
A cidade de Foz do Iguaçu, situada na divisa entre o Brasil e o Paraguai, converteu-se no maior canal de escoamento de canetas emagrecedoras sem registro no mercado nacional. O principal fator que impulsiona o avanço dessa atividade ilícita na região é a sua configuração geográfica estratégica, que abrange aproximadamente 30 quilômetros de linha fronteiriça e conta com três pontes de tráfego internacional.
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Outro ponto que explica a centralização do problema na localidade é o forte polo de abastecimento vizinho. Laboratórios de matriz paraguaia fabricam esses compostos de forma regular e também em instalações clandestinas, criando uma oferta constante que nutre o comércio ilegal do lado brasileiro.
Salto expressivo nas interceptações aduaneiras
A escalada na circulação desses produtos fica evidente nos relatórios de fiscalização. Entre 1º de janeiro e 20 de maio deste ano, as operações da Receita Federal resultaram no confisco de mais de 69 mil unidades de medicamentos voltados à perda de peso apenas no município iguaçuense.
O número chama a atenção porque, em menos de cinco meses, a quantidade recolhida na cidade já é 165% maior do que o total interceptado em todo o estado do Paraná ao longo de 2025, quando as apreensões somaram cerca de 26 mil ampolas e canetas.
Segundo dados divulgados pela comunicação institucional da Receita Federal, o Paraná concentrou, até o mês de fevereiro, 60% de todas as canetas emagrecedoras apreendidas no território brasileiro, sendo que Foz do Iguaçu responde por mais de metade de todo o volume estadual. O órgão ressalta que os indicadores passam por revisões contínuas à medida que os lotes são catalogados e registrados, o que pode alterar os balanços em curto prazo. Fora o território paranaense, os estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Bahia figuraram como os principais destinos e pontos de retenção desse tipo de insumo em 2025.
O ingresso e a distribuição de tratamentos para emagrecimento são rigidamente controlados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Atualmente, a autarquia federal concede aval para a venda de apenas cinco medicamentos específicos voltados a essa finalidade no país:
- Mounjaro;
- Turzemax;
- Veltrane;
- ZPHC;
- Thera Biolabs.
Qualquer substância que não esteja integrada a essa lista oficial é enquadrada como produto irregular. Uma vez recolhidos pelos agentes fiscais, esses remédios enfrentam um rito burocrático específico:
As cargas passam por trâmites administrativos obrigatórios antes de serem eliminadas de forma definitiva. As operações de descarte por incineração ocorrem de forma trimestral. Esse intervalo de três meses é adotado pelas autoridades para encerrar as pendências jurídicas e concentrar um volume de material que viabilize o transporte rodoviário seguro. Todo o montante ilegal recolhido na fronteira é enviado para uma empresa especializada em destruição térmica na cidade de Senador Canedo, no estado de Goiás.
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