De banca no Mercadão a fábrica milionária: trajetória de Rebeca inspira nova fase em São José

O projeto inclui um galpão de 10 mil metros quadrados e investimento estimado em R$ 11 milhões

Escrito por: Rubens Baracho3 min de leitura
Claudio Vieira/PMSJC

De uma pequena banca no Mercado Municipal de São José dos Campos a um investimento de R$ 11 milhões em uma nova fábrica. A história da empresária Rebeca Soares reúne trabalho, persistência e superação, ingredientes que transformaram a Doces da Rebeka em uma das maiores produtoras de pudim do país.

Agora, a empresa inicia um novo capítulo no município onde tudo começou. A nova operação prevê ampliação da produção, geração de empregos e abertura para mercados internacionais.

O investimento contempla obras, equipamentos e maquinário industrial. Com a expansão, a capacidade produtiva deve saltar dos atuais 3,2 milhões para cerca de 7 milhões de unidades por mês.

A futura estrutura será instalada em um terreno de 20 mil metros quadrados, com um galpão de 10 mil metros quadrados e equipamentos capazes de produzir até 28 mil unidades por hora.

Além do aumento da produção, a empresa projeta ampliar o quadro de funcionários. Hoje com 68 colaboradores, a expectativa é chegar a aproximadamente 200 empregos diretos.

História começou em banca no Mercado Municipal

A trajetória da empresária teve início em 2003, quando trabalhava ao lado do pai em uma pastelaria e doceria instalada no Mercado Municipal de São José dos Campos.

“Eu comecei no Mercado Municipal, em 2003. Eu tinha uma banca pequenininha, depois meu pai comprou uma banca maior. Fiquei lá até 2020”, relembra Rebeca.

Ao longo de 17 anos no Mercadão, a empresária construiu experiência no comércio e desenvolveu os produtos que mais tarde dariam origem à fábrica de pudins.

Acidente e pandemia marcaram início da fábrica

O projeto industrial começou a ganhar forma no fim de 2019, impulsionado pela procura de comerciantes interessados em vender os produtos em restaurantes e estabelecimentos comerciais.

No entanto, o início da operação coincidiu com um período delicado na vida da empresária. Em fevereiro de 2020, Rebeca sofreu um grave acidente com queimaduras em 40% do corpo e permaneceu internada por 40 dias.

Ao retornar para casa, enfrentou também os impactos econômicos da pandemia da Covid-19, que provocaram forte queda no faturamento da empresa.

Mesmo diante das dificuldades, ela decidiu manter todos os funcionários.

“Meu esposo perguntou se a gente ia mandar alguém embora. Eu falei: ‘Se faltar, falta para a gente, não vai faltar para eles’”, conta.

Além da crise financeira, a empresa enfrentou problemas estruturais, como falhas elétricas e equipamentos danificados.

“Foi muito difícil no começo. Pegou fogo na rede elétrica, queimou câmera fria. Toda a minha economia já tinha acabado”, relembra.

Segundo Rebeca, o apoio de familiares, fornecedores e parceiros foi fundamental para manter o negócio funcionando.

Expansão nacional e planos internacionais

Com o passar dos anos, a empresa ampliou sua estrutura e expandiu a atuação para oito estados brasileiros. Atualmente, a Doces da Rebeka afirma ser a maior fábrica de pudins do mundo em volume de produção.

A nova unidade em São José dos Campos também marca a chegada de seis novos produtos e sabores, ainda em fase de lançamento.

Além da expansão nacional, a empresa já mantém contato com importadores dos Estados Unidos, Austrália e Arábia Saudita, mirando futuras exportações.

“Temos um sonho e vamos fazer de tudo para que isso realmente possa se concretizar”, afirma a empresária.

A nova fase reforça não apenas o crescimento da marca, mas também o ambiente favorável ao empreendedorismo em São José dos Campos, cidade onde a história da empresa começou e agora volta a ganhar protagonismo.

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