Brasil está há um passo de consolidar a indústria aeroespacial, diz Perondi
Para diretor do Inpe, país pode produzir e exportar produtos aeroespaciais


Para diretor do Inpe, país pode produzir e exportar produtos aeroespaciais
Rodrigo Ribeiro/Meon
“Estamos próximos de iniciar o setor de indústria aeroespacial no país. O Brasil pode fabricar e exportar produtos e sistemas aeroespaciais, estamos próximos do que aconteceu em 1968, quando foi lançado o avião Bandeirante, representando o início do setor aeronáutico brasileiro”, diz Leonel Perondi, diretor do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), de São José dos Campos.
O diretor esteve na manhã desta sexta-feira (19), com representantes do instituto e de empresas que participaram da produção do quinto satélite da parceria com a China, o CBERS-4, lançado com sucesso em 7 de dezembro deste ano. De acordo com Perondi, o sucesso do CBERS-4, comprova a capacidade nacional para produzir produtos e sistemas aeroespaciais.
“Projetamos e fabricamos os sistemas de câmeras, dominamos hoje a capacidade de produzir um sistema operacional, geramos capacitação, para fechar o ciclo do país como um setor aeroespacial falta desenvolver o controle da altitude e órbita de um satélite” conta Perondi, lembrando que apesar de já possuir a capacidade industrial, o setor nacional está sem contratos para novos projetos.
“É algo que vamos buscar em curto prazo. Um dos objetivos para 2015 é desenvolver o sistema de controle de altitude e órbita e buscar novos contratos para dar continuidade ao programa espacial”, diz Perondi. “Se mirarmos somente o serviço (geração de imagens) é mais barato. Mas nosso objetivo é capacitar o país para produzir produtos de maior valor agregado”.
Diferente dos satélites CBERS 1 e 2, onde o Brasil teve participação de 30% na produção e a China 70%, nos satélites 3 e 4, o desenvolvimento foi divido igualmente. O diretor Perondi explicou que o Inpe já consegue produzir parte dos sistemas do CBERS-4 desenvolvidos pela China (50%), como por exemplo, o transmissor de dados, o sistemas de propulsão e o controle térmico. O principal desafio é o controle em altitude e órbita.
Segundo a coordenadora de Observação da Terra do Inpe, Leila Fonseca, o CBERS-4 já capturou várias imagens. “Agora estamos fazendo o processamento e no início de março do ano que vem vamos disponibilizar as imagens já tratadas e finalizadas para todas as pessoas no site do Inpe”, conta.
Futuro
“A perspectiva é que o programa continue com a produção do satélite CBERS-4A. Vamos aproveitar os produtos e sistemas dos CBERS 3 e 4, mas com um custo inferior. Isso está em discussão com a China, para um programa de cooperação para os próximos dez anos. Estamos estudando o desenvolvimento de satélites e também projetos de aplicação ambiental, monitorando o O², por exemplo”, conta Perondi.
“Esperamos lançar o CBERS-4A nos próximos três ou quatro anos talvez, para dar continuidade às imagens. Mas uma das condições em discussão com os chineses é que a integração de todos os sistemas seja feita no Brasil -no CBERS-4 a integração foi feita na China”, diz Perondi.
CBERS
Além de fornecer imagens para o monitoramento ambiental, o CBERS é importante indutor da inovação no parque industrial brasileiro, que se qualifica e moderniza para atender aos desafios do programa espacial.
A política industrial adotada pelo INPE permite a qualificação de fornecedores e contratação de serviços, partes, equipamentos e subsistemas junto a empresas nacionais, como por exemplo, a Opto Eletrônica, Fibraforte, Aeroeletrônica, Equatorial Sistemas, Neuron, Mectron, Cenic, Orbital e Omnisys, que participaram do desenvolvimento do CBERS-4.
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