Comunidade assume escola que seria fechada na região rural de S. José

Associação pede ajuda para manter vivo o sonho de 95 crianças

Escrito por: Elaine Rodrigues4 min de leitura
fundo_placeholder-023136

O dia mal raiou às margens do rio Jaguari, na região rural de São José dos Campos, e Joanário Vinícius Porto Gonçalves, 10 anos, está de pé e pronto para ir à escola. Pela frente, ainda há um longo caminho, feito por trilhas de terra, onde o garoto caminha rápido para não se atrasar.

Todos os dias, o jovem estudante anda cerca de 1 km, subindo e descendo montanhas, com a mãe e o irmão de sete anos, para encontrar o transporte escolar que fica esperando por eles na estrada.

“Chego cedo na escola. Tomo café. Depois, os outros amigos vão chegando. Eu gosto muito de estudar, queria ficar lá o dia todo”, conta com um sorriso tímido.

Joanário é, apesar da simplicidade e dificuldade em que vive, um dos melhores alunos da escola Madre Tereza. A escola é, na verdade, um projeto especial que podia ter acabado, em 2014, mas graças à coragem de voluntários que já eram colaboradoresda escola, reabriram, atendendo gratuitamente 100 crianças de propriedades rurais e bairros afastados da região norte.

A escola

O colégio fica longe do centro da cidade, mas perto do rio e  da população esquecida na zona rural. Fundado em 1959, pelas freiras do IPMMI (Instituto das Pequenas Missionárias de Maria Imaculada), já foi responsabilidade da prefeitura, do Estado e voltou, em 1996, a ser mantido pelas irmãs da congregação joseense.

No final do ano passado, o IPMMI decidiu manter o foco na área da saúde e as unidades educacionais foram transferidas ou fechadas. No Jaguari, a escola também teria as atividades encerradas, mas os colaboradores não permitiram, formaram uma associação e assumiram a direção e a conta. O local foi cedido pelas religiosas.

“Percebemos a necessidade desta comunidade, que ia ser muito difícil para todos se fechasse. Acreditávamos no processo de uma escola especial, diferente, então, decidimos assumir e que não seria fechada”, conta Donaide Donato Bittencourt, 60 anos, diretora e membro da Acemt (Associação Cultural e Educacional Madre Teresa), grupo que assumiu a escola.

Donaide é professora aposentada e conheceu o projeto por meio das irmãs que mantinham a escola, foi uma das pessoas que resolveu se dedicar, junto com seus amigos e parceiros, na manutenção da obra.

Hoje, as 100 crianças de 1º a 5º ano estudam no local, que funciona apenas no período da manhã. Os alunos recebem as duas principais refeições do dia, incluindo o almoço, ganham todo o material escolar e pedagógico. Tudo é mantido por doadores, que são pessoas físicas e jurídicas.

Parceiros, como a Embraer, doaram a sala de Informática. Já a Prefeitura de São José ajuda com a merenda e com o transporte escolar. Outros doam dinheiro ou materiais. A partir de 2016, após um ano de funcionamento, a associação poderá receber doações vindas da restituição do imposto de renda, o que deve possibilitar a ampliação do projeto para tempo integral.

“Atendemos uma comunidade muito carente, que passa necessidade de tudo, que vive em locais afastados de toda ajuda que existe. Somos a única instituição perto. Quase todos os pais são analfabetos. Se a gente fechar, muitas dessas crianças não vão mais para a escola”, revela a diretora.

A coragem de Donaide e da Acemt ao assumir a associação com o custo mensal de R$ 40 mil, é o que mantém não apenas em formação quase uma centena de crianças da zona rural, mas também garante que sejam alimentadas e mantida longe das ruas, com a promessa de um futuro melhor.

Doações
Apesar da coragem e força deste grupo, manter a escola funcionando custa caro. A associação pede a colaboração de amigos e voluntários. O grupo está em plena campanha e quem quiser conhecer, ajudar e contribuir, pode adotar um aluno com um carnê ou ainda doar qualquer quantia. Outras informações podem ser obtidas no site da escola.

Publicado em: