Cesta Básica tem aumento de quase R$10 na região
Levantamento do NUPES destaca itens com maiores altas

Desde 1996, o NUPES – Núcleo de Pesquisas Econômico-Sociais da Universidade de Taubaté faz a divulgação mensal do custo da Cesta Básica Familiar com 44 produtos de alimentação, higiene pessoal e limpeza doméstica recomendada para uma família com 5 pessoas.
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A ponderação da evolução e da participação dos principais grupos de bens nas pesquisas abrange as necessidades estimadas para esse perfil familiar. O parâmetro, em termos de valor, para essa família é um poder de compra de 5 salários-mínimos vigentes em janeiro de 2024, o que representa a quantia de R$ 7.060,00. A coleta de preços é feita semanalmente em 16 supermercados nos municípios de São Jose dos Campos, Taubaté, Caçapava e Campos do Jordão.
A Tabela 1 apresenta os preços da Cesta Básica Familiar das cidades selecionadas no Vale do Paraíba e as variações para o mês de janeiro de 2024, comparado ao mês de dezembro de 2023. Em janeiro a cesta básica apresentou uma alta de + 0,35% nos preços, mantendo a trajetória de alta verificado no mês anterior, com um aumento de + 0,79% em dezembro. O valor da cesta básica passou de R$ 2.718,29 em dezembro, para R$ 2.727,84 em janeiro, apresentando assim, um aumento em valor de R$ 9,55.
Todas as cidades tiveram variações positivas de preços, sendo a cidade de Taubaté que apresentou a maior variação nos preços com + 0,57% e São José dos Campos a menor variação + 0,11%.
TABELA 1

A cidade que lidera com a cesta mais cara da região com o valor de R$ 2.819,96 é Campos do Jordão e a cidade de São José dos Campos continua tendo a cesta mais barata da região com R$ 2.664,56.
A diferença entre o preço da cesta mais cara e a cesta mais barata, portanto, entre os dois municípios (Campos do Jordão e São José dos Campos), foi de + R$ 155,40, o que representa uma diferença percentual de + 5,83%.
A Tabela 2 apresenta a variação no preço da cesta básica familiar nos últimos 12 meses, de janeiro de 2023 a janeiro de 2024. Nesse período, o preço da cesta apresentou redução – 2,93%. Em termos de valor, representa uma redução de R$ – 82,49.
Este percentual de queda da cesta é bem abaixo da prévia da inflação nacional acumulada até janeiro, medida pelo IPCA-15 do IBGE, que foi de + 4,47% nos últimos 12 meses. O percentual menor de variação no preço da cesta é menor no Vale do Paraíba, quando comparado com a inflação oficial, porque a pesquisa da cesta básica realizada pelo NUPES-UNITAU contempla o comportamento dos preços de apenas 03 grupos de produtos: produtos alimentícios, higiene pessoal e limpeza doméstica, enquanto a pesquisa do IBGE contempla vários setores da economia.
É importante salientar que ambas as pesquisas apontaram para uma inflação dentro da Meta de Inflação Nacional.
TABELA 2

Ainda na Tabela 2 verifica-se que a cidade de Caçapava teve o maior recuo nos preços da cesta nos últimos 12 meses, redução de – 5,02%, enquanto em Campos do Jordão acumula a menor redução dos preços, redução de – 1,70%.
A diferença entre as cidades pode ser atribuída a uma menor concentração de supermercados o que resulta em menor concorrência entre os estabelecimentos. Outro parâmetro na análise dos preços da cesta básica considerado pelo NUPES é o percentual de renda comprometida para aquisição da cesta básica no Vale do Paraíba, como apontado na Tabela 3.
Em janeiro de 2024 este percentual foi de 38,63% frente a 41,18% em dezembro de 2023. Assim, o valor que resta para gastos com outras despesas diversas das famílias, como saúde, educação e transporte, ficou levemente maior em janeiro quando comparado ao mês anterior, por conta do leve aumento nos preços da cesta e do reajuste do valor do salário-mínimo, R$ 1.412,00 a partir deste mês de janeiro de 2024.
TABELA 3

A avaliação do peso relativo de cada grupo de produtos na cesta básica está descrita na Tabela 4. Ela representa os custos por itens da cesta do mês de janeiro, comparados com o mês de dezembro e seu respectivo percentual de ponderação de cada grupo na formação do índice de preço final.
Assim, o item alimentação foi responsável por 89,96% do valor da cesta, o item higiene pessoal (4,98%) e o item limpeza doméstica, (5,04%).
Destaca-se também, na Tabela 4, que o grupo de itens alimentação teve leve alta de preços de + 0,38%, enquanto o grupo de itens de higiene pessoal queda de – 1,87% e, o grupo de itens de limpeza doméstica, com alta de + 1,64%.
TABELA 4

