Tomate dispara 37,8% em setembro e foge do padrão de preços
O preço do tomate subiu 37,76% em setembro, um recorde para o mês, quando costuma cair. Entenda o motivo e o que esperar para os próximos meses.

Quem foi à feira ou ao supermercado nas últimas semanas percebeu: o tomate ficou bem mais caro. Segundo o IPCA, índice oficial de inflação do país, o preço do fruto subiu 37,76% em setembro, a maior alta já registrada para o mês. O detalhe é que essa época do ano costuma ser justamente de queda nos preços.
Por que o aumento surpreendeu
Normalmente, o tomate fica mais caro no primeiro semestre, período de entressafra e de chuvas, e barateia no segundo semestre, principalmente em agosto e setembro. Em 2026, o comportamento foi diferente.
O preço subiu mais de 65% no primeiro semestre, caiu em julho (-29,09%) e agosto (-10,94%), como esperado, mas voltou a disparar em setembro. Segundo o Cepea, centro de estudos de economia agrícola da USP, os preços de setembro e outubro chegaram a picos maiores que os de maio.
O que explica a alta
- Clima: dias chuvosos e nublados prejudicam a fotossíntese, o que resulta em frutos menores e menor produtividade nas lavouras do Sudeste e do Centro-Oeste. O frio também atrasa o amadurecimento;
- Menos área plantada: o Cepea estima redução de 5,4% na área cultivada em 2026 e de 16,3% em dois anos.
“Os produtores de tomate vêm reduzindo a área cultivada devido aos prejuízos em safras anteriores”, explica o pesquisador João Paulo Deleo, do Cepea. Segundo ele, “a volatilidade se dá em função de fatores como área cultivada, calendário de plantio e produtividade”.
O que esperar para os próximos meses
A expectativa do Cepea é que os preços continuem em patamares mais altos e que a variação siga intensa. O excesso de chuva e calor no Sul e no Sudeste pode reduzir a produtividade, enquanto o tempo seco no Nordeste e em partes do Centro-Oeste pode aumentar a presença de pragas. Ou seja, o clima deve definir o rumo dos preços.
Apesar das grandes oscilações, o peso do tomate na inflação geral é pequeno, entre 0,2% e 0,35% do índice. Mas, para o bolso de quem cozinha em casa, a diferença aparece.
Com informações da CNN Brasil.
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