PF apura contratação de influenciadores para atacar BC no caso Banco Master

Ação visa levantar dados para possível abertura de inquérito

Escrito por: Rubens Baracho3 min de leitura
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A Polícia Federal (PF) apura, de forma preliminar, a denúncia de contratação de influenciadores digitais para atacar o Banco Central do Brasil (BC) em defesa do Banco Master, instituição financeira que é alvo de investigação por uma suposta fraude estimada em R$ 12 bilhões. O caso está sob análise da Diretoria de Inteligência da PF, que atualmente elabora uma Informação de Polícia Judiciária (IPJ).

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Com base nos elementos reunidos nessa fase inicial, a PF poderá decidir pela abertura de um inquérito policial para aprofundar as investigações. A apuração busca esclarecer se houve uma atuação coordenada para questionar a liquidação extrajudicial do Banco Master determinada pelo Banco Central.

Conforme revelou a CNN Brasil, influenciadores relataram ter sido procurados, no fim de 2025, por representantes de empresas de marketing digital com propostas para publicar conteúdos críticos ao Banco Central e favoráveis ao Banco Master. As denúncias foram feitas pelo vereador de Erechim (RS) Rony Gabriel (PL), que possui cerca de 1,7 milhão de seguidores no Instagram, e pela jornalista e influenciadora Juliana Moreira Leite, seguida por aproximadamente 1,4 milhão de pessoas na mesma plataforma.

Em publicação nas redes sociais, Rony Gabriel afirmou ter sido abordado no dia 20 de dezembro por um representante de uma empresa que oferecia serviços de “gerenciamento de reputação e gestão de crise para um grande executivo”. Segundo ele, o contato partiu da agência UNLTD Brasil, que afirmou estar “contratando perfis que se posicionam para nos ajudar nessa disputa política em que estamos travando contra o sistema”.

De acordo com o vereador, a proposta envolvia a assinatura de um contrato de confidencialidade, com multa de R$ 800 mil em caso de quebra de sigilo. No documento ao qual a CNN teve acesso, a iniciativa é denominada “Projeto DV”, que, segundo Rony, faria referência ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O vereador afirmou ainda que a proposta teria valores milionários, embora não tenha negociado cifras nem aceitado a oferta.

A jornalista Juliana Moreira Leite também relatou ter sido procurada pela empresa Portal Group BR com uma proposta semelhante. Em áudios e mensagens obtidos pela CNN, um representante da agência afirma ter um cliente interessado na divulgação de matérias no “âmbito político e financeiro”, com o objetivo de ampliar o alcance de reportagens críticas à atuação do Banco Central.

Procuradas, as empresas citadas se manifestaram. A UNLTD Brasil afirmou não manter contrato com o Banco Master. Já a Portal Group BR declarou que foi contratada por outra agência apenas para a indicação de influenciadores e que nenhum dos perfis por ela agenciados possui contrato, vínculo ou obrigação relacionada ao caso mencionado.

Em nota, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou que identificou, no fim de dezembro, um volume atípico de menções à entidade e a seus representantes nas redes sociais, associadas ao noticiário sobre a liquidação de uma instituição financeira. A federação afirmou analisar se o movimento pode caracterizar um ataque coordenado e destacou que, nos últimos dias, houve redução significativa desse volume.

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