Bombeiros realizam sonho de menino sem uma das pernas em São José

Família veio à cidade em busca de tratamento ideal para criança carioca

Escrito por: João Pedro Teles4 min de leitura
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O Corpo de Bombeiros de São José dos Campos atendeu uma chamada urgente na manhã desta quarta-feira (31). Por volta das 9h30, o caminhão da corporação estacionou na avenida Adhemar de Barros,  no centro da cidade, na missão mais importante do dia: mostrar ao pequeno Guilherme, de apenas 3 anos, um pouquinho do que faz um bombeiro de verdade.

O caminhão estaciona buzinando, despertando a atenção da criança, ainda um pouco encabulada com a cena. Ele desce sozinho a rampa adaptada do centro de fisioterapia onde realiza sua adaptação à novíssima prótese de perna. Guilherme nasceu sem a perna esquerda por um problema congênito.

Apaixonado pelos bombeiros desde que ganhou um caminhão de brinquedo da corporação, sua peça predileta, o pequenino anda com desenvoltura, equilibrando-se em sua nova perninha de fibra de carbono para encontrar os ídolos. Uma surpresa do tamanho do caminhão vermelho, de pneus enormes e sirenes cintilantes.

Em frente ao imponente veículo e seus tripulantes, todos fardados, Guilherme ganha abraços, um mascote de pelúcia e ainda uma medalha como reconhecimento por sua bravura. Tímido, o menino aceita as honrarias com a humildade de um verdadeiro campeão.

A visita tem direito ao pacote completo. Guilherme entra no veículo, é apresentado aos materiais utilizados pelos bombeiros, que abrem todo o arsenal do caminhão ao pequenino. Ele acompanha tudo, mas sem largar do colo da mamãe, a carioca Alana Gonçalves de Barros, de 22 anos, de São Gonçalo.

Heroína

Há três anos, quando ficou sabendo que o filho nasceria sem a perna esquerda, Alana descobriu também que precisaria ser uma mãe tão especial quanto o menino esperto que carregava no ventre. Desde então, nunca mediu esforços para que o filho tivesse uma vida feliz e que se integrasse rapidinho com os outros amigos e primos da mesma idade.

Foi esse espírito que trouxe a jovem mãe para São José dos Campos. Percebendo que, à medida que crescia, o filho já estava se incomodando com andadores e muletas que utilizava, ela foi atrás de alguma clínica que tratasse da questão específica de Guilherme.

“Pensei: ‘vou dar um jeito, custe o que custar’. O objetivo era ir atrás da prótese ideal para o meu filho. Já pensava nas rifas que teria que fazer, se a gente iria fazer trufa pra vender. Por ele eu topo qualquer coisa, custe o que custar”.

Pela internet, ela descobriu o trabalho da clínica Bioniccenter, de São José, que tinha um modelo ideal para a deficiência de Guilherme.

“Entrei em contato pelo whatsap já perguntando sobre o preço. Foi aí que descobri que eles têm um projeto social que inclui crianças como o meu filho. Então demos um jeito de vir pra cá, arrumamos passagem, estadia, coloquei o Gui no colo e viemos”, comenta.

Orgulho

Para o comandante da inusitada missão, tenente Juan Morshita, operações como esta são a parte mais emocionante de sua profissão. Ele afirma que o proprietário da clínica é seu amigo e, assim que ficaram sabendo do fanatismo de Guilherme pelo caminhão dos bombeiros, decidiram elaborar a surpresa.

“É um momento muito emocionante da nossa profissão, porque a criança é genuína, não esconde os sentimentos. Ver a alegria deles quando recebe uma medalha e quando entra no caminhão é uma satisfação imensa. Espero que a gente esteja plantando uma sementinha e que o Guilherme se lembre desse momento por muito tempo”, afirma.

Para o proprietário da clínica, Anderson Tuzino Nolé, o importante é que cada um tenha consciência de que pode dar uma contribuição importante na qualidade de vida das pessoas.

“Todo mundo pode ajudar com o que sabe fazer. Aqui mesmo eu gostaria de fazer muito mais. Mas o pouco que proporcionamos já é importantíssimo. Agora vamos tratar dessa prótese para que ela possa se adaptar bem ao crescimento dele”, conta.

O aparelho custa em torno de R$ 14 mil e é adaptável ao crescimento da criança. De dois em dois meses mãe e filho terão que ir à clínica para ajustar a prótese.

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