Com volta de Marcelo, Brasil desafia Bélgica para chegar à semifinal
Lateral-esquerdo toma sua posição após se lesionar e deixa o time de Tite ainda mais eficiente em Kazan


Marcelo, que volta ao time titular, ao lado de Neymar no último treino antes da partida válida pelas quartas de final
Eduardo Nicolau/Estadão
A seleção brasileira está mais forte, e desta forma parte para cima da Bélgica na partida desta sexta-feira, às 15h, (de Brasília), pelas quartas de final da Copa do Mundo da Rússia. Marcelo está de volta. O lateral-esquerdo do Real Madrid toma sua posição na seleção após ficar fora por lesão. Filipe Luís, reconhecido por Tite e por todos do elenco, retorna ao banco.
Com Marcelo, o futebol brasileiro ganha mais graça, talento e ginga em Kazan. Melhora ofensivamente. Nas duas primeiras partidas do Brasil na Rússia, a bola passou mais pelos pés do lateral do que de qualquer outro jogador do time. Ele cria jogadas, combina com Neymar e se aproxima de Philippe Coutinho.
Uma vitória nesta sexta-feira faz do Brasil um dos quatro melhores do mundo. Marcelo havia deixado o campo com dez minutos no confronto com a Sérvia, o terceiro da seleção, devido a um espasmo na região lombar. Filipe Luís entrou em seu lugar, foi bem e permaneceu contra o México. Agora, entrega a posição ao seu verdadeiro dono.
Para escolher Marcelo, Tite levou em conta a larga experiência do lateral-esquerdo do Real Madrid, ainda que, aos 30, ele seja dois anos mais novo do que Filipe Luís. Afinal, ele foi campeão de tudo pelo time espanhol nas últimas temporadas e carrega na alma a vivência de ter feito parte do grupo que disputou a Copa de 2014, no Brasil.
Marcelo também é visto pelo treinador como um dos líderes do grupo. Foi para ele que Tite entregou a braçadeira de capitão na estreia da seleção no Mundial, no empate por 1 a 1 com a Suíça. O lateral poderá voltar a exercer a função na sequência do torneio, caso o Brasil avance, já que o treinador vem sendo mais restritivo na distribuição da braçadeira, que só ficou com o lateral e os zagueiros Miranda e Thiago Silva, ambos duas vezes na Rússia.
A postura de Marcelo também ajudou na decisão de Tite. O treinador viu o atleta se esforçar ao máximo para ficar à sua disposição para o jogo com o México, ainda que não tenha sido usado. “Ele veio a campo, queria participar, isso mostra sua responsabilidade e comprometimento. É uma das lideranças do Brasil”, elogiou Tite.
O retorno de Marcelo dá à seleção muito mais força ofensiva. Nas duas primeiras partidas, ele foi o jogador da equipe com maior número de passes certos, 164 ao todo. A estatística fornecida pela Fifa demonstrava que a maior parte das jogadas do Brasil, pelo menos até então, passavam pelos seus pés.
Filipe Luís jogou 20 minutos a menos do que Marcelo nesta Copa, completando 99 passes certos, média menor do que a do titular. Marcelo tem ainda números melhores na frente: ele chegou duas vezes e meia a mais na área do que o colega.
Muito dessa diferença ocorre em função do estilo de jogo de cada um. Enquanto Marcelo gosta de aparecer na linha de fundo e se embrenhar pelo meio, Filipe Luís é mais conservador. Mesmo que tenha qualidade no apoio, é na marcação nos dois primeiros terços do campo que ele se sai melhor. Prova disso está nas estatísticas defensivas dos dois, com o lateral do Atlético de Madrid perdendo menos da metade das bolas do jogador do Real Madrid. Com o reserva, o Brasil ganha mais consistência defensiva.
Números à parte, ontem o técnico Tite justificou a mudança na esquerda. Segundo o treinador, Marcelo teria voltado normalmente à equipe na última partida caso estivesse em plenas condições. “Conversei com o Marcelo e com o Filipe Luís. O Marcelo saiu por um problema clínico e não voltou no jogo seguinte por um problema físico, já que ele só poderia jogar de 45 a 60 minutos”, explicou.
Tite preferiu deixar Marcelo no banco diante do México porque havia a possibilidade de o jogo ir para a prorrogação, e ele não queria “queimar” uma substituição ao longo da partida. Descansado, o lateral acabou treinando normalmente nas duas atividades que se seguiram àquele jogo e está pronto para atuar contra a Bélgica.
Mesmo que volte para o banco, Filipe Luís ganhou elogios do chefe. “Ele jogou muito nas duas partidas”, disse Tite, que, desde as Eliminatórias, enaltece a qualidade de seus atletas pelo lado esquerdo. “Competem e, por critério, volta o Marcelo.”
ÚLTIMA CHANCE?
Para uma parte do experiente grupo que Tite levou para a Rússia, cada duelo traz a sensação de última chance de conquistar uma Copa do Mundo. Nove atletas da seleção têm 30 anos ou mais, incluindo Thiago Silva, Miranda, Marcelo e Fernandinho, todos titulares contra a Bélgica – Paulinho, Fagner e Willian têm 29.
Thiago Silva é quem mais viu as chances passarem: está em sua terceira Copa, e foi capitão em 2014. Seu companheiro de zaga, Miranda só agora foi convocado para um Mundial. Pode ser, portanto, a primeira e única oportunidade. Já Marcelo participa de sua segunda edição, assim como Paulinho, Fernandinho e Willian. Todos têm em comum a busca pela Taça Fifa para coroar suas carreiras já consolidadas.
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