Jornalista esportivo Claudio Carsughi morre aos 93 anos

Italiano radicado no Brasil, comunicador teve mais de sete décadas de carreira e marcou gerações no jornalismo esportivo e automobilístico

Escrito por: Rubens Baracho4 min de leitura
Reprodução/Redes Sociais
Reprodução/Redes Sociais

O jornalista e comentarista esportivo Claudio Carsughi morreu nesta quinta-feira (10), aos 93 anos. Ele estava internado havia 27 dias para tratar uma infecção respiratória. A morte foi confirmada pela filha, Claudia Carsughi, por meio das redes sociais.

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Considerado um dos grandes nomes do jornalismo esportivo brasileiro, Carsughi construiu uma carreira de mais de 70 anos, passando pelo rádio, jornais, revistas, televisão e internet. Sua trajetória foi marcada principalmente pela cobertura de futebol, Fórmula 1 e pela especialização em indústria automobilística.

Nascido em Arezzo, na Itália, em 13 de outubro de 1932, Carsughi chegou ao Brasil com a família em 1946, após o fim da Segunda Guerra Mundial. Primeiro, a família passou pelo Rio de Janeiro e depois se estabeleceu em São Paulo.

Ainda adolescente, começou a escrever sobre esportes. Aos 13 anos, já colaborava com o jornal italiano Corriere dello Sport, dando os primeiros passos de uma carreira que atravessaria diferentes gerações da imprensa.

Na década de 1950, trabalhou na Rádio Cultura de Poços de Caldas, em Minas Gerais. Em 1957, chegou à Rádio Panamericana, emissora que posteriormente se tornaria a Jovem Pan. Inicialmente ligado ao futebol, ampliou rapidamente sua atuação e passou também a comentar Fórmula 1 e temas relacionados ao setor automobilístico.

A passagem pela Jovem Pan se tornou uma das marcas de sua carreira. Embora tenha trabalhado em outras emissoras, como Bandeirantes e Record, Carsughi retornou diversas vezes à rádio, onde permaneceu por mais de seis décadas de trajetória profissional.

Carreira também na imprensa escrita

Carsughi também teve forte presença no jornalismo impresso. Trabalhou na Gazeta Esportiva e, em 1965, foi convidado por Mino Carta para integrar a equipe do recém-criado Jornal da Tarde.

Também atuou como correspondente de publicações italianas, entre elas Corriere dello Sport, Calcio, Ciclismo Illustrato e Tuttosport.

Em 1971, passou pela Editora Abril e, três anos depois, chegou à revista Quatro Rodas. Foi responsável pela área técnica e pela avaliação de automóveis e permaneceu ligado à publicação por 25 anos.

O conhecimento técnico sobre veículos tornou Carsughi uma referência também no jornalismo automobilístico. Ao longo da carreira, acompanhou de perto transformações importantes da indústria e foi o primeiro jornalista a testar o Volkswagen Gol, além de acompanhar o encerramento da produção do modelo e sua substituição pelo Polo.

Cobertura de cinco Copas do Mundo

No futebol, Carsughi participou de grandes coberturas ao longo de décadas. Como comentarista da Rádio Panamericana, acompanhou cinco edições consecutivas da Copa do Mundo: 1970, 1974, 1978, 1982 e 1986.

A partir de 1995, também passou a colaborar com o jornal italiano La Stampa, especialmente em assuntos relacionados à indústria automobilística.

No ano seguinte, ingressou na ESPN Brasil, onde permaneceu até 2005, comentando Fórmula 1 e futebol. Depois, trabalhou no SporTV, participando do programa Arena e analisando automobilismo, motociclismo e futebol.

Sua carreira acompanhou a própria transformação dos meios de comunicação. Depois de décadas no rádio, jornais, revistas e televisão, Carsughi também se adaptou ao ambiente digital.

Em 2012, lançou, ao lado da filha Claudia, o Site do Carsughi, reunindo conteúdos sobre automobilismo, futebol, indústria automobilística e turismo.

Após deixar a Jovem Pan, em 2015, passou a produzir conteúdo para o UOL, nos canais Carsughi, UOL Carros e UOL Esporte. Também voltou ao rádio pela Rádio Nacional e participou do programa No Mundo da Bola, além da programação esportiva da TV Brasil.

Reconhecimento

A trajetória de Carsughi também foi reconhecida fora das redações. Em 2015, sua filha criou o prêmio Carsughi L’Auto Preferita, reunindo jornalistas especializados para avaliar modelos e marcas do mercado automobilístico.

Em 2025, aos 93 anos, o jornalista recebeu uma homenagem na Assembleia Legislativa de São Paulo pelo trabalho desenvolvido ao longo de sua carreira e pela contribuição ao jornalismo e ao automobilismo brasileiro.

Ao longo dos anos, nomes como Rubens Barrichello, Felipe Massa e Milton Neves passaram a se referir a ele como “Mestre Carsughi”, expressão que sintetizava o respeito conquistado entre profissionais de diferentes gerações.

A morte encerra uma trajetória iniciada ainda na adolescência e que acompanhou mais de sete décadas de transformações no jornalismo, no futebol e no automobilismo brasileiro.

Tags:claudio carsughiEsportemorrePublicado em: