Como lidar com as crianças nesse período de pandemia mundial

Uma psicóloga traz orientações que podem diminuir o medo e causar menos impacto na rotina delas

Escrito por: Andressa Lorenzetti5 min de leitura
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Arquivo Pessoal
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Como ajudar as crianças com os medos, preocupações e ansiedades diante do coronavírus? A psicóloga Lívia Rocha compartilhou com o Portal Meon, algumas orientações que podem ajudar os pais a manterem uma conversa com os filhos, que não cause efeitos tão negativos sobre os sentimentos e a rotina deles. Veja que é possível responder dúvidas, esclarecer o assunto e dividir informações, mas de uma forma direcionada e adequada para cada idade.

“As crianças, assim como os adultos, estão imersas em toda a tensão, mudanças e incertezas que a pandemia nos trouxe. A rotina delas mudou e mesmo que não falemos diretamente com elas sobre o assunto, é impossível que elas não percebam tudo ao redor. O problema é que se não conversamos com elas, explicando o que está acontecendo elas irão tirar as próprias conclusões e os sentimentos em relação a isso ficarão rodando na cabecinha. Durante a brincadeira a criança vai assimilando e também é uma oportunidade de ir falando sobre o assunto de forma lúdica e divertida. Porque mesmo sendo um assunto grave e sério ele não precisa ser passado de forma pesada e assustadora para a criança.” Lívia cita algumas atitudes que podem fazer muita diferença nesse período. Confira.

Evite expor as crianças aos noticiários ou excesso de informações.

As crianças precisam saber o que está acontecendo e como devem se cuidar, mas não precisam acompanhar o excesso de informações, número de mortes ou infectados e a situação da economia. Basta a elas saberem que existe a situação e que todos estão se cuidando e cuidando dos outros para que as coisas melhorem. Evite conversar sobre números de mortes e piora da situação com outros adultos na presença das crianças.

Não é para mentir ou fingir que nada esta acontecendo, mas ficar envolvendo as crianças nessas conversas (mesmo que não esteja falando com ela) cria um cenário de terror que aumenta as ansiedades e sensação de impotência e desproteção.

Escute os medos, ansiedades e preocupação das crianças.

Dê espaço para as crianças falarem sobre o que estão sentindo. Escute com atenção e acolha. Diga coisas do tipo: ” Entendo você se sentir dessa forma, é um momento difícil e eu também me sinto assim às vezes, mas iremos nos cuidar para que tudo fique bem”. É possível que nesse período alguns comportamentos como fobias, choros sem razão, necessidade de ficar “grudado”, querer ir pro quarto dos pais de noite aumente. Compreenda que existe motivo, acolha e ajude seu filho se sentir protegido e cuidado.

Promova espaço para o “brincar livre”.

O “brincar livre” não precisa ser ao ar livre, pode ser dentro de casa. O importante é que seja sem interferência do adulto no processo do brincar. Não são só recreação e passatempo. Ele é o espaço potencial e o maior recurso que a criança tem para elaborar, transpor e liberar angústias, sentimentos e conflitos. Por isso não se preocupe em criar atividades o tempo todo, mas se preocupe em criar espaço para a própria criança criar a brincadeira.

Movimento

Crianças tem necessidade de movimento. Isso também ajuda a diminuir a ansiedade. Então mesmo dentro de casa e com as limitações que isso implica, permita em algum momento do dia que elas possam correr, pular, dançar.

Momentos de diversão e conexão em família.

Ter alguns momentos do dia onde possam ficar todos juntos numa atividade prazerosa. Isso ajuda não só as crianças, mas todos que estão compartilhando o mesmo espaço. Estamos todos passando por um momento difícil e todos em contato com a própria vulnerabilidade. Por isso vamos cuidar para que o isolamento social não promova também isolamento afetivo. A autorização de todos os sentimentos em relação a situação que estamos passando precisam e podem ser autorizados, para todos, e a partir daí, devem ser acolhidos e cuidados mutuamente .

Lembrando que é importante que as crianças confiem no cuidado dos pais e se sintam cuidadas por eles. coração sem uma elaboração adequada. Nós adultos precisamos ajuda-las nisso. Mesmo que sua criança não venha te perguntar ou dizer como está se sentindo com isso não significa que muitas fantasias, medo e ansiedades não estejam surgindo.

É muito importante falar com elas sobre tudo isso. Perguntar o que elas estão pensando sobre o Coronavírus, como elas imaginam ele, o que sentem com a mudança de rotina, a saudade dos amigos… Além de muita conversa e escuta, desenhos e brincadeiras são ótimas formas de ajudá-las. Porque a criança elabora e compreende o mundo através da brincadeira e do simbólico.

Ofereça sempre papel e lápis, peça para desenhar o que está sentindo, como elas imaginam o vírus. Isso ajudará a dar vazão e lugar para a angústia, sai do imaginário da criança e diminui as fantasias ameaçadoras e destrutivas que podem estar ocupando sua mente.

*Lívia Rocha é psicóloga e psicoterapeuta de crianças e adultos.

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