Cursinho Popular dribla dificuldades da pandemia para preparar alunos para o ENEM

Com dois núcleos em São José, a Uneafro defende o adiamento da prova

Escrito por: Gabriel Campoy3 min de leitura
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Com a data do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) se aproximando, muitos alunos começam a intensificar a jornada de estudos com intuito de alcançarem um bom resultado na prova. Entretanto, com a pandemia de Covid-19 que assolou o Brasil e o mundo no último ano, o abismo vivido entre alunos de diferentes conjunturas sociais ficou ainda mais evidente. Enquanto alguns mantiveram uma rotina de estudos via internet, outros tiveram que buscar outras maneiras de manter em dia o aprendizado.

Em São José dos Campos, a Uneafro (União de Núcleos de Educação Popular para Negros e Classe Trabalhadora), cursinho popular gratuito, voltado para alunos pobres e periféricos, foi uma das instituições estudantis que precisaram se reinventar para passar por cima dos problemas que a pandemia trouxe.

Criada em 2009, quando um grupo de alunos negros pleiteavam a entrada na Universidade de São Paulo (USP), a Uneafro se fortaleceu com o tempo e completou 11 anos no ano passado, com núcleos pelos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. No Vale do Paraíba são seis: Caraguá, Jacareí, Taubaté e dois em São José dos Campos.

Um dos coordenadores do núcleo Luiza Mahin, o principal dos centros em São José, o professor Claudinei Corrêa acredita que as dificuldades enfrentadas pela educação na pandemia, foram mais uma prova das desigualdades sociais predominantes no país. Além disso, enfatizou: a instituição defende o adiamento do Exame Nacional.

“O coronavírus provou o que já estava escancarado há tempos: a desvalorização da escola pública no Brasil. Nós (Uneafro) e outras instituições defendemos o adiamento do ENEM. Primeiro porque acreditamos que o estado brasileiro não está preparado para o ensino a distância, por conta da desigualdade do país e alguns alunos não terem internet em casa. E em segundo lugar, porque os próprios professores da rede pública estavam buscando aperfeiçoar esse modelo educacional. Por esse e outros motivos, achamos um retrocesso o não adiamento”, diz.

Contudo, mesmo com as dificuldades evidentes enfrentadas, o núcleo buscou se organizar para tentar, de maneiras práticas e democráticas, manter os alunos ativos com atividades preparatórias, como ele mesmo enfatiza:

“Criamos uma plataforma online para atendermos os alunos que se cadastrassem nela. Idealizamos também um programa chamado ‘4G’, onde demos créditos para alunos carentes para que pudessem estudar de forma remota”, comentou Corrêa.

A Uneafro ainda disponibilizou uma biblioteca para os alunos matriculados, salas de atendimentos individuais com professores da instituição e a entrega de uma apostila, material próprio da entidade, com exercícios focados diretamente no ENEM. Além de acompanhamento psicológico para a família de alunos e alunas.

“Nós fizemos de tudo para que a desigualdade fosse diminuída. É complicado um aluno desfavorecido economicamente estudar em uma hora como essa. A família toda está abalada, o pai precisa comer, é necessário pagar a energia, internet. Tentamos o que pudemos”, completou o professor.

A Uneafro terá em todo Vale do Paraíba, espalhada pelos seis núcleos, 110 alunos que prestarão o ENEM. Já em São José, serão 32.

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