Câncer de rim preocupa especialistas por evolução silenciosa e dificuldade de diagnóstico precoce
Dia Mundial de Conscientização reforça a importância da prevenção e da investigação de sintomas da doença

Celebrado nesta quinta-feira, 18 de junho, o Dia Mundial de Conscientização do Câncer de Rim busca alertar a população sobre uma doença que, na maioria dos casos, evolui de forma silenciosa e acaba sendo diagnosticada apenas em fases mais avançadas.
Segundo estudos epidemiológicos internacionais, o câncer de rim representa entre 2% e 3% de todos os tumores malignos em adultos. Nas últimas décadas, a incidência da doença tem aumentado, cenário relacionado principalmente ao envelhecimento da população e à maior exposição a fatores de risco como obesidade, hipertensão arterial e tabagismo.
No Brasil, as estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam para cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano até 2028. Entre os tumores urológicos, o câncer renal é considerado um dos mais preocupantes devido à dificuldade de identificação precoce. A doença atinge principalmente pessoas com mais de 50 anos e é mais frequente entre os homens.
De acordo com o urologista da Santa Casa de São José dos Campos, Dr. Mario Bavaresco, o principal desafio está justamente na ausência de sintomas durante as fases iniciais.
“O câncer de rim costuma evoluir silenciosamente. Em muitos casos, o paciente não sente absolutamente nada e o tumor é descoberto incidentalmente durante exames de imagem realizados por outros motivos. Isso mostra como o acompanhamento médico e os exames de rotina são fundamentais”, explica o especialista.
Sintomas costumam aparecer em estágios mais avançados
Embora muitos pacientes permaneçam assintomáticos por longos períodos, alguns sinais podem surgir à medida que a doença avança. Entre eles estão sangue na urina, dores persistentes na região lombar, sensação de massa abdominal, perda de peso sem explicação, anemia e fadiga constante.
Segundo o médico, quando esses sintomas aparecem, o câncer frequentemente já se encontra em estágio mais avançado, o que reforça a necessidade de acompanhamento médico regular, especialmente para pessoas com fatores de risco.
Tabagismo e obesidade estão entre os principais fatores de risco
Os especialistas apontam o tabagismo como um dos principais fatores associados ao desenvolvimento do câncer renal. Outros elementos que aumentam o risco incluem obesidade, hipertensão arterial, sedentarismo, histórico familiar da doença e doenças renais crônicas.
Há ainda evidências de que hábitos alimentares inadequados, especialmente o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, podem contribuir para o surgimento da doença.
“O cigarro aumenta significativamente as chances de desenvolvimento do câncer no sistema urinário. Já a obesidade e a hipertensão têm relação direta com alterações metabólicas e inflamatórias que favorecem o aparecimento de tumores”, ressalta Dr. Mario Bavaresco.
Diagnóstico precoce aumenta chances de cura
O diagnóstico do câncer de rim geralmente é realizado por meio de exames de imagem, como ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética.
Quando identificado precocemente, o tumor apresenta maiores possibilidades de tratamento curativo. Em muitos casos, é possível realizar cirurgias minimamente invasivas e preservar parte do órgão afetado.
Os avanços da medicina também ampliaram as opções terapêuticas disponíveis. Atualmente, além dos procedimentos cirúrgicos, pacientes podem se beneficiar de terapias-alvo e imunoterapia, especialmente em situações mais complexas.
“Hoje temos tratamentos muito mais modernos e personalizados. Quanto mais cedo identificamos o tumor, maiores são as possibilidades de um tratamento menos agressivo e com melhores resultados para o paciente”, afirma o especialista.
Prevenção passa por hábitos saudáveis
A campanha de conscientização também destaca a importância dos cuidados gerais com a saúde dos rins. Especialistas recomendam manter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas regularmente, controlar a pressão arterial, evitar o tabagismo e realizar exames preventivos de acordo com orientação médica.
“Cuidar da saúde dos rins é cuidar da saúde como um todo. Pequenas mudanças de hábito fazem diferença não apenas na prevenção do câncer, mas também de diversas outras doenças crônicas”, conclui o urologista.
Foto: Magnific/Divulgação
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