Centrais esperam mudar no Congresso MPs que reduzem benefícios trabalhistas
Os líderes sindicais que estiveram reunidos com ministros no fim da tarde e início da noite desta terça-feira, 3, em São Paulo, disseram considerar positiva a decisão de envolver o Congresso Nacional na discussão sobre as medidas provisórias editadas pelo governo no fim do ano passado propondo alterações nas regras para concessão de benefícios…

Os líderes sindicais que estiveram reunidos com ministros no fim da tarde e início da noite desta terça-feira, 3, em São Paulo, disseram considerar positiva a decisão de envolver o Congresso Nacional na discussão sobre as medidas provisórias editadas pelo governo no fim do ano passado propondo alterações nas regras para concessão de benefícios como seguro-desemprego, pensão por morte e abono salarial. Conforme adiantado pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, na reunião ficou acordada a criação de uma comissão tripartite, composta por centrais, governo e parlamentares, para tratar do tema.
A proposta de trazer os parlamentares para a mesa de negociação, uma vez que os deputados e senadores terão de apreciar as MPs, partiu dos próprios sindicalistas. O objetivo das centrais é evitar o que sejam efetivadas as alterações que consideram ser perdas de direitos para os trabalhadores. “Vamos levar para o Congresso e tentar obter uma vitória para os trabalhadores”, disse Vagner Freitas, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT).
O presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, também fez considerações positivas sobre o governo ter acolhido a proposta de montar a comissão tripartite. “Demos um passo importante no sentido de sinalizar a possibilidade de adequar medidas provisórias que tiram direitos dos trabalhadores”, afirmou. “É fundamental que a negociação continue com o Parlamento.”
Ao abrir a coletiva de imprensa em nome dos sindicalistas, Freitas, da CUT, no entanto, mostrou contrariedade com a postura do governo e disse que os ministros não mostraram nenhuma disposição em negociar pontos das MPs. “Temos outras alternativas para que o governo faça a tal economia que quer fazer”, disse Freitas, ao repetir a sugestão de aumentar tributação sobre lucro empresarial e de implementar a taxação sobre grandes fortunas.
Ao contrário do que foi dito pelo secretário-geral da Presidência, Miguel Rossetto, pouco depois, a avaliação dos sindicalistas é de que estão sendo “driblados” pelo governo e não de fato chamados a negociar o conteúdo das medidas. Como disse Miguel Torres, presidente da Força Sindical, antes do início da reunião, a impressão dos sindicalistas é de que o governo está “vindo com conversa para boi dormir” ao afirmar que está disposto a dialogar. Ao sair do encontro, Torres destacou que as centrais continuaram a defender a revogação das alterações defendidas pelo governo federal.
Os líderes ressaltaram pontos centrais que afirmam não serem considerados neste momento pelo governo, como o alto índice de rotatividade no mercado de trabalho. A questão será tema da próxima reunião entre centrais e ministros, na semana que vem.
Além de Rossetto, participaram da reunião de mais de duas horas com os sindicalistas os ministros do Planejamento, Nelson Barbosa; da Previdência Social, Carlos Gabas; e do Trabalho e Emprego, Manoel Dias.
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