Lei da Reciprocidade: entenda como funciona processo iniciado pelo Brasil contra os EUA

Governo brasileiro iniciou procedimento que pode resultar em contramedidas comerciais contra os Estados Unidos, mas medidas não serão aplicadas imediatamente

Escrito por: Rubens Baracho3 min de leitura
Reuters
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O governo brasileiro iniciou o processo previsto na Lei da Reciprocidade em resposta às medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos. O procedimento foi formalizado nesta quinta-feira (13) e envolve a Câmara de Comércio Exterior (Camex) e o Ministério das Relações Exteriores.

A abertura do processo, porém, não significa que o Brasil aplicará imediatamente novas tarifas sobre produtos norte-americanos. A legislação estabelece uma série de etapas antes que eventuais contramedidas sejam colocadas em prática.

A Lei nº 15.122, de 11 de abril de 2025, estabelece mecanismos para que o Brasil possa responder a medidas estrangeiras que prejudiquem a competitividade internacional de produtos e empresas brasileiras. As respostas podem envolver medidas comerciais, econômicas e outras ações previstas na legislação.

Por que o Brasil abriu o processo?

A iniciativa ocorre após os Estados Unidos adotarem tarifas adicionais sobre produtos brasileiros. As sobretaxas são acumuladas às alíquotas de importação que já eram aplicadas a determinadas mercadorias.

Em alguns casos, a taxação total pode chegar a 37,5%, considerando diferentes medidas adotadas pelo governo norte-americano.

O governo brasileiro considera as tarifas injustificadas e decidiu utilizar os mecanismos previstos na legislação de reciprocidade para avaliar possíveis respostas.

Como funciona a reciprocidade?

A legislação permite diferentes formas de reação. Uma delas é a aplicação de tarifas equivalentes sobre produtos norte-americanos, atingindo setores específicos.

Outra possibilidade é recorrer a mecanismos multilaterais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC), para contestar as medidas adotadas pelos Estados Unidos e buscar apoio de outros países afetados.

Também existe a possibilidade de revisão de determinadas concessões ou benefícios comerciais concedidos aos Estados Unidos.

A definição de quais medidas poderão ser adotadas, no entanto, depende da análise do governo e das etapas previstas no processo.

Quais são as próximas etapas?

Com a abertura do processo, o Ministério das Relações Exteriores deverá formalizar a comunicação ao governo norte-americano e solicitar consultas diplomáticas.

Paralelamente, o pedido será analisado dentro da estrutura da Camex. O procedimento prevê a participação de um comitê interministerial responsável por avaliar possíveis contramedidas econômicas e comerciais.

No caso das medidas ordinárias, deverá ser realizada uma consulta pública de até 30 dias. Nesse período, setores da economia brasileira poderão apresentar informações sobre os impactos das medidas norte-americanas e contribuir para a avaliação das possíveis respostas.

Depois da consulta, a proposta volta para análise do Comitê-Executivo de Gestão da Camex, responsável pela decisão sobre a adoção das medidas.

A legislação também prevê a possibilidade de contramedidas provisórias em situações excepcionais, que podem ser adotadas antes da conclusão de todo o processo.

Brasil também recorreu à OMC

Além do mecanismo de reciprocidade, o Brasil iniciou consultas com os Estados Unidos no âmbito da Organização Mundial do Comércio.

O pedido brasileiro foi apresentado em 6 de agosto e, após a aceitação norte-americana, foi aberto o prazo de 60 dias para que os dois países realizem consultas.

A estratégia do governo brasileiro é utilizar as negociações diplomáticas para tentar reduzir ou eliminar os efeitos das tarifas norte-americanas e evitar uma escalada das medidas comerciais.

Segundo o governo, a prioridade continua sendo o diálogo e a negociação com Washington.

Caso as negociações não avancem, eventuais contramedidas previstas na Lei da Reciprocidade ainda dependerão do cumprimento das etapas estabelecidas pela legislação.

O processo, portanto, pode se estender por meses e não representa uma aplicação automática de novas tarifas brasileiras contra produtos dos Estados Unidos.

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