Chico César: “eu não sou político, sou um ser politizado”
Chico César, músico que traz repertório de quase 20 anos de carreira nesta quinta-feira (22), às 21h, no Sesc Taubaté. A entrada é grátis.


Músico paraibano diz que política cultural brasileira “avançou muito”
Divulgação
“Cadeiras elétricas da baiana / Sentença que o turista cheire / E os sem amor os sem teto / Os sem paixão sem alqueire / No peito dos sem peito uma seta / E a cigana analfabeta / Lendo a mão de Paulo Freire”, esses são os versos de “Béradêro”, primeira música do primeiro álbum de Chico César, músico que traz repertório de quase 20 anos de carreira ao Sesc Taubaté nesta quinta-feira (22), às 21h.
Assim como os versos à capela de “Béradêro”, por vezes poéticos e de crítica social, Chico César se divide, desde 2011, entre as atividades de músico e de Secretário de Cultura da Paraíba.
“Eu não sou político, sou um ser politizado”, afirma César por telefone ao Meon. “Assim como Mário de Andrade foi gestor na época dele e Villa-Lobos foi diretor de orquestras, houve um chamado em mim para ser gestor, mas a política sempre esteve em minha música”.
No show de Taubaté, o paraibano de Catolé do Rocha promete interpretar sucessos de toda sua trajetória, em especial “Mama África”, “À Primeira Vista”, “Respeitem Meus Cabelos” e versões de “Caminhando e Cantando”, de Geraldo Vandré, “Brilho de Beleza”, de Nego Tenga, e “Tenho Sede”, de Dominguinhos e Anastácia.
Embora tenha décadas de estrada e músicas gravadas por Chico Buarque, Daniela Mercury, Marcelo Jeneci, Mariana Aydar e outros, César não acredita que seja uma referência para as novas gerações. “Não acho, não, eu influencio e sou influenciado ao mesmo tempo. Acho que só o Dani Black, que está muito próximo de mim, pode falar que foi influenciado”.
O músico Dani Black gravou junto de Chico “Aos Vivos Agora”, DVD que homenageia o disco “Aos Vivos” (1994).
Política cultural
Por exercer atividade política, Chico César não se apresenta em shows comerciais na Paraíba e organiza a agenda para fazer apresentações aos fins de semana.
Mas o que o secretário de Cultura da Paraíba tem a dizer sobre a política cultural nacional? “A cultura avançou muito com as gestões de [Gilberto] Gil e Juca Ferreira”, diz. “Ela não é mais vista apenas como arte, é um modo de vida, um sentimento de pertença a um território. Até o jeito de fazer uma tapioca passou a ser considerado cultura”.
Ainda de acordo com o músico, a Lei Rouanet (que financia projetos culturais em troca de abatimento fiscal à iniciativa privada) tem de ser reestruturada “para que o dinheiro chegue na ponta do processo e não deixe a política cultural nas mãos dos empresários”.
CHICO CÉSAR
Quando: quinta-feira (22), às 21h
Onde: Sesc Taubaté – avenida Milton Alvarenga Peixoto, 1264, Esplanada Santa Terezinha, Taubaté
Quanto: R$ 2, R$ 5 e R$ 10
Informações: (12) 3634-4000
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