Com técnicos cubanos da luta, Esporte também tem o seu ‘Mais Médicos’
Convênio firmado pelo Ministério do Esporte com a Confederação Brasileira de Lutas Associadas (CBLA), firmado na última semana da gestão de Aldo Rebelo (PCdoB) à frente da pasta, prevê a destinação de R$ 1,85 milhão para a contratação de 10 técnicos, por um ano, com a única condição de que sejam cubanos. No plano de trabalho do convênio, que…

Convênio firmado pelo Ministério do Esporte com a Confederação Brasileira de Lutas Associadas (CBLA), firmado na última semana da gestão de Aldo Rebelo (PCdoB) à frente da pasta, prevê a destinação de R$ 1,85 milhão para a contratação de 10 técnicos, por um ano, com a única condição de que sejam cubanos.
No plano de trabalho do convênio, que lembra o programa Mais Médicos do Ministério da Saúde, a CBLA informa que contrataria técnicos cubanos com formação superior, experiência mínima de cinco anos e “comprovação de trabalho como tutor/professor” de luta. Em nenhum momento, o documento disponível no site do governo explica a restrição a cubanos nem como determinou o salário de R$ 6.047,28. Em outros convênios fechados naquela mesma semana, as confederações apresentaram orçamentos assinados pelos treinadores estrangeiros, incluindo os seus currículos, o que não aconteceu neste caso.
O ministério usa tabela normativa do Comitê Olímpico do Brasil (COB) para estipular salários pagos com verba pública. Para que um técnico se encaixe na faixa de R$ 5 mil a R$ 8 mil, deve ter sido treinador de equipe olímpica ou medalhista em Mundial. Vale também treinador de medalhista de ‘Jogos Continentais’ (no caso, do Pan) realizados a partir de 2007. Apesar do prometido currículo de peso, a maioria dos cubanos trabalhará em Estados que não têm atletas na seleção.
Os nomes dos treinadores escolhidos ainda não foram divulgados, mas a CBLA garantiu que terá “treinadores que foram medalhistas olímpicos e mundiais” e argumentou que, quando formulou o plano de trabalho, não sabia quais profissionais cubanos estariam disponíveis. O projeto previa o início dos treinos no terceiro mês após a assinatura do convênio – em março, portanto.
Nas soma das últimas duas edições dos Jogos Olímpicos, Cuba ganhou apenas três medalhas na luta. Como comparação, a Rússia ganhou 23, o Japão, 12, e a Geórgia, 10. A entidade argumentou que o custo de trazer treinadores de países de mais tradição no esporte é mais alto, embora isso não esteja demonstrado nos documentos oficiais.
Já o Ministério do Esporte, questionado pela reportagem, respondeu apenas que “celebrou convênio com a CBLA para o desenvolvimento da luta olímpica no Brasil” e “que não interferiu na escolha dos técnicos pela entidade esportiva”. A pasta não respondeu também se houve interferência do governo para a contratação de técnicos cubanos. Já a CBLA negou: “Sempre trabalhamos com treinadores cubanos, como a maioria dos países da América Latina”.
FEPALO – As suspeitas acerca do convênio envolvem também a entidade responsável por sua fiscalização, a Federação Paulista de Luta Olímpica (FEPALO), que está proibida de receber recursos públicos após ter rejeitada a prestação de contas de um convênio firmado com o governo do Estado de São Paulo em 2007. A federação foi obrigada a devolver R$ 190 mil em decisão que ainda cabe recurso.
Posts Relacionados

Instituto Athlon representa São José em Mundial na Holanda

Europa concentra maior número de casos de violência contra brasileiras no exterior

Discurso de Lula na Avibras, em Jacareí, provoca crise diplomática com o Paraguai
