Livro levanta R$ 35 mil e vira marco para crowdfunding em São José

‘As Copas da Copa’ foi financiado completamente com recursos levantados na internet

Escrito por: João Pedro Teles3 min de leitura
fundo_placeholder-023136
20150414_copasdacopafernandasegolin

Publicação traz, em ilustrações, a Copa 2014 que ficou longe dos holofotes

Fernanda Segolin/Divulgação

Forma de financiamento difundida e bem sucedida no resto do mundo, o crowdfunding –financiamento coletivo utilizado principalmente para projetos culturais- aos poucos começa a dar seus primeiros resultados na região.

O livro “As Copas da Copa”, lançado nesta terça-feira (14), é o maior projeto do Vale do Paraíba produzido com recursos da “vaquinha virtual”. O grupo de três ilustradores, uma jornalista e um fotógrafo levantou R$ 35 mil para publicação do livro que reúne textos, fotos e ilustrações sobre a passagem a Copa do Mundo pelo Brasil em 2014.

Em julho de 2014, os autores visitaram São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro para reunir registros autorais de um torneio que ficou longe dos holofotes. O valor para que a publicação fosse viabilizada foi alcançado em outubro do ano passado. A partir daí o time passou a trabalhar na finalização do livro.

De acordo com o desenhista João Raulex, que participou do projeto, o sucesso da empreitada está ligado a um planejamento minucioso. Outros projetos que fracassaram na arrecadação de fundo comunitário serviram como uma espécie de modelo às avessas para que os artistas não cometessem os mesmos erros.

“Tem muita gente boa que não conseguiu atingir o limite de financiamento estipulado porque talvez não soube se organizar. Por isso fomos muito criteriosos com isso. Desde as viagens até o material gráfico que iríamos usar, tudo foi bem organizado”, explica.

O financiamento foi realizado por meio do site Catarse. Os interessados puderam adquirir não só os livros, mas outras cotas que incluíam extras como cartazes e edições especiais. As cotas variavam entre os R$ 35 e R$ 5 mil.

“Não vejo nosso livro como marco para a arte na cidade. Mas acho legal o projeto ter dado tão certo para mostrar que a região começou a aceitar melhor essa modalidade de financiamento. Espero que seja uma motivação a mais para quem quer se aventurar pelo crowdfunding”, explica.

Música
Com orçamento mais modesto, R$ 4.250, outro grupo que também conseguiu viabilizar o trabalho por meio do financiamento coletivo foi a banda Lo-Fi, de São José dos Campos. Por meio do valor pago pelos fãs pelo mesmo site Catarse, a banda financiou o álbum Love Songs, lançado no final de 2014.

“O esquema da divulgação foi na base da camaradagem mesmo. No boca a boca um amigo contava para o outro e assim a coisa foi se espalhando. Não fosse por isso seria difícil prensar as mil cópias do CD”, explica o baterista Marcelo Bastos.

A fórmula utilizada pela banda foi parecida com a que deu certo no livro. “Quem quisesse levar só o CD contribuía com R$ 15, mas também oferecemos pacotes que incluíam camisetas, bonés e os outros trabalhos que a gente já gravou. Essas cotas chegavam aos R$ 150. Tentamos manter os pés no chão para não ficar nada exorbitante”, conclui.

Cultura
Economista da Unitau (Universidade de Taubaté) e especialista em economia comunitária, o professor Edson Trajano percebe uma mudança no comportamento dos consumidores em relação ao crowdfunding. De acordo com ele, a região sempre apresentou muita resistência a este tipo de financiamento.

“É uma questão cultural mesmo, que está ligada tanto à desconfiança de que o projeto vai dar certo quanto com uma falta de corporativismo mesmo. Esse sentimento de fazer dar sua parcela financeira para fazer parte de alguma coisa não é muito da nossa índole. O sucesso desses novos trabalhos mostram que talvez as pessoas estejam absorvendo melhor esta ideia”, afirma.

Publicado em: