Desinformação marca reunião de demitidos da Embraer na Era Collor
A presidente da CEI (Comissão Especial Interministerial) da Anistia, Érida Maria Feliz, reuniu-se com cerca de 100 trabalhadores demitidos da Embraer durante o governo Fernando Collor de Mello para prestar esclarecimentos sobre o processo de reintegração dos ex-funcionários. A assembléia aconteceu na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e foi marcada por uma série de informações desencontradas.


Assembleia também contou com críticas ao Sindicato
Flávio Pereira/Meon
A presidente da CEI (Comissão Especial Interministerial) da Anistia, Érida Maria Feliz, reuniu-se com cerca de 100 trabalhadores demitidos da Embraer durante o governo Fernando Collor de Mello para prestar esclarecimentos sobre o processo de reintegração dos ex-funcionários. A assembleia aconteceu na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e foi marcada por uma série de informações desencontradas.
Entre os anos de 1990 e 1992, cerca de 4 mil funcionários da então estatal Embraer foram mandados embora para dar início ao processo de privatização. Alguns desses demitidos conseguiram a reintegração com base em uma lei assinada pelo presidente Itamar Franco, em 1994, que dava um prazo de 60 dias para que a CEI analisasse os requerimentos enviados pelos trabalhadores.
Entretanto, por falta de informação e prazo insuficiente, grande parte desses funcionários não enviou os requerimentos. Desde então deu-se início a um difícil processo de muita desinformação, troca de acusações e, principalmente, anos e anos de espera sem sinal de solução.
A assembleia desta quinta-feira exemplifica o tamanho da confusão. Entre os ex-funcionários presentes, houve quem tivesse ingressado há 20 anos com o requerimento e ainda aguarda a análise do documento, quem teve o documento analisado e indeferido, quem teve o documento analisado e deferido e, por fim, aqueles que sequer enviaram os requerimentos.
De acordo com a advogada do sindicato, Fabiana Costa, a reunião foi importante para prestar esclarecimentos sobre um tema que até hoje permanece obscuro para os envolvidos. “Primeiramente a ideia é acabar com esse vácuo de informações e colocar todos na mesma situação”.
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Apesar de conceder a anistia aos ex-funcionários, a Justiça não concedeu o direito de reintegração ao trabalho na Embraer. A notícia foi motivo de revolta entre os presentes na assembleia.
Para tentar articular uma nova estratégia para conseguir retomar os cargos, primeiramente, o sindicato quer acabar com a desinformação entre os trabalhadores. Para isso, uma comissão com cinco ex-funcionários foi criada para discutir a questão junto com o sindicato.
“Como verificamos que o grupo se divide naquelas quatro situações diferentes no que se refere aos requerimentos, vamos tratar cada uma delas separadamente. Por isso vamos nos reunir nas próximas semanas com uma comissão montada pelos trabalhadores. O objetivo é, depois de esclarecido tudo, andarmos para frente nesse processo”, afirma Fabiana.
Críticas
Durante a reunião não faltaram críticas à forma como o Sindicato dos Metalúrgicos conduziu o caso. A principal acusação foi de que os representantes dos trabalhadores abandonaram o processo em andamento e que não prestaram a assistência devida ao grupo, fazendo com que os prazos fossem perdidos.
Os insatisfeitos citaram como exemplos outras estatais privatizadas que admitiram os servidores de volta, como a Telesp e a Vale do Rio Doce.
“O sindicato nos abandonou. Tinham as informações, mas não nos passaram, não brigaram pelos ex-funcionários da Embraer assim como aconteceu em outras empresas, onde os trabalhadores conseguiram seus empregos de volta. Estou desde 1994 nesta batalha e vou ficar mais 20 anos até conseguir uma resposta”, afirma Giovane de Paula.
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