Subprocurador-geral pede ‘desculpas’ ao STF por críticas da Lava Jato
O subprocurador-geral da República Antônio Carlos Bigonha pediu desculpas nesta terça-feira, 3, aos ministros da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre críticas disparadas pela força-tarefa da Lava Jato no Paraná. Na semana passada, a Segunda Turma derrubou decisão do ex-juiz federal Sergio Moro que condenou o ex-presidente da…

O subprocurador-geral da República Antônio Carlos Bigonha pediu desculpas nesta terça-feira, 3, aos ministros da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre críticas disparadas pela força-tarefa da Lava Jato no Paraná. Na semana passada, a Segunda Turma derrubou decisão do ex-juiz federal Sergio Moro que condenou o ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil Aldemir Bendine a 11 anos de reclusão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o que provocou uma reação de procuradores que atuam em Curitiba.
Foi a primeira condenação determinada por Moro anulada pelo Supremo desde o início da Operação Lava Jato, em 2014. Logo depois daquele julgamento, a força-tarefa da Lava Jato no Paraná afirmou em nota que a regra aplicada pelo STF no caso Bendine “não está prevista no Código de Processo Penal ou em outras leis”.
Sem citar nomes, Bigonha disse que não cabe a procuradores que atuam em primeira instância – como o coordenador da força-tarefa da Lava Jato no Paraná, Deltan Dallagnol – fazer “juízo de valor” sobre julgamentos do Supremo.
O entendimento que anulou a sentença de Bendine e alarmou os investigadores da Lava Jato é de que é direito do réu se manifestar na ação penal após as alegações dos delatores que também são acusados no processo, e não no mesmo prazo.
Formal
Ao apresentar um “pedido formal de desculpas” aos ministros da Segunda Turma, Bigonha disse ter sido surpreendido com a nota da força-tarefa.
“Não cabe aos procuradores que oficiam perante os órgãos de primeiro grau fazer juízo de valor sobre julgamentos deste STF, tarefa que, se fosse o caso, incumbiria exclusivamente à Procuradora-Geral da República, ou aos subprocuradores gerais por ela designados a ter assento nesta Corte”, disse Bigonha.
“Assim como a PGR não interfere ou faz juízo de valor sobre os trabalhos dos procuradores da República, sequer em relação juízes perante os quais esses procuradores oficiam, o que violaria o princípio constitucional da independência funcional, a recíproca deve ser verdadeira”, completou o subprocurador.
Bigonha admitiu que a decisão no caso Bendine, na semana passada, foi “desfavorável” à PGR, mas frisou que “as medidas processuais cabíveis” no STF “já foram adotadas para tentar revertê-las ou minimizar seus efeitos”.
“Conviver com a frustração faz parte do amadurecimento pessoal e profissional. A PGR tem plena confiança no senso de justiça e equidade da mais alta Corte do País e acata suas decisões com respeito e a serenidade que é pressuposto do seu ofício constitucional”, afirmou Bigonha.
Dentro da PGR, a avaliação é a de que o comentário de Bigonha foi uma manifestação individual do subprocurador, e não institucional, já que quem deve falar em nome da Procuradoria é Raquel Dodge.
Uma das hipóteses avaliadas por ministros do Supremo é a de aceitar apenas casos em que o condenado pediu ao juiz mais prazo e teve a solicitação negada, como ocorreu com Bendine, e não expandir o entendimento para todos os processos nos quais os réus – incluindo os delatores – tiveram o mesmo prazo de defesa.
Posts Relacionados

TST decreta fim da greve nacional dos bancários da Caixa Econômica Federal

Inadimplência no crédito atinge novo recorde em agosto, aponta Banco Central

Daniel Vorcaro pede para votar nas eleições e transfere título para a Papuda
