Coração de campeão

Messi é o maior artilheiro da história das Copas e tem 12 participações em gols nesta edição mesmo com 39 anos de idade

Escrito por: Rubens Baracho3 min de leitura
Julian Finney/getty Images
Julian Finney/getty Images

Há quem torça o nariz, procure explicações ou tente diminuir o que acontece. Mas chega um momento em que resta apenas reconhecer: a Argentina construiu uma mentalidade vencedora que hoje é exemplo para qualquer seleção do mundo.

A vitória de virada sobre a Inglaterra é mais um capítulo dessa história. Não foi apenas uma demonstração de qualidade técnica. Foi, acima de tudo, uma demonstração de caráter. Os argentinos jogam cada lance como se fosse o último. Não aceitam a derrota, não desistem da partida, brigam por cada bola até o apito final. Vestem a camisa da seleção como quem carrega a própria pátria nos ombros. E isso faz toda a diferença.

Existe ainda um ingrediente que transforma essa equipe em algo especial: a relação quase indissociável entre jogadores e torcida. Em qualquer estádio do mundo, a torcida argentina consegue transformá-lo em uma extensão da La Bombonera. Canta durante os 90 minutos, empurra o time nos momentos difíceis e faz cada atleta acreditar que é possível buscar o impossível. Em resposta, os jogadores devolvem tudo em campo. Correm mais, dividem mais, lutam mais. É uma simbiose rara, construída sobre respeito mútuo. A torcida honra os jogadores, e os jogadores honram a torcida. É uma demonstração de caráter coletivo que poucas seleções conseguiram apresentar ao longo da história das Copas do Mundo.

Lionel Messi simboliza como poucos esse espírito. Mesmo com 39 anos e depois de conquistar tudo o que um jogador poderia sonhar — oito Bolas de Ouro, uma Copa do Mundo, títulos por clubes e pela seleção — ele continua vibrando, chorando e se emocionando com cada vitória da Argentina. Poderia administrar a carreira, jogar em ritmo mais lento ou apenas desfrutar do prestígio conquistado. Mas escolhe competir como um garoto que ainda busca seu primeiro título.

São 8 gols e 4 assistências nesta edição do mundial. O maior artilheiro da história das Copas.

Esse talvez seja seu maior legado. Mais do que o talento incomparável, Messi ensina que respeito ao futebol também se demonstra com entrega, dedicação e compromisso. Lidera pelo exemplo. Puxa os outros para cima. Mesmo quando tudo parece perdido. É o líder de um grupo onde os liderados o admiram e copiam. É como aquela brincadeira de criança: siga o mestre. E os outros seguem. E vencem. Messi demonstra o legítimo respeito aos companheiros, à camisa, aos torcedores e ao país que representa.

Talvez estejamos assistindo à seleção de maior caráter da história das Copas. Não necessariamente a mais talentosa de todos os tempos, mas uma equipe cuja identidade é inegociável. Um grupo que se recusa a perder, que acredita até o último segundo e que transformou a entrega em sua principal virtude.

O Brasil já foi essa seleção. A que entrava em campo impondo respeito pela técnica, mas também pela alma competitiva. A que nunca desistia, que transformava dificuldades em combustível e fazia do orgulho de defender a camisa amarela um diferencial.

Reconhecer a grandeza da Argentina não diminui a história do futebol brasileiro. Pelo contrário. Serve como um lembrete de que o caminho para voltar ao topo passa menos por discursos e mais por atitude. Hoje, gostemos ou não, os argentinos representam aquilo que um dia foi a marca registrada do Brasil: fome de vencer, orgulho de defender a seleção e um compromisso inegociável com a vitória.

Nunca duvide do coração de um verdadeiro campeão!

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