Crescem pedidos de boicote à Copa do Mundo do Catar, com polêmicas de trabalho escravo e problemas ecológicos
Investigação do jornal britânico The Guardian revela a morte de mais de 6 mil trabalhadores imigrantes devido às péssimas condições de trabalho

A menos de dois meses para a bola rolar, cresce o número de pedidos de boicote à Copa do Mundo no Catar. A competição, que terá início em 20 de novembro deste ano, é acusada de violar direitos humanos e desrespeito ao meio ambiente.
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O jornal britânico The Guardian realizou uma investigação que revelou a morte de mais de 6.000 trabalhadores imigrantes na construção dos estádios, devido às péssimas condições de trabalho do país organizador, comparáveis à escravidão. “São problemas que impedem o torcedor de assistir tranquilamente aos jogos”, avalia o periódico em sua matéria.
Em novembro do ano passado, a Anistia internacional já havia demonstrado preocupação com as condições de trabalho no país. “Na última década, milhares de trabalhadores migrantes morreram repentina e inesperadamente no Qatar, apesar de passar em seus exames médicos obrigatórios antes de viajar para o país. No entanto, apesar de claras evidências de que o estresse por calor representa enormes riscos para a saúde dos trabalhadores, continua sendo extremamente difícil saber exatamente quantas pessoas morreram em consequência de suas condições de trabalho”, disse a organização em relatório oficial.

O jornal francês Libération também expôs problemas na organização do evento ao chamar a Copa deste ano de “aberração ambiental”. De acordo com o Libé, o sistema de ar condicionado implementado nos estádios para enfrentar as altas temperaturas do país são um desrespeito ao meio ambiente, devido à emissão de CO2 e custo energético dos estádios nas partidas.
A publicação do Libération, no entanto, lamenta que os pedidos de boicote ao evento aconteceram tarde demais e não serão suficientes para impedir a competição de acontecer no país.
Dinamarca faz protesto comercial
Não apenas a mídia tem pressionado o Catar acerca das condições trabalhistas, humanas e ambientais que englobam a competição, mas as equipes presentes também começam a se manifestar a respeito.
A seleção da Dinamarca, presente na Copa do Mundo, se posicionou oficialmente contra o governo do país-sede. Como forma de boicote comercial, a equipe dinamarquesa usará uniformes de jogo e de treino em cores monocromáticas. O objetivo é “não estar visível durante o torneio que custou a vida de milhares de pessoas”, revelou a patrocinadora.

Normalmente, os kits possuem contrastes nas cores para melhor identificação do logo do fornecedor de material esportivo ou do brasão da federação. No caso da Dinamarca, todo o uniforme terá apenas uma cor e possuirá frases a favor dos direitos humanos. Apenas a identificação dos atletas, como número, estará em cor diferente, por regra da FIFA.
Além disso, não haverão patrocinadores estampados na camisa e os jogadores não participarão de atividades extra campo que normalmente são realizadas durante a estadia das delegações no país-sede.
O Comitê Organizador da Copa no Catar se manifestou sobre as alegações da Federação Dinamarquesa, rejeitando “de todo o coração a banalização de nosso compromisso genuíno de proteger a saúde e a segurança dos 30 mil trabalhadores que construíram estádios da Copa do Mundo da FIFA e outros projetos de torneios”.

Veja o comunicado do Supremo Comitê, que organiza a Copa do Mundo no Catar:
Desde que conquistou o direito de sediar a Copa do Mundo da FIFA™️, o Comitê trabalhou diligentemente ao lado do governo do Catar para garantir que o torneio ofereça um legado social duradouro.
Nosso compromisso com esse legado contribuiu para reformas significativas no sistema trabalhista, promulgando leis que protegem os direitos dos trabalhadores e garantem melhores condições de vida para eles.
Através da nossa colaboração com o Grupo de Trabalho da UEFA e várias outras plataformas lideradas pela FIFA e outros grupos independentes, estabelecemos um diálogo robusto e transparente com a DBU (Federação Dinamarquesa). Esse diálogo resultou em uma melhor compreensão do progresso alcançado, dos desafios enfrentados e do legado que entregaremos além de 2022.
Por essa razão, contestamos a afirmação da Hummel de que este torneio custou a vida de milhares de pessoas. Além disso, rejeitamos de todo o coração a banalização de nosso compromisso genuíno de proteger a saúde e a segurança dos 30 mil trabalhadores que construíram estádios da Copa do Mundo da FIFA™️ e outros projetos de torneios. Esse mesmo compromisso agora se estende a 150 mil trabalhadores em vários serviços de torneios e 40 mil trabalhadores no setor de hospitalidade.
O ônus deve sempre recair sobre os países para fazer mais para proteger os direitos das pessoas em todo o mundo, inclusive na Dinamarca. O trabalho do Comitê é reconhecido por inúmeras entidades da comunidade internacional de direitos humanos como um modelo que acelerou o progresso e melhorou vidas. As reformas do Catar são reconhecidas pela Organização Internacional do Trabalho e pela Confederação Sindical Internacional como referência na região. Como todo país, o progresso nessas questões é uma jornada sem linha de chegada, e o Catar está comprometido com essa jornada.
Instamos a DBU (Federação Dinamarquesa) a transmitir com precisão o resultado de sua extensa comunicação e trabalho com o Comitê, e garantir que isso seja comunicado com precisão a seus parceiros na Hummel.
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