Crescem pedidos de boicote à Copa do Mundo do Catar, com polêmicas de trabalho escravo e problemas ecológicos

Investigação do jornal britânico The Guardian revela a morte de mais de 6 mil trabalhadores imigrantes devido às péssimas condições de trabalho

Escrito por: Meon Redação5 min de leitura
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A menos de dois meses para a bola rolar, cresce o número de pedidos de boicote à Copa do Mundo no Catar. A competição, que terá início em 20 de novembro deste ano, é acusada de violar direitos humanos e desrespeito ao meio ambiente.

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O jornal britânico The Guardian realizou uma investigação que revelou a morte de mais de 6.000 trabalhadores imigrantes na construção dos estádios, devido às péssimas condições de trabalho do país organizador, comparáveis à escravidão. “São problemas que impedem o torcedor de assistir tranquilamente aos jogos”, avalia o periódico em sua matéria.

Em novembro do ano passado, a Anistia internacional já havia demonstrado preocupação com as condições de trabalho no país. “Na última década, milhares de trabalhadores migrantes morreram repentina e inesperadamente no Qatar, apesar de passar em seus exames médicos obrigatórios antes de viajar para o país. No entanto, apesar de claras evidências de que o estresse por calor representa enormes riscos para a saúde dos trabalhadores, continua sendo extremamente difícil saber exatamente quantas pessoas morreram em consequência de suas condições de trabalho”, disse a organização em relatório oficial.

AP / Kamran Jebreili
Crescem pedidos de boicote à Copa do Mundo no Catar (AP / Kamran Jebreili)

O jornal francês Libération também expôs problemas na organização do evento ao chamar a Copa deste ano de “aberração ambiental”. De acordo com o Libé, o sistema de ar condicionado implementado nos estádios para enfrentar as altas temperaturas do país são um desrespeito ao meio ambiente, devido à emissão de CO2 e custo energético dos estádios nas partidas.

A publicação do Libération, no entanto, lamenta que os pedidos de boicote ao evento aconteceram tarde demais e não serão suficientes para impedir a competição de acontecer no país.

Dinamarca faz protesto comercial

Não apenas a mídia tem pressionado o Catar acerca das condições trabalhistas, humanas e ambientais que englobam a competição, mas as equipes presentes também começam a se manifestar a respeito.

A seleção da Dinamarca, presente na Copa do Mundo, se posicionou oficialmente contra o governo do país-sede. Como forma de boicote comercial, a equipe dinamarquesa usará uniformes de jogo e de treino em cores monocromáticas. O objetivo é “não estar visível durante o torneio que custou a vida de milhares de pessoas”, revelou a patrocinadora.

Divulgação
Boicote comercial Dinamarca Copa do Mundo 2022 (Divulgação)

Normalmente, os kits possuem contrastes nas cores para melhor identificação do logo do fornecedor de material esportivo ou do brasão da federação. No caso da Dinamarca, todo o uniforme terá apenas uma cor e possuirá frases a favor dos direitos humanos. Apenas a identificação dos atletas, como número, estará em cor diferente, por regra da FIFA.

Além disso, não haverão patrocinadores estampados na camisa e os jogadores não participarão de atividades extra campo que normalmente são realizadas durante a estadia das delegações no país-sede.

O Comitê Organizador da Copa no Catar se manifestou sobre as alegações da Federação Dinamarquesa, rejeitando “de todo o coração a banalização de nosso compromisso genuíno de proteger a saúde e a segurança dos 30 mil trabalhadores que construíram estádios da Copa do Mundo da FIFA e outros projetos de torneios”.

Goran Stanzl / Pixsell / MB Media / Getty Images
Eriksen, meia da Dinamarca, pela Liga das Nações (Goran Stanzl / Pixsell / MB Media / Getty Images)

Veja o comunicado do Supremo Comitê, que organiza a Copa do Mundo no Catar:

Desde que conquistou o direito de sediar a Copa do Mundo da FIFA™️, o Comitê trabalhou diligentemente ao lado do governo do Catar para garantir que o torneio ofereça um legado social duradouro.

Nosso compromisso com esse legado contribuiu para reformas significativas no sistema trabalhista, promulgando leis que protegem os direitos dos trabalhadores e garantem melhores condições de vida para eles.

Através da nossa colaboração com o Grupo de Trabalho da UEFA e várias outras plataformas lideradas pela FIFA e outros grupos independentes, estabelecemos um diálogo robusto e transparente com a DBU (Federação Dinamarquesa). Esse diálogo resultou em uma melhor compreensão do progresso alcançado, dos desafios enfrentados e do legado que entregaremos além de 2022.

Por essa razão, contestamos a afirmação da Hummel de que este torneio custou a vida de milhares de pessoas. Além disso, rejeitamos de todo o coração a banalização de nosso compromisso genuíno de proteger a saúde e a segurança dos 30 mil trabalhadores que construíram estádios da Copa do Mundo da FIFA™️ e outros projetos de torneios. Esse mesmo compromisso agora se estende a 150 mil trabalhadores em vários serviços de torneios e 40 mil trabalhadores no setor de hospitalidade.

O ônus deve sempre recair sobre os países para fazer mais para proteger os direitos das pessoas em todo o mundo, inclusive na Dinamarca. O trabalho do Comitê é reconhecido por inúmeras entidades da comunidade internacional de direitos humanos como um modelo que acelerou o progresso e melhorou vidas. As reformas do Catar são reconhecidas pela Organização Internacional do Trabalho e pela Confederação Sindical Internacional como referência na região. Como todo país, o progresso nessas questões é uma jornada sem linha de chegada, e o Catar está comprometido com essa jornada.

Instamos a DBU (Federação Dinamarquesa) a transmitir com precisão o resultado de sua extensa comunicação e trabalho com o Comitê, e garantir que isso seja comunicado com precisão a seus parceiros na Hummel.

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