Câmara derruba veto de Ortiz por cultivo de plantas contra a dengue
Projeto estabelece incentivo ao cultivo de citronela e crotalária


Projeto estabelece incentivo ao cultivo de citronela e crotalária
Foto: iStock
A Câmara de Taubaté derrubou nesta terça-feira (15), o veto do prefeito Ortiz Júnior (PSDB), ao projeto do vereador Carlos Peixoto (PMDB), que estabelece o programa de incentivo ao cultivo das plantas citronela e crotalária, como método natural de combate à dengue.
Na mensagem enviada ao Legislativo, o prefeito apontou inconstitucionalidade e ilegalidade da proposta, pois interfere nas atribuições do Executivo. O autor da proposta, no entanto, para embasar o pedido de derrubada do veto, afirmou que o próprio secretário de Saúde, João Ebram Neto, é favorável à medida.
“Conversando com o secretário de Saúde, totalmente favorável ao projeto, ele me falou isso abertamente. Peço aos nobres pares, até porque eu tive dengue, sei o que é passar por essa doença, não é fácil”, disse Carlos Peixoto.
O vereador Joffre Neto (PSB), defendeu a derrubada do veto “por absoluta falta de consistência e substância para vetar”, e afirmou que “todo esforço para salvar vidas deve ser envidado”, disse.
Durante a discussão do veto, Vera Saba (PT) citou sugestões que fez ao prefeito para combate à dengue, como a adesão ao programa “10 minutos contra a dengue”, da Fiocruz, e classificou o plantio de citronela e crotalária como método de “combate ecológico” ao mosquito.
Para a vereadora, o projeto traz uma opção “melhor que jogar veneno na cidade inteira e destruir uma cadeia alimentar”, disse Vera Saba, citando outras cidades que tiveram sucesso com a iniciativa, como Matão (SP), Rondonópolis (MG) e São Carlos (SP).
Com a derrubada do veto, o projeto deverá ser promulgado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Luis Silva, o Digão.
O Meon entrou em contato com a Secretaria de Saúde, mas a pasta não retornou até o fechamento desta matéria.
Dengue em Taubaté
Segundo a prefeitura, de janeiro deste ano até esta quinta-feira (17), a cidade contabilizou 2.413 casos confirmados. No total, foram 4.098 notificações, com 1.382 casos negativos e 303 aguardando exame.
O resultado da última ADL (Análise de Densidade Larvária), realizada em outubro, é preocupante. O indicador de infestação de larvas do mosquito Aedes aegypti atingiu 1,7 pontos no IB (Índice Breteau).
O índice estipulado como de tranquilidade para a população é de 1,0 ou menos. Isso demonstra que a cada 100 imóveis vistoriados, somente um apresenta larva do mosquito. Acima de 1,5 já existe risco de epidemia.
Zika vírus
A Secretaria Estadual de Saúde informou que está monitorando a circulação do zika vírus em todas as cidades do Vale do Paraíba e Litoral Norte. Apesar de não ter registro de casos autóctones, o Estado afirma que terá um plano estadual de combate ao Aedes aegypti, mosquito que, além de transmitir o zika vírus, também é responsável pela dengue e pela febre chikungunya.
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