Censo 2022: mais de 100 milhões de pessoas já foram entrevistadas pelos recenseadores do IBGE

Maior censo demográfico já realizado enfrenta problemas de logística, falta de recenseadores e pagamentos

Escrito por: Meon Redação3 min de leitura
fundo_placeholder-023136

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) está realizando o censo demográfico 2022 em todo o Brasil desde 1º de agosto. Mais de 100 milhões de brasileiros já foram entrevistados. O Censo 2022 já verificou 36 mil domicílios. Em comunicado, o IBGE afirma que “esse total de pessoas entrevistadas corresponde a 49% da população estimada do país”.

+ Leia mais notícias da RMVale

+ Receba as notícias do Meon pelo WhatsApp: https://chat.whatsapp.com/Led8JTzToBSEKCgdlKiFyX

O censo está mais adiantado em algumas regiões e atrasado em outras. A região com a coleta de dados mais adiantada é o sudeste (42%). A mais atrasada é o centro-oeste (7,8%).

Há localidades com problemas para completar o número de recenseadores. O pessoal selecionado para essa função por meio de concurso público da banca FGV (Fundação Getúlio Vargas) não foi o suficiente. Houve contratação adicional, o que também não resolveu o gargalo, já que muitos licenciadores abandonaram a atividade por falta de segurança ou atraso nos pagamentos.

O IBGE tem 95.448 recenseadores trabalhando. Isso representa 52,2% do total de vagas disponíveis. Só o estado do Mato Grosso, por exemplo, tem um déficit censitário de 36,8% das vagas. Sergipe é o estado com o maior índice de ocupação das vagas (68,8%).

A principal reclamação dos recenseadores é a falta de segurança para visitar as diversas regiões das cidades. Há muitos relatos de assaltos, assédio sexual, ameaças de moradores que não querem responder ao censo e endereços que não existem. Os profissionais foram contratados por cerca de R$ 2.000,00, mensais, por três meses.

Segundo Valéria Medeiros, recenseadora da zona sul de São José dos Campos, “o treinamento foi ótimo, mas demorou muito pra nós recebermos a ajuda de custo. O adiantamento foi ínfimo, cerca de 10% do valor. Todos nós tivemos problemas. Fizemos um dia de paralisação. Só depois disso, é que regularizou, mas seguem problemas de segurança. Há casos, inclusive, de recenseadores agredidos por quem não queria participar do censo e outras situações. Por isso, tanta gente desistiu”.

A direção do IBGE afirma que está “considerando novas estratégias de recrutamento e alternativas para alavancar e aumentar a produtividade nos estados com os menores índices populacionais censitários”.

Arquivo pessoal
Valeria Medeiros de Castro, recenseadora do IBGE na zona sul de SJC (Arquivo pessoal)

Os brasileiros devem estar atentos à identificação dos recenseadores. Eles realizam a coleta de dados sempre uniformizados, com o colete do IBGE, boné do Censo, crachá de identificação e o Dispositivo Móvel de Coleta (DMC). É possível confirmar a identidade do recenseador no site Respondendo ao IBGE ou por meio do telefone 0800 721 8181. Essas informações estão registradas no crachá do entrevistador, juntamente com um QR Code que remete à área de identificação no site. A identificação do recenseador é confirmada pelo nome, matrícula ou CPF do recenseador.

O Censo 2022 ocorre de 10 em 10 anos e apura exatamente o tamanho da população (estimada em 215 milhões), as características dos moradores – idade, sexo, cor ou raça, religião, escolaridade, renda, saneamento básico dos domicílios e outras informações. O IBGE informa que “devem ser recenseadas todas as pessoas (inclusive crianças e idosos) que moravam no domicílio na data de referência: à meia-noite do dia 31 de julho para 1º de agosto de 2022”.

Os dados servem como base para a formulação de políticas públicas dos governos de todas as esferas e também para ações do mercado para públicos específicos mapeados pela pesquisa do IBGE. A previsão de término dos trabalhos é dezembro, mas o prazo pode ser estendido.

Tags:destaquemancheterotativoPublicado em: