Fronteira com o Paraguai transforma Foz do Iguaçu na principal rota de emagrecedores ilegais

Com mais de 69 mil unidades retidas em 2026, Foz do Iguaçu desponta como principal rota de canetas emagrecedoras vindas do Paraguai

Escrito por: Maria Júlia da Silva Binotto3 min de leitura
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A cidade de Foz do Iguaçu, situada na divisa entre o Brasil e o Paraguai, converteu-se no maior canal de escoamento de canetas emagrecedoras sem registro no mercado nacional. O principal fator que impulsiona o avanço dessa atividade ilícita na região é a sua configuração geográfica estratégica, que abrange aproximadamente 30 quilômetros de linha fronteiriça e conta com três pontes de tráfego internacional.

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Outro ponto que explica a centralização do problema na localidade é o forte polo de abastecimento vizinho. Laboratórios de matriz paraguaia fabricam esses compostos de forma regular e também em instalações clandestinas, criando uma oferta constante que nutre o comércio ilegal do lado brasileiro.

Salto expressivo nas interceptações aduaneiras

A escalada na circulação desses produtos fica evidente nos relatórios de fiscalização. Entre 1º de janeiro e 20 de maio deste ano, as operações da Receita Federal resultaram no confisco de mais de 69 mil unidades de medicamentos voltados à perda de peso apenas no município iguaçuense.

O número chama a atenção porque, em menos de cinco meses, a quantidade recolhida na cidade já é 165% maior do que o total interceptado em todo o estado do Paraná ao longo de 2025, quando as apreensões somaram cerca de 26 mil ampolas e canetas.

Segundo dados divulgados pela comunicação institucional da Receita Federal, o Paraná concentrou, até o mês de fevereiro, 60% de todas as canetas emagrecedoras apreendidas no território brasileiro, sendo que Foz do Iguaçu responde por mais de metade de todo o volume estadual. O órgão ressalta que os indicadores passam por revisões contínuas à medida que os lotes são catalogados e registrados, o que pode alterar os balanços em curto prazo. Fora o território paranaense, os estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Bahia figuraram como os principais destinos e pontos de retenção desse tipo de insumo em 2025.

O ingresso e a distribuição de tratamentos para emagrecimento são rigidamente controlados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Atualmente, a autarquia federal concede aval para a venda de apenas cinco medicamentos específicos voltados a essa finalidade no país:

  • Mounjaro;
  • Turzemax;
  • Veltrane;
  • ZPHC;
  • Thera Biolabs.

Qualquer substância que não esteja integrada a essa lista oficial é enquadrada como produto irregular. Uma vez recolhidos pelos agentes fiscais, esses remédios enfrentam um rito burocrático específico:

As cargas passam por trâmites administrativos obrigatórios antes de serem eliminadas de forma definitiva. As operações de descarte por incineração ocorrem de forma trimestral. Esse intervalo de três meses é adotado pelas autoridades para encerrar as pendências jurídicas e concentrar um volume de material que viabilize o transporte rodoviário seguro. Todo o montante ilegal recolhido na fronteira é enviado para uma empresa especializada em destruição térmica na cidade de Senador Canedo, no estado de Goiás.

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