A Tabela 5 apresenta a variação nos preços da cesta básica dos últimos 12 meses. Um dos destaques foi a redução da média no preço da cesta em 7 dos 12 primeiros meses de 2023, sendo que o mês de agosto apresentou redução percentual mais acentuada de (- 1,61%). Outro destaque foram as altas de preços nos três últimos meses do ano, com destaque para dezembro, mês com a maior desde o mês de março de 2023, atingindo + 1,39%.
TABELA 5

O destaque dos produtos alimentícios que apresentaram maiores variações nos preços no mês de dezembro está na Tabela 6. Os produtos do grupo alimentação que apresentaram as maiores variações de preços responderam pela alta da cesta do mês de dezembro na região, uma vez que eles representaram 89,94% do total de produtos pesquisados.
Do total de 32 produtos alimentícios pesquisados 19 tiveram reduções e os outros 12 tiveram altas e 1 apresentou equilíbrio.
Dos 05 produtos de higiene pessoal 3 tiveram queda e 02 aumentos. Dos 07 produtos de limpeza doméstica, 04 tiveram queda e 03 apresentaram altas.
TABELA 6

A seguir uma explicação das principais causas das variações dos preços dos alimentos no mês de janeiro de 2024, com destaque para os produtos que apresentaram os maiores aumentos e aqueles que apresentaram as maiores reduções de preços.
PRODUTOS DO GRUPO ALIMENTAÇÃO QUE APRESENTARAM AS MAIORES ALTAS NOS PREÇOS NO MÊS DE JANEIRO/2024
Cenoura (+ 37,04%)
O mês de janeiro foi marcado por um aumento expressivo da cenoura devido particularmente aos níveis elevados de chuva para esta cultura. O elevado índice pluviométrico na primeira quinzena de janeiro, prejudicando as plantações e reduzindo a oferta significativamente contribuindo para os aumentos de preços nos mercados.
Batata (+ 31,86%)
É o quarto mês consecutivo de aumento dos preços da batata, influenciado decisivamente pelos níveis mais elevados de chuvas registradas na segunda quinzena do mês nas principais praças produtoras. Os distribuidores relatam amplitude nos preços entre as praças produtoras, havendo melhor qualidade das batatas do Paraná, enquanto as mineiras estão abaixo da ideal.
Laranja Pera (+ 14,78%)
A trajetória de crescimento contínuo dos preços nos últimos meses resulta da oferta ainda restrita, enquanto a demanda segue firme, sobretudo diante das altas temperaturas. Do lado da indústria, a absorção, mesmo que em menor ritmo frente ao segundo semestre de 2023, ainda é elevada, o que, por sua vez, reduz a disponibilidade da fruta no mercado e contribui para elevação dos preços, é o que aponta a CEPEA/USP.
Arroz (+ 6,83%)
Redução da oferta no período de entressafra, pressão da demanda no mercado externo e problemas climáticos em regiões de grandes produtores como o Rio Grande do Sul (70% da produção nacional). O alívio nos preços depende mesmo da nova safra.
Feijão (+ 4,25%)
O excesso de umidade nas principais praças produtoras do feijão tem prejudicado a qualidade do produto. Mesmo sendo o ano de 2023 de recomposição da oferta, principalmente com o bom volume da segunda de suas três safras anuais, o que pressionou as cotações a partir de maio, não foi suficiente para segurar os preços em janeiro.
PRODUTOS DO GRUPO ALIMENTAÇÃO QUE APRESENTARAM AS MAIORES REDUÇÕES NOS PREÇOS NO MÊS DE JANEIRO/2024
Mamão Formosa (- 14,28%)
A queda dos preços do mamão formosa tem como motivo principal o calor que acelerou a maturação do produto e aumentou a oferta nos mercados. A tendência é que os preços continuem caindo no próximo mês devido ao volume maior ofertado pelos produtos.
Tomate (- 10,90%)
Com a queda das temperaturas na segunda na primeira metade de janeiro contribuído para uma alta nas primeiras semanas do mês, no entanto na última semana foi registrado trajetória de alta (Cabe destaca pesquisa que a pesquisa do NUPES é feita semanalmente, ou seja a queda acentuada dos preços no inicio do ano foi maior do que a alta da quarta semana)
Cebola (- 9,68%)
Com os níveis de chuvas mais adequados a produção de cebola no Sul melhoraram a produtividade e refletiram na queda dos preços. Mesmo o Nordeste com chuvas mais escassas tendo sua produção prejudicada. Diferentemente do que ocorreu em novembro e dezembro em que o excesso de chuvas no Sul e pouca chuva no Nordeste prejudicaram a produção da cebola tanto qualidade como na produtividade
Farinha de Trigo (- 6,36%)
Com a maior oferta de trigo no mercado os seus derivados ficam mais barato, refletindo nos preços dos mercados ofertantes.
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