Bourbon Festival Paraty: mais música, menos “perrengue”
Festival de jazz ultrapassa público da Flip e exige mudanças estruturais


Público cresceu de 18 para 30 mil pessoas em sete edições
Divulgação
Após a chuva dar uma trégua, a norte-americana Sharon Jones, principal atração do Bourbon Festival Paraty 2015, irrompe o palco da suntuosa concha acústica montada ao lado da igreja Matriz, onde fecharia a noite de sábado (30) do festival. Dona de voz e atitude vigorosas, o nome mais badalado do evento de Jazz, Soul e R&B, entregou uma apresentação memorável na cidade histórica.
Assistir aos contorcionismos da cantora ao alcançar as notas mais poderosas ou a interação com os Dap Kings (banda que acompanha Sharon e mesma que gravou seis faixas do disco Back to Black, com Amy Winehouse), entretanto, foi um espetáculo para poucos. Das mais de 10 mil pessoas que acompanhavam a apresentação, grande parte ficou tão longe do palco que mal dava para enxergar o telão.
Extrapolar a cota de “perrengue”natural a um festival com programação 100% gratuita é justamente o risco que a organização e a curadoria correm caso algumas medidas não sejam implementadas na estrutura dos próximos anos. Em linhas gerais, o Bourbon pode se tornar vítima da própria competência em montar um line-up praticamente irretocável.
Nesta 7ª edição, o Bourbon, que aconteceu entre os dias 29 e 31 de maio, reuniu um público estimado em 30 mil pessoas pela organização do evento. Número que ultrapassa o da edição 2014 da Flip (Feira Literária Internacional de Paraty), que reuniu cerca de 27 mil pessoas. Para se ter uma ideia do crescimento, a primeira edição do evento, realizada em 2009, reuniu aproximadamente 18 mil pessoas.
“Este ano o público foi nitidamente maior do que das edições anteriores. No sábado, tivemos a taxa de 100% de ocupação na rede hoteleira. É um resultado importante, fruto do amadurecimento do festival e de sua curadoria. Mas também é um indicativo de que a estrutura precisa ser repensada para garantir mais conforto para esse número crescente de pessoas”, explica o secretário adjunto de Turismo de Paraty, Gabriel Costa.
Telões
A prefeitura de Paraty é a principal patrocinadora do festival, que tem a curadoria da Bourbon Street Music Club, tradicional casa de blues e jazz de São Paulo. Para o organizador, Edgard Radesca, as próximas edições do evento podem contar com telões espalhados pela cidade, assim como já acontece durante a Flip.
“As medidas para os próximos anos precisam aumentar o conforto de quem vem para assistir os shows. Muita gente reclamou que, apesar do som estar perfeito, não era possível assistir. Além dos telões, também será preciso melhorar a estrutura para os músicos que tocam na rua (que, na programação, constam como ‘buskers’), já que a proporção dessas apresentações também tem aumentado muito”, afirma.
Orçamento
Para incrementar e estrutura, entretanto, a organização deverá, mais uma vez, driblar o corte no orçamento da prefeitura. Apesar de não revelar valores, o secretário adjunto de Turismo afirmou que o evento contou com verba menor do que em 2014.
“A pasta sofreu um corte orçamentário de 30%, o que refletiu também no festival. Mas como contamos com outras parcerias, houve um esforço para captação de recursos da iniciativa privada para diminuir esse prejuízo”, explica Costa.
Nesta edição, o evento contou com 21 atrações musicais, somando 30 horas de música. Os convidados dividiram-se em dois palcos. Além de Sharon Jones, nomes como Nuno Mendelis, Vasti Jackson e Tulipa Ruiz também se destacaram na programação.
Posts Relacionados

Instituto Athlon representa São José em Mundial na Holanda

Europa concentra maior número de casos de violência contra brasileiras no exterior

Discurso de Lula na Avibras, em Jacareí, provoca crise diplomática com o Paraguai
