Lobista dizia gastar R$ 100 mil por mês para bancar Lulinha, aponta PF
Mensagens apreendidas pela Polícia Federal indicam que Roberta Luchsinger teria relatado despesas relacionadas ao filho do presidente Lula; caso é investigado no contexto das apurações sobre fraudes no INSS

Mensagens apreendidas pela Polícia Federal durante uma investigação envolvendo o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger indicam que ela teria afirmado gastar cerca de R$ 100 mil por mês para custear despesas relacionadas ao filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
As informações foram divulgadas nesta terça-feira (25) pela CNN Brasil e fazem parte das apurações conduzidas pela Polícia Federal. O caso está relacionado a suspeitas de tráfico de influência e possíveis negociações envolvendo empresas e órgãos do governo federal.
Segundo as informações obtidas pela investigação, Roberta teria reclamado em mensagens sobre despesas que estaria arcando e mencionado a necessidade de interromper o pagamento de passagens diante da demora no recebimento de valores que, segundo ela, haviam sido combinados.
Pagamentos e dinheiro em espécie
A investigação também aponta que Roberta Luchsinger teria movimentado valores elevados em dinheiro vivo.
Segundo a Polícia Federal, um funcionário ligado à lobista realizou duas retiradas de dinheiro em 2025 que totalizaram R$ 300 mil. Parte desses recursos teria sido utilizada para despesas relacionadas a Lulinha, incluindo passagens aéreas.
Em um dos episódios investigados, R$ 50 mil teriam sido destinados a uma agência de viagens para a emissão de passagens para Roberta e Lulinha.
A PF também investiga outros pagamentos e benefícios que teriam sido realizados pela lobista a pessoas próximas ao núcleo investigado.
Relação com o caso do INSS
O nome de Lulinha passou a aparecer nas investigações relacionadas ao esquema de descontos fraudulentos em aposentadorias e pensões do INSS.
A Polícia Federal investiga possíveis relações entre Lulinha, Roberta Luchsinger e Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, que é apontado como um dos principais investigados no caso.
As apurações também analisam possíveis tentativas de intermediação de negócios junto ao governo federal. Entre as negociações investigadas estão propostas relacionadas a medicamentos à base de cannabis, testes para arboviroses e possíveis parcerias com um laboratório público. Nenhuma das propostas citadas pela investigação chegou a ser concretizada.
Viagem e outras despesas
A investigação também identificou informações sobre uma viagem internacional realizada por Lulinha e Roberta.
Segundo mensagens obtidas pela PF, os dois discutiram uma viagem para a África e a Europa, com valores estimados em dezenas de milhares de dólares. A defesa de Lulinha já reconheceu que uma viagem a Portugal teve despesas pagas por Antônio Carlos Camilo Antunes, mas nega que isso represente participação em irregularidades.
A PF também investiga pagamentos e benefícios que teriam sido destinados ao ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola. Segundo as investigações, a lobista teria arcado com despesas pessoais e realizado outros pagamentos, que as defesas contestam e classificam como empréstimos ou operações legítimas.
O que Lulinha diz
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva nega irregularidades e afirma que ele não participou de negócios ilícitos.
Os advogados também contestam as suspeitas relacionadas às negociações investigadas e sustentam que não houve recebimento indevido de recursos.
As investigações continuam. Lulinha é investigado pela Polícia Federal, mas não há condenação contra ele relacionada a esses fatos.
O caso está sendo acompanhado pelo Supremo Tribunal Federal, e novas diligências poderão esclarecer a origem dos recursos, a finalidade dos pagamentos e a eventual participação dos investigados nas negociações analisadas pela PF.
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