Calor Extremo em 2026: Orientações Clínicas para Proteção dos Animais de Companhia

As projeções climáticas para 2026 indicam a ocorrência de ondas de calor mais intensas e prolongadas, cenário que demanda atenção especial na medicina veterinária preventiva. Cães e gatos apresentam capacidade limitada de dissipação térmica quando comparados aos humanos, o que os torna particularmente suscetíveis a quadros de hipertermia, desidratação e descompensações sistêmicas. Em cães, a […]

Escrito por: Dra. Daniella Santucci2 min de leitura
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As projeções climáticas para 2026 indicam a ocorrência de ondas de calor mais intensas e prolongadas, cenário que demanda atenção especial na medicina veterinária preventiva. Cães e gatos apresentam capacidade limitada de dissipação térmica quando comparados aos humanos, o que os torna particularmente suscetíveis a quadros de hipertermia, desidratação e descompensações sistêmicas. Em cães, a termorregulação ocorre predominantemente pela respiração ofegante; já os felinos, apesar de maior tolerância fisiológica, tendem a mascarar sinais clínicos iniciais, retardando a percepção de gravidade pelo tutor.

A elevação da temperatura corporal acima dos limites fisiológicos pode desencadear alterações neurológicas, distúrbios circulatórios, comprometimento renal e, em casos graves, falência múltipla de órgãos. Animais braquicefálicos, geriátricos, obesos ou portadores de cardiopatias e pneumopatias constituem grupos de risco e exigem monitoramento mais rigoroso durante períodos de calor intenso.

Do ponto de vista clínico, a prevenção permanece como a estratégia mais eficaz. Recomenda-se assegurar hidratação contínua com água fresca, disponibilizar ambientes ventilados e sombreados, restringir atividades físicas em horários de alta insolação e abolir completamente a permanência de animais em veículos fechados. Também é fundamental orientar tutores sobre o risco de queimaduras plantares decorrentes de superfícies aquecidas.

Alterações comportamentais devem ser valorizadas como sinais clínicos precoces. Taquipneia, hipersalivação, mucosas hiperêmicas, letargia, vômitos e inapetência constituem indicativos de estresse térmico e justificam avaliação veterinária imediata.

Diante das mudanças climáticas em curso, o manejo térmico ambiental passa a integrar as recomendações básicas de saúde animal. A atuação do médico-veterinário, portanto, ultrapassa o atendimento clínico, incluindo educação preventiva e conscientização dos tutores. Garantir conforto térmico não se trata de cuidado estético ou opcional, mas de uma medida essencial para preservação da homeostase, bem-estar e longevidade dos animais de companhia.

Dra. Daniella Santucci
Dra. Daniella Santucci

Meon Vet

Dra. Daniella Santucci, CRMV 53399/SP, 36 anos, é médica veterinária com atuação dedicada à saúde e bem-estar de pequenos animais. Formada pela Universidade Paulista (UNIP) há 7 anos, construiu sua trajetória profissional com foco em clínica geral e medicina veterinária integrativa, área em que atua…

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