Brancos, nulos e abstenções “vencem” eleitores de Doria (PSDB) no segundo turno

11,7 milhões de eleitores não deram seu voto a ninguém, enquanto Doria foi eleito com cerca de 10,9 milhões de votos

Escrito por: Meon Redação2 min de leitura
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Em relação à disputa presidencial, a somatória dos votos brancos, nulos e abstenções ultrapassou 42 milhões

Reprodução/Agência Brasil

O segundo turno das eleições deste domingo (29) foi caracterizado pela disputa acirrada tanto para presidente, quanto para o governo de São Paulo. Porem, os protagonistas dessas eleições foram os eleitores que preferiram não votar em ninguém.

Segundo dados da Justiça Eleitoral, na eleição para Governador de São Paulo, a quantidade de votos brancos, nulos e abstenções supera o número de eleitores de João Doria (PSDB), vencedor da disputa no segundo turno. Brancos, nulos e abstenções somaram mais de 11,7 milhões, enquanto Doria foi eleito com cerca de 10,9 milhões de votos.

Para a contagem eleitoral, os votos brancos, nulos e abstenções tem o mesmo impacto nas eleições. “Em relação a contagem eles tem o mesmo efeito. Os eleitores que votaram branco ou nulo e os que não votaram são excluídos da contagem dos votos validos”, afirma o Ernandi Ramos, chefe do cartório eleitoral de São José dos Campos.

Em relação à disputa presidencial, a somatória dos votos brancos, nulos e abstenções ultrapassou 42 milhões, o que representa 28,82% dos eleitores do país. Bolsonaro venceu a disputa presidencial com 55,13% dos votos válidos, o que representa aproximadamente 57,7 milhões de eleitores.

Para o professor José Mauricio Cardoso, cientista político, a quantidade de eleitores que escolhe não dar seu voto a nenhum candidato é historicamente elevado, mas esse ano superou as eleições anteriores. “O numero é assustadoramente grande. E isso acontece principalmente pelo desinteresse da população em participar da decisão. Esse grupo não está consciente do seu papel histórico”, afirma Cardoso.

Nos últimos anos, o crescimento da polarização política no país pode ter contribuido com esse quadro. “A polarização não deixa opção para o eleitor. Ou se identifica com um ou outro. E os que não se identificam com nenhum dos lados se blinda dessa participação política”, comenta o professor.

Ainda segundo o cientista, esse comportamento da população é preocupante, pois demonstra que boa parte do país prefere não fazer parte da discussão política. “A democracia não se baseia em acertar ou errar. A democracia implica em diálogo. Quando essa grande parte da população se abstém de votar, qual critério a pessoa vai usar pra dialogar e cobrar os políticos eleitos?!”, afirma Cardoso.

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