Entenda as polêmicas envolvendo o ministro Dias Toffoli
Resort ligado à família e julgamento do caso Banco Master

O ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), tornou-se alvo de questionamentos após a revelação de vínculos envolvendo um resort no Paraná ligado a seus familiares, enquanto atua como relator das investigações do escândalo do Banco Master. As informações surgem em meio a críticas sobre a condução do inquérito que apura supostas fraudes financeiras envolvendo a instituição.
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O centro da controvérsia é o Tayayá Resort, localizado em Ribeirão Claro (PR). O empreendimento esteve ligado a familiares de Toffoli e, posteriormente, passou por uma transação que envolve parentes do proprietário do Banco Master e um fundo de investimento administrado por uma financeira citada em investigações sobre lavagem de dinheiro.
Negociação envolve fundo citado em investigação
Em abril de 2025, o Tayayá Resort foi adquirido pelo advogado Paulo Humberto Barbosa, que atua para a JBS, dos irmãos Joesley e Wesley Batista. A compra foi estruturada por meio de um fundo de investimento administrado pela Reag, instituição citada na operação Carbono Oculto, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro ligadas ao PCC.
O fundo realizou um aporte de R$ 4,3 milhões para a aquisição de ações do resort. Registros da Receita Federal indicam que o empreendimento já teve como sócia a Maridt Participações S.A., pertencente a Igor Luiz Pires Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro.
Segundo dados da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), o investimento foi feito pelo Arleen Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, em outubro de 2025. A Arleen é administrada pela Reag, que também teria investido R$ 16,3 milhões na DGEP Empreendimentos — empresa que já teve como sócio um primo de Toffoli.
A DGEP, inclusive, apresenta o e-mail do Tayayá Resort como contato oficial e está registrada no mesmo endereço do empreendimento, conforme dados da Receita Federal.
Procurada, a Reag afirmou que não comentará o caso. A CNN Brasil também entrou em contato com o gabinete do ministro Dias Toffoli, com o Tayayá Resort, com a DGEP e com os demais citados, aguardando posicionamento.
Banco Central aponta irregularidades
Relatório do Banco Central enviado ao TCU (Tribunal de Contas da União) aponta que, entre julho de 2023 e julho de 2024, o Banco Master e fundos administrados pela Reag estruturaram operações em desacordo com normas do Sistema Financeiro Nacional.
As transações, que somam R$ 11,5 bilhões, teriam apresentado falhas graves de gestão de risco, ausência de garantias, falta de diversificação de ativos e suspeita de pulverização de recursos em nome de terceiros.
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, negou qualquer envolvimento com fraudes ou operações ilícitas. Segundo a defesa, o banco nunca foi gestor, administrador ou cotista dos fundos citados.
Diárias de segurança e relação com o município
Outro ponto que chama atenção é o pagamento de diárias pelo TRT-2 (Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região) para servidores que prestaram apoio em segurança e transporte a uma “autoridade do Supremo Tribunal Federal” em Ribeirão Claro, entre 2022 e 2025. O total desembolsado supera R$ 450 mil.
Levantamento feito pela CNN Brasil indica que houve apoio em 16 ocasiões, com quase 600 diárias pagas. O mês de julho de 2025 concentrou o maior número de registros. Os dados estão disponíveis no painel da transparência do TRT-2, embora não indiquem qual ministro foi atendido.
Em 2017, Dias Toffoli recebeu o título de cidadão honorário da Câmara Municipal de Ribeirão Claro. O decreto legislativo menciona a “constante atenção” do ministro ao município e sua atuação em favor do desenvolvimento local. Em 2019, Toffoli retornou à cidade para a inauguração do Fórum Eleitoral Luiz Toffoli, nome dado em homenagem ao pai do magistrado, utilizando aeronave da FAB.
Pedido de investigação
Diante das revelações, o deputado federal Sanderson (PL-RS) protocolou pedidos de investigação junto à PGR (Procuradoria-Geral da República) e ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça). O parlamentar solicita apuração sobre eventual participação econômica direta ou indireta do ministro no resort, além da adoção de medidas cabíveis nas esferas cível, penal e administrativa.
Defesa do STF
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, divulgou nota pública em defesa da atuação de Dias Toffoli no caso Banco Master. Segundo Fachin, não há irregularidades na condução do inquérito e eventuais inconsistências poderão ser corrigidas após o recesso do Judiciário.
“O Supremo não se curva a ameaças ou intimidações”, afirmou Fachin, acrescentando que ataques à Corte representam uma ameaça à democracia e ao Estado de Direito.
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