Covid ou alergia? Médico explica por que tempo seco intensifica sintomas iguais aos do coronavírus

Tosse seca, nariz congestionado, espirros? Pode não ser Covid, mas sim uma crise alérgica acentuada pela escassez de chuvas

Escrito por: Ana Lígia Dal Bello3 min de leitura
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Apesar de estarmos na reta final do inverno, muitas famílias ainda testemunham um ou mais membros com sintomas parecidos com o de resfriado, gripe comum ou até Covid-19. Quem mais sofre são idosos e crianças, mas nenhuma faixa etária escapa.

“Fiquei com sinusite forte, tive que ir para o hospital, até cheguei a fazer exame de Covid. Antes disso, eu já estava tossindo muito e espirrando”, relata o designer Bruno Sousa, de 34 anos.

Como os sintomas podem ser confundidos com os da Covid, o otorrinolaringologista Jefferson Takehara recomenda que se faça exame para tirar a prova e iniciar o tratamento o quanto antes, seja qual for a doença. Quem já sabe que é alérgico deve manter o tratamento para excluir a hipótese de alergia, caso adoeça.

Dr. Jefferson Takehara
Dr. Jefferson Takehara, otorrinolaringologista (Dr. Jefferson Takehara)

Causas

Os agentes causadores dessas crises podem estar num elemento inevitável: o ar que respiramos.

No inverno, o ar perde muita umidade, o que já é suficiente para desencadear doenças respiratórias. Soma-se a isto poluição concentrada, ácaro, pelos de animais, poeira (inclusive na zona rural) e queimadas. É como se todo o ambiente à nossa volta ficasse propício às crises.

Engana-se quem acredita que a chegada da primavera acaba com o problema.

“Todas as doenças alérgicas e respiratórias, como rinite, sinusite de repetição e asma incidem com mais força na época seca. No início da primavera, a polinização, principalmente de pinheiros, é mais intensa e as partículas circulam no ar. Quem já é alérgico, pode chegar ao ponto de precisar de cortisona, inalação, antialérgico”, explica o doutor Takehara.

O especialista acrescenta que tosse seca, nariz congestionado, garganta irritada e sensação de secreção presa são comuns no inverno, no entanto, quando o clima esquenta, a umidade desaba e a concentração de poluentes no ar aumenta, intensificando os sintomas. O que acontece é que as vias respiratórias ficam sobrecarregadas e não dão conta de filtrar tanto ar poluído.

O que fazer

Segundo o especialista, “as pessoas precisam de umidificação, senão, a secreção fica ressecada, e precisamos do muco para fazer a autolimpeza. O grande ponto é a hidratação em qualquer estação”, recomenda.

Recursos simples podem ser utilizados para aliviar ou prevenir os sintomas das alergias respiratórias. Confira algumas recomendações do médico:

  • Aumentar o consumo de água e de alimentos que contêm líquido, como tomate e melancia;
  • Usar soro fisiológico isotônico três ou mais vezes ao dia para manter as vias nasais hidratadas;
  • Aplicar colírio lubrificante nos olhos, que podem arder e lacrimejar com a secura;
  • Deixar o ambiente ventilado;
  • Evitar ligar o ar-condicionado – além de consumir energia, resseca o ar;
  • Substituir a vassoura, que levanta pó, por pano úmido

Até deixar uma toalha molhada ou bacia com água por perto valem.

Atenção com as máscaras de tecido

Se usar máscaras descartáveis não é viável e você precisa usar as de tecido, cuidado ao lavá-las. Segundo o otorrino, os amaciantes ressecam o tecido, afetando quem é sensível aos componentes ressecantes contidos produto. O ideal é lavá-las com sabão neutro.

Tendência a piorar

Com base no comportamento da humanidade até hoje, mesmo após tomar conhecimento das mudanças climáticas, pode-se dizer que o ar que respiramos ficará pior. “Não tinha tanta queimada assim, temos tido um padrão (de poluição) muito forte na região, padrão que era observado em São Paulo. Vamos ter mais pessoas que nunca manifestaram alergia doentes”, conclui o otorrino.

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