Camilo Frade foge dos esteriótipos em álbum de composições autorais
‘Nem Bruto, Nem Dândi’ está em campanha de financiamento coletivo


Artista é filho e sobrinho de fundadores do Grupo Paranga
Tom Barreto/Reprodução
Com 19 anos recém-completados, o cantor Camilo Frade, de São Luiz do Paraitinga, está em busca de afirmação. Nem rock, nem MPB; nem experiente, nem novato; o artista escancara sua pluralidade sonora em “Nem Bruto, Nem Dândi”, segundo trabalho solo da carreira, primeiro com composições próprias.
Filho de Nhô Frade e sobrinho de Galvão Frade, irmãos que fazem parte da formação original do grupo Paranga, Camilo não nega o peso da tradição familiar. Não nega, mas também não se apega. A despeito da herança cultural, o novo álbum marca a busca por uma linguagem livre para transitar entre ritmos e influências.
“Acho que ao mesmo tempo que tenho um pé fincado na cultura de São Luiz, também estou atento à outras vertentes musicais e de outras formas de arte. Não é uma ruptura, mas trata-se da vontade de fazer meu próprio caminho.”
Tenho um pé fincado na cultura de São Luiz, mas também fico atento à outras vertentes musicais
Camilo Frade Músico
Caminho que, na falta de uma definição categórica, é encarado pelo artista como “essencialmente barroco”. A sujeira de guitarras e elementos sonoros evidencia que o precoce artista (Frade ganhou um Festival de Marchinhas aos 14 e gravou seu primeiro álbum, “Por Que Nós?” aos 16) encontra-se numa fase de experimentações.
E quando convidado a definir a sonoridade do novo trabalho, a cabeça dá voltas embaixo dos caracóis carregados do cabelão.
“Ah, é uma pergunta que me faço também. Não dá pra responder assim. Algumas composições são minimalistas, outras mais cheias de palavras. É um disco que fala uma coisa e depois nega. Mas gosto dessa liberdade de ir e voltar”, explica o músico que atualmente mora no Rio de Janeiro, onde cursa a faculdade de Ciências Sociais na Universidade Federal Fluminense.
Coletivo
O disco está sendo realizado via financiamento coletivo. Na página da plataforma de crowdfounding, há opções que vão de R$ 30 (CD autografado) até R$ 1.250 (5 CDs autografados mais um pocket show de Camilo). A meta é chegar aos R$ 25.000 em cerca de 60 dias.
“Sempre achei muito bacana essa plataforma de financiamento coletivo. É uma forma de diminuir, ou até extinguir, essa distância entre artista e público, porque é o público quem faz a coisa acontecer. É um calor que desde o começo da produção está presente. É um financiamento totalmente justo”, completa.
O disco é produzido pelo baixista MAU, conhecido por trabalhar com nomes como Karina Buhr, e conta com 10 canções autorais. O valor da campanha será utilizado para a gravação, mixagem, masterização e prensagem do disco. As mil cópias disponibilizadas devem estar prontas para entrega no início de 2017 ou dezembro deste ano.
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