Presidente da Caixa diz que banco não tem como filtrar informações e evitar fraudes

Um terço das famílias das classes A e B pediu o auxílio emergencial nos últimos dois meses

Escrito por: Caroline Corrêa3 min de leitura
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Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Quase dois meses depois do cadastramento do auxílio emergencial de R$600, o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, revelou que as fraudes ficaram em 25%. “Fraudes e potenciais fraudes de documentos são evitadas pela Caixa Econômica, minimizadas por toda essa questão dos aplicativos que colocamos, e é difícil acontecer. Nós temos 25% só do que esperávamos de fraude, então reduzimos a um volume de fraudes muito inferior ao que se esperava, exatamente por todos esses controles”, disse.

O presidente ainda ressaltou que a identificação do perfil social de quem pede o auxílio não cabe ao banco, disse em entrevista coletiva na noite desta quarta-feira (3). “Isso não é papel da caixa”, declarou Guimarães.

De acordo com um estudo realizado pelo Jornal Valor Econômico, um terço das famílias das classes A e B pediu o auxílio emergencial nos últimos dois meses. Segundo o levantamento, 69% dos pedidos procedentes da população de maior renda foram aprovados.

A CGU (A Controladoria-Geral da União) tem atuado no cruzamento de informações para suporte às ações e decisão do Ministério da Cidadania relacionada ao pagamento do Auxílio Emergencial. De acordo com a CGU, o trabalho é feito em parceria com o Ministério. O objetivo é evitar desvios e fraudes, garantindo que o auxílio seja pago a quem realmente se enquadra nos requisitos definidos para o seu recebimento.

Em nota, a CGU informou que “já foram identificadas, por exemplo, situações como pessoas que possuem bens ou despesas que indicam incompatibilidade para o recebimento do auxílio, tais como proprietários de veículos com valor superior a R$ 60 mil; doadores de campanha em valor maior do que R$ 10 mil; proprietários de embarcações de alto custo; além de beneficiários com domicílio fiscal no exterior”.


As informações dessas pessoas são encaminhadas ao Ministério da Cidadania, para aprofundamento da análise e adoção das providências cabíveis.

Parte do resultado do trabalho já possibilitou a identificação do seguinte:

  • 74.682 CPF’s que receberam auxílio emergencial, possuem empresa atualmente aberta, com mais de cinco empregados registrados no ano de 2018, conforme a RAIS 2018.
  • 85 CPF’s  realizaram doação superior a R$ 10 mil reais nas eleições de 2018.
  •  86.632 CPF’s possuem veículos de valor superior a R$ 60.000,00.
  • 21.856 CPF’s possuem embarcações de alto valor.
  • 22.942 CPF’s possuem domicílio fiscal fora do Brasil.

A reportagem do Meon solicitou dados regionais da RMVale e Litoral Norte, mas a Controladoria informou que esses dados são sigilosos, são parte de investigação e não podem ser divulgados.

Beneficiários com mandados de prisão em aberto

A CGU informou que o trabalho de investigação de cruzamento de dados permitiu identificar CPF registrado como beneficiário do auxílio de pessoas que estão com mandados de prisão em aberto.

A Controladoria consolidou a lista desses CPFs e encaminhou como informação de inteligência para as autoridades policiais e ministérios públicos dos estados, para checagem dos dados e ações de competência daqueles órgãos.

A CGU informou que esse monitoramento será contínuo e realizado durante todas as parcelas do auxílio.

Suspeita de fraude

Pessoas que suspeitam de fraudes no pedido do auxilio emergencial, com o uso de seus dados, podem consultar as informações na página do benefício.

Nessa página, o cidadão deve informar CPF, nome completo, nome da mãe e data de nascimento.

Segundo o Ministério da Cidadania, em casos suspeitos de fraude no auxílio emergencial, o cidadão deve registrar denúncia no sistema Fala.Br (Plataforma integrada de Ouvidoria e Acesso à Informação da Controladoria Geral da União – CGU), ou pelos telefones 121 ou 0800 7070 2003.

*Com informações da Agência Brasil

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