Bovespa termina em baixa com realização de lucros e exterior
A Bovespa conseguiu retomar os 52 mil pontos logo após a abertura, mas não conseguiu sustentar o ganho e encerrou esta sexta-feira, 27, em queda de 0,34%, aos 51.583 pontos. O viés de baixa vindo de Nova York justificou uma parcela das perdas, mas investidores também aproveitaram o período da tarde para realizar parte dos lucros mais recentes,…

A Bovespa conseguiu retomar os 52 mil pontos logo após a abertura, mas não conseguiu sustentar o ganho e encerrou esta sexta-feira, 27, em queda de 0,34%, aos 51.583 pontos. O viés de baixa vindo de Nova York justificou uma parcela das perdas, mas investidores também aproveitaram o período da tarde para realizar parte dos lucros mais recentes, após uma bateria de novidades na área fiscal por parte do governo. No mês, a Bovespa acumulou ganhos consistentes, de 9,97%, e, no acumulado de 2015, o avanço já é de 3,15%.
Na primeira meia hora de negócios, a Bovespa chegou a marcar a mínima de 51.474 pontos (-0,55%), após o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgar os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O País fechou 81.774 vagas em janeiro, bem mais do que esperavam os economistas, o que trazia certo viés de baixa para as ações. Só que a Bovespa virou e passou a registrar ganhos consistentes depois das 10h30, quando foram divulgados os números revisados do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA e os dados do setor público consolidado do Brasil em janeiro.
Isso porque o Banco Central anunciou um superávit primário de R$ 21,063 bilhões em janeiro – o maior para o mês desde 2012 e acima do esperado pelo mercado. Somadas a isso, surgiram novas medidas no campo fiscal, que reforçaram a avaliação de que o governo está de fato trabalhando para atingir a meta de superávit de 1,2% do PIB para 2015. Em reação, a Bovespa chegou a marcar a máxima de 52.457 pontos (+1,35%).
À tarde, no entanto, o ímpeto de compras arrefeceu e o Ibovespa voltou ao território negativo. Por um lado, os índices de ações em Nova York também passaram a indicar recuos maiores e, por outro, os investidores aproveitaram para realizar parte dos lucros obtidos durante o mês, vendendo ações. A expectativa girava em torno da coletiva de imprensa do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que começou perto das 15h40. O ministro trouxe novas medidas fiscais – neste caso, um decreto para regulamentar a alíquota do Reintegra, mecanismo de devolução de valores tributários para empresas exportadoras, em 1%. Antes, até 3% eram devolvidos.
Mesmo com esta novidade – mais uma para reforçar o compromisso com a meta fiscal do governo -, os investidores não retomaram as compras de ações, com o Ibovespa encerrando no território negativo.
Ontem, em edição extra do Diário Oficial, o governo divulgou decreto com a reprogramação da execução financeira dos órgãos do Poder Executivo para o primeiro quadrimestre. As despesas com custeio e investimentos foram limitadas a R$ 75,155 bilhões. Desse montante, R$ 15,175 bilhões serão usados exclusivamente para pagamento de despesas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Outros R$ 59,980 bilhões irão para as demais demandas.
Já na manhã de hoje o Diário Oficial trouxe uma medida provisória que revisa as regras de desoneração da folha de pagamento de setores produtivos, altera a legislação tributária incidente sobre bebidas frias e dispõe sobre medidas tributárias referentes à realização dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016 no Rio de Janeiro. Na prática, torna o recolhimento das empresas na folha maior, de 4,5% a 2,5% sobre o faturamento, e não mais de 2% a 1%.
Na bolsa, destaque também para a reunião do conselho da Petrobras. O mercado reagiu à notícia de que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, não deve fazer parte do conselho da estatal, ao contrário de seu antecessor, Guido Mantega. Foi bem visto por alguns analistas, pois reduziria a influência política sobre a estatal. Além disso, a companhia aprovou a eleição do advogado Luiz Navarro para o conselho de administração, para ocupar a vaga que era do secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, que renunciou. Navarro é especialista em combate à corrupção – algo precioso para a petrolífera neste momento. Petrobras ON subiu 3,04% e Petrobras PN tinha ganho de 2,24%. Vale ON ficou estável e a PNA teve ganho de 0,60%.
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