíram 1,93% e as do JPMorgan Chase recuaram 1,85%.

Hoje foi mais um dia de indicadores mistos nos EUA. O número de novos pedidos de auxílio-desemprego ficou em 271 mil na semana até 12 de dezembro, com queda de 11 mil em relação à semana anterior; economistas previam 275 mil pedidos. O índice de atividade industrial regional do Fed de Filadélfia caiu a -5,9 em dezembro, de 1,9 em novembro; economistas previam que o índice ficasse em 1,0.

O Departamento do Comércio informou que o déficit em conta corrente dos EUA cresceu para US$ 124,1 bilhões no terceiro trimestre, equivalentes a 2,7% do PIB, de US$ 111,1 bilhões, ou 2,5% do PIB, no segundo trimestre; economistas previam que ele ficasse em US$ 122 bilhões. O índice de confiança do consumidor da Conference Board subiu 0,4% em novembro, após um ganho de 0,6% em outubro; economistas previam que ele subisse 0,1%.

“Acredito que ontem houve uma certa euforia com o fato de a primeira elevação das taxas de juro em quase dez anos ter sido removida do caminho. Estamos voltando aos padrões que prevaleciam antes da decisão do Fed”, disse o estrategista Michael O’Rourke, da JonesTrading. Um elemento importante desses padrões foi o fato de as ações terem acompanhado recentemente as quedas dos preços do petróleo.

“Acho que será difícil os mercados continuarem a subir se o petróleo está despencando. Precisamos de uma estabilização do petróleo. Não precisamos ver uma alta forte, apenas uma estabilização”, disse Randy Frederick, do Schwab Center for Financial Research.

Entre os destaques do dia também estavam as ações da KaloBios Pharmaceuticals, que tiveram negociação suspensa pela Nasdaq depois de caírem 53% no pré-mercado, em reação à notícia de que seu executivo-chefe, Martin Shkreli, foi preso pelo FBI sob acusações de fraudes que ele teria cometido quando era gestor do fundo de hedge MSMB Capital Management.

Shkreli, de 32 anos, ficou famoso nos EUA três meses atrás, quando outra companhia que ele dirige, a Turing Pharmaceutical (de capital fechado), elevou o preço de um medicamento contra o vírus HIV de US$ 13,50 para US$ 750,00. O caso levou Hillary Clinton, pré-candidata à Presidência dos EUA pelo Partido Democrata, a defender medidas que coibissem aumentos abusivos de preços no setor farmacêutico – causando uma queda forte das ações do setor em setembro e em outubro.

O índice Dow Jones fechou em queda de 253,25 pontos (1,43%), em 17.495,84 pontos. O Nasdaq fechou em queda de 68,58 pontos (1,35%), em 5.002,55 pontos. O S&P-500 fechou em queda de 31,18 pontos (1,50%), em 2.041,89 pontos. Fonte: Dow Jones Newswires

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