Pela segunda semana seguida, está mais caro abastecer o carro
Custos oscilam por causa da cotação internacional do petróleo, da equiparação dos preços com o mercado externo e do custo, em dólar, da importação de derivados

Após semanas de queda, a cotação do litro de derivados de petróleo amarga dois aumentos consecutivos. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informa que o preço médio do litro da gasolina aumentou para R$ 4,88 na semana de 16 a 22 de outubro. Na semana anterior, o custo era de R$ 4,86 (0,41% abaixo). Devido ao tamanho do Brasil e a fatores como distribuição, o custo pode variar muito de estado para estado. A ANP aponta, por exemplo, que o valor máximo do combustível nos postos chega a R$ 6,99, em algumas localidades.
O mesmo ocorre com o etanol hidratado. O produto teve cinco meses de queda e agora registra três altas seguidas, passando de R$ 3,46 para R$ 3,54, um avanço de 2,31% na semana. O diesel era o único combustível que seguia recuando sucessivamente, porém, agora apresenta pequena alta de 1,22%, avançando de R$ 6,51 para R$ 6,59.
A ANP afirma que essas variações “dão sinais de estabilização nos preços dos combustíveis, após semanas consecutivas de forte queda”. Desde junho, a agência tem acompanhado as variações semanalmente.

Mas o que tem causado essa variação tão grande que afeta, por exemplo, a inflação? São muitos os fatores. A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (ABICOM), explica que a Petrobras pratica preços paritários com o mercado internacional, o chamado PPI (Paridade de Preço Internacional). Ainda assim, a associação aponta que os preços da Petrobras são mais baixos em relação aos praticados no exterior, pois haveria uma defasagem média no preço do diesel de 6% e de 8% no da gasolina.
Aliado a esse elemento econômico, há o fato de que o Brasil é autossuficiente em produção de petróleo – inclusive, é grande exportador de óleo cru -, mas não em refino de derivados. Isso nos torna dependente da importação de derivados com o custo em dólar para a cobertura da demanda por derivados.
Várias medidas foram tomadas pelos governos federal e estaduais para tentar reduzir o peso desses fatores externos, como: o aumento de percentual de etanol na gasolina e a limitação do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) cobrado sobre o diesel, gasolina, energia elétrica, comunicações e transporte coletivo. Isso reduziu a cobrança do imposto de até 30% para, no máximo, 17%, 18%, conforme a região.
Contudo, as medidas esbarram nas variações do mercado internacional causadas por incertezas quanto à guerra na Ucrânia, o fornecimento de gás russo para a Europa, a manutenção do dólar e do euro em altos patamares e até mesmo na taxa de remuneração dos acionistas da Petrobras, que é uma empresa de economia mista.
A Petrobras, que é a companhia controladora de várias empresas e ativos que compõem o chamado Sistema Petrobras, acaba de bater recorde de valor: R$ 530 bilhões, superando o recorde histórico de R$ 510 bilhões (em valores corrigidos), em 2008.
As ações preferenciais da companhia cresceram 494% e as ordinárias, 552,5% desde as fortes quedas registradas no começo da pandemia. Os analistas de mercado afirmam que o valor recorde da Petrobras é devido ao mesmo fator que tende a impulsionar o valor dos combustíveis para cima: a alta do preço do barril do petróleo no mercado internacional.
Nesse imbróglio, fica difícil baratear ou manter o custo dos combustíveis na bomba. O presidente Jair Bolsonaro já chegou a declarar que a Petrobras deve diminuir o montante repassado aos acionistas para a Petrobras praticar uma política de precificação que subsidie e amorteça, de certa forma, a variação dos preços. As declarações não foram bem vistas pelo mercado. O ministro da economia Paulo Guedes ficou pressionado.
A Petrobras é a empresa que mais distribuiu dividendos para os acionistas, neste ano, em todo o mundo. A informação é de um relatório da empresa Janus Henderson, que realiza análises de mercado. A companhia brasileira repassou US$ 9,7 bilhões no trimestre passado, quantia muito acima do US$ 1 bilhão distribuído aos acionistas da companhia em 2021.
O custo dos combustíveis e seu efeito sobre a inflação é tema ocasional dos debates eleitorais atuais. Enquanto novas medidas para atender aos interesses do mercado e do consumidor não são claramente propostas ou postas em voga, o consumidor acompanha semanalmente a variação dos custos e os efeitos sobre a inflação.
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