Lulinha admite viagem de avião paga pelo Careca do INSS, diz jornal

Filho de Lula diz que foi a Portugal para conhecer fábrica de cannabis medicinal

Escrito por: Rubens Baracho3 min de leitura
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O empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, confirmou a interlocutores que teve despesas de viagem e hospedagem em Portugal custeadas pelo lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, apelidado de “Careca do INSS”, preso sob suspeita de envolvimento em fraudes bilionárias contra aposentados. A informação foi publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Segundo relatos atribuídos ao empresário, a viagem ocorreu no fim de 2024 com o objetivo de conhecer uma fábrica de cannabis medicinal na região de Aveiro, em Portugal. Lulinha afirma, no entanto, que não houve sociedade nem repasse de valores por parte do lobista.

A relação entre os dois passou a ser investigada após um ex-funcionário de Antunes declarar à Polícia Federal (PF) que eles seriam sócios e que o empresário receberia R$ 300 mil mensais. A PF também identificou mensagens em que o lobista mencionava pagamentos de R$ 300 mil ao “filho do rapaz”, sem citar nome. A apuração busca esclarecer se a referência diz respeito a Lulinha.

Além do inquérito policial, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovou a quebra de sigilo bancário do empresário para analisar eventuais movimentações financeiras relacionadas ao caso.

Versão apresentada

De acordo com pessoas próximas ouvidas pelo jornal, Lulinha afirma que conheceu Antunes por intermédio da empresária Roberta Luchsinger, também investigada por supostamente ter recebido valores do lobista.

Ele sustenta que foi convidado a conhecer uma planta de cultivo de cannabis medicinal e que viajou em primeira classe, com todas as despesas pagas por Antunes. Ainda segundo sua versão, houve convite para integrar um empreendimento no setor, mas as tratativas não avançaram.

O empresário nega ter recebido qualquer valor do lobista e afirma que suas movimentações bancárias registram apenas dividendos de empresas próprias, que, segundo ele, não prestaram serviços a Antunes.

Negócio em Portugal

Documentos apreendidos pela Polícia Federal indicam que Antunes teria avançado na negociação para compra de um galpão em Aveiro por 2,7 milhões de euros, com pagamento inicial de 100 mil euros no início de fevereiro de 2025. Os registros, conforme divulgado, não mencionam o nome de Lulinha.

As investigações apontam que o projeto empresarial não prosperou após Antunes se tornar alvo da Operação Sem Desconto. O lobista está preso sob suspeita de intermediar pagamentos milionários a ex-dirigentes do INSS.

A apuração busca identificar se eventuais repasses a familiares de agentes públicos podem configurar indícios de propina em troca de favorecimento a entidades responsáveis por descontos indevidos em benefícios previdenciários.

Lulinha afirma desconhecer qualquer envolvimento de Antunes com irregularidades e nega ligação com o esquema investigado.

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