Cláudia Abreu e as poderosas trans de ‘Berenice Procura’: “Elas são o futuro”

Na trama de Luiz Alfredo Garcia-Roza em Berenice Procura, um menino de 2 anos, filho de um diplomata, brinca com uma pá nas areias de Copacabana e descobre um corpo. Trata-se da travesti Valéria, que foi assassinada. Cansada de ser, como diz, apenas uma caixa de ressonância da cidade, uma motorista de táxi resolve investigar […]

Escrito por: Meon Redação5 min de leitura
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Cláudia Abreu e as poderosas trans de 'Berenice Procura':


Na trama de Luiz Alfredo Garcia-Roza em Berenice Procura, um menino de 2 anos, filho de um diplomata, brinca com uma pá nas areias de Copacabana e descobre um corpo. Trata-se da travesti Valéria, que foi assassinada. Cansada de ser, como diz, apenas uma caixa de ressonância da cidade, uma motorista de táxi resolve investigar o caso. Na versão para cinema, Berenice continua taxista, mas Valéria virou Isabelle e é transexual. Não parece muita coisa, mas é uma diferença e tanto.

Além de taxista, a Berenice do filme é ex-mulher de um repórter policial e tem um filho. O garoto ainda não formou uma identidade sexual, mas está circulando pelo mundo LGBT. A transexual é assassinada na boate que ele frequenta e, ao investigar, Berenice descobre o envolvimento do próprio ex-marido. Cláudia Abreu, que faz Berenice no filme de Allan Fiterman, conversa com o repórter na The Week, uma famosa casa noturna do Rio. A cena gravada nessa tarde, com extensa figuração, é justamente aquela em que a transexual participa do concurso que vai transformá-la em estrela da casa.

É um flash-back. O repórter vive uma situação quase surreal. Fala com Cláudia, com Du Moscovis (o ex-marido), Flávia Guimarães (a roteirista), Elisa Tolomelli (a produtora) e Allan Fiterman (o diretor), menos com Valentina Sampaio, que faz a transexual, e é uma transexual de verdade. O tempo todo em que o repórter visita o set de Berenice Procura, Valentina está sempre no centro do palco, com seu longo transparente que o canhão de luz torna mais transparente ainda. Todo o mundo conta para o repórter quem é a personagem, e quem é Valentina.

Nascida menino numa aldeia de pescadores do Ceará, o pai e a mãe deram sempre apoio ao filho, que se sentia menina. Já como Valentina, virou top. Berenice Procura é sua estreia no cinema. “Valentina é maravilhosa. Acho que o público vai tomar um choque, quando a vir. Quem é essa mulher? De onde veio?” Cláudia Abreu já deu entrevista sobre o filme e apareceu na imprensa que ela era fascinada por esse universo ‘marginal’. Não é nada disso “Eu acho que Valentina, que todas essas travestis e transexuais que você está vendo aqui, são o futuro. Essas pessoas são a vanguarda de um novo comportamento sexual. Deixaram para trás os gêneros. Pensa comigo. Adoro ser atriz, criar personagens que são diferentes de mim e que me permitem compreender o outro. Hoje em dia, atriz é celebridade, mas há um século era marginal. Tinha de ter carteirinha de saúde como as p… Então, não é fascínio pela marginalidade. São pessoas. Reivindicam um outro olhar. A Valentina se fez mulher, e é esse espanto, essa beleza. Sou totalmente a favor.”

O set ferve de drags, de transexuais. Muitas plumas, paetês. O mais discreto é um senhor de meia-idade, de terno, muito bem-composto, mas com um sapato de strass colorido, que brilha quase tanto quanto o canhão que ilumina Valentina no palco. Num certo sentido, Cláudia é a estranha nesse ninho. Berenice não pertence a esse universo, mas ela vai adentrar e as descobertas, do ex-marido e do filho, vão confrontá-la com suas certezas. Flávia Lacerda é quem ia dirigir, mas desistiu e recomendou o amigo Allan Fiterman, que estudou cinema nos EUA e, no Brasil, tem dirigido mais novela. Fiterman embarcou na hora. A Globo deu uma força e o liberou. Duas atrizes passaram pela Berenice, incluindo Camila Pitanga, sem se fixar. Como um pedido de socorro, Fiterman chamou a amiga ‘Cacau’. Cláudia Abreu reflete – “Ele acha que eu o socorri, mas o Allan me deu esse presentão. É uma belíssima personagem e eu estou adorando isso aqui, esse set. É uma energia muito grande. Faço cinema, faço TV e sinto que a pegada é diferente. Lá (na Globo), o Allan faz televisão, e muito bem. Aqui, está fazendo cinema, e também está sendo ótimo. Coloco a maior fé de que o filme vai ser bom.”

Casada (desde 1997, há quase 20 anos) com o diretor José Henrique Fonseca, mãe de quatro filhos (Maria Maud, Felipa, José Joaquim e Pedro Henrique), Cláudia Abreu, aos 45 anos, está mais bela do que nunca. Sorry, meninas, mas naquela boate ela brilha mais que qualquer paetê. Como qualquer mulher moderna, ela tem de vencer uma batalha por dia. Não é fácil ser mulher, mãe, atriz, “mas a gente tenta, né?”. A volta à televisão, dois anos após Geração Brasil, está sendo dupla. Além da novela de Maria Adelaide Amaral (e Vincent Villari), A Lei do Amor, Cláudia tem outro projeto no canal Gloob, que começou a gravar no fim do mês Não dá para falar muito porque o canal quer fazer um lançamento especial, mas Os Valentins é um infantil de autoria da própria Cláudia. “É sobre quatro irmãos sozinhos numa casa cheia de invenções malucas. Tem também um antigo amigo da família, que, na verdade, pode ser um vilão sinistro. A ideia é trabalhar o medo no inconsciente das crianças.” A produção é da Zola, empresa da qual Cláudia é sócia. “Zé Henrique (o marido) é quem está formatando. Ele dirige o episódio inicial e segue com a direção-geral. Acho que as crianças, e não só elas, vão gostar. E mais não posso falar.”

Sobre A Lei do Amor, Cláudia, encantada com o texto de Maria Adelaide, só acrescenta que formará trio com Reynaldo Gianecchini e José Mayer. E já tem outro projeto de filme para 2017. “Vai ser uma releitura da personagem Chayane, da novela Cheias de Charme. “A história é muito engraçada”, garante.

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