Comoção marca despedida de Paulo Frateschi na Alesp

Ex-deputado e ex-presidente do PT paulista foi morto pelo filho

Escrito por: Bruna Guedes3 min de leitura
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O velório do ex-deputado estadual e ex-presidente do PT de São Paulo, Paulo Frateschi, ocorreu na manhã desta sexta-feira (7), no Hall Monumental da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). O evento foi aberto ao público, mas sem acesso da imprensa, e contou com a presença de familiares, amigos e importantes lideranças políticas. O sepultamento está marcado para as 15h30, no Cemitério Memorial Parque Jaraguá, na zona norte da capital.

Frateschi, de 75 anos, foi morto na manhã de quinta-feira (6), na casa da família, na Lapa, zona oeste de São Paulo, durante um surto psicótico do filho, Francisco Frateschi, de 34 anos. Segundo a Polícia Militar, o ex-deputado foi atingido com golpes de faca na cabeça e no braço. A esposa, Yolanda Frateschi, tentou intervir, mas acabou ferida no ombro. Ela passou por cirurgia, mas recebeu liberação médica para comparecer ao velório e se despedir do marido.

Durante a cerimônia, Yara Frateschi, uma das filhas do ex-deputado, falou emocionada com jornalistas e defendeu o irmão, afirmando que ele sofre de doença psíquica grave e não tinha consciência de seus atos.

“Isso é uma doença psíquica. Ele não é um monstro. Ele não sabe o que fez. Meu irmão é uma pessoa incrível, e o que aconteceu é uma tragédia que nos destruiu”, disse Yara.

De acordo com a família, Francisco vinha sendo acompanhado por profissionais de saúde mental e fazia uso de drogas ilícitas. Ele segue internado sob custódia policial.

O velório foi marcado por forte comoção e contou com a presença de nomes históricos do Partido dos Trabalhadores, como José Dirceu, Rui Falcão, José Genoino, além de parlamentares e militantes. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também esteve no local. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama Janja Lula da Silva, que estão em Belém (PA) para a COP30, enviaram coroas de flores e mensagens de solidariedade à família.

Em nota, o PT lamentou profundamente a perda e exaltou a trajetória de Frateschi como “um militante comprometido com a justiça social e a democracia”. José Dirceu destacou que o ex-deputado foi um dos pilares na construção do partido:

“Ele sempre foi um grande defensor da democracia. Um homem que fortaleceu o PT em São Paulo e em todo o interior do estado. Em 2022, ele recebeu um convite do presidente Lula e largou tudo para colaborar na campanha. O PT perde um de seus grandes construtores”, afirmou.

Além da tragédia recente, a família Frateschi já havia enfrentado outras perdas marcantes. Paulo e Yolanda perderam dois filhos em acidentes de carro, um aos sete e outro aos 15 anos. Francisco, o autor do ataque, também sofreu um acidente grave anos atrás e passou por longo tratamento intensivo.

Paulo Frateschi teve uma carreira marcada pela militância política e pela atuação em causas sociais. Foi deputado estadual entre 1983 e 1987, presidente estadual do PT e secretário de Relações Governamentais durante a gestão de Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo, em 2014. Ele deixa esposa, filhas, netos e irmãos.

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