Dia do Orgulho LGBTQIA+: conheça as histórias de resistência da comunidade na RMVale

A data é marcada pela luta da comunidade por mais respeito e igualdade de direitos

Escrito por: Meon Redação6 min de leitura
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Nesta segunda-feira (28), é comemorado o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+ (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Transexuais, Queer e Pessoas Intersexo), data marcada pela luta do reconhecimento dos direitos civis, por mais igualdade e respeito à comunidade.

Desde o dia 13 junho de 2019, o STF (Supremo Tribunal Federal) reconheceu a LGBTfobia como crime de racismo. Porém, o reconhecimento tardio deste crime para com a comunidade contribui até hoje para que o Brasil seja um dos países que mais mata pessoas LGBTQIA+ no mundo.

Segundo o relatório do Observatório de Mortes Violentas de LGBTQIA+ no Brasil, em 2020, 237 lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais morreram de forma violenta no Brasil, vítimas da LGBTfobia. Outro dado aponta que a cada 36 horas um LGBTQIA+ brasileiro é vítima de homicídio ou suicídio, o que confirma o Brasil como campeão mundial de crimes contra as minorias sexuais, informação corroborada e ainda mais agravada pelos estudos do próprio Ministério dos Direitos Humanos: em relatório engavetado pelo atual Governo Federal, concluiu-se que em nosso país, entre 1963-2018, a cada 16 horas um LGBT foi assassinado.

O Portal Meon conversou com pessoas da comunidade LGBTQIA+ que são orgulhosas de contarem suas histórias, lutas e também falar da importância desse dia para a sociedade.

Sigla L

Reprodução
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Lésbica, Thamires Dibbern, de 23 anos, que trabalha com vendas, descobriu que fazia parte da sigla L quando percebeu que tinha uma paixão platônica na sua infância. “Assistia muito Xena Princesa Guerreira, e a partir disso notei que tinha algo ‘errado’”, contou.

A aceitação da família foi um tema muito delicado para Thamires, principalmente após a sua mãe descobrir sua orientação sexual. Ela contou que é muito difícil ter que “se assumir” para os pais em uma sociedade tão patriarcal e reservada.

A vendedora contou que ser lésbica acaba sendo duas lutas: “Ser mulher e amar outra mulher, ter que provar não só a nossa capacidade intelectual, mas também que não precisamos de um homem para nos ‘salvar’”.

Thamires falou ainda que a sociedade ideal para a comunidade LGBTQIA+ seria não precisar “assumir” o que você é.

“Uma sociedade mais igualitária, sem um padrão do que é ser perfeito ou ideal, sem aquela ideia de que família só é feita por homem e mulher”, disse.

Por fim, Thamires falou da importância que essa data tem não só para quem é da comunidade, mas para todos, como uma forma de conscientização da sociedade.

“Essa data é para todos que vivem e lutam, para todos que brigam pelos seus direitos e, principalmente, para todos aqueles que morreram e morrem lutando por nós em decorrência de um preconceito enraizado da sociedade”, finalizou.

Sigla G

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O cantor, compositor e influencer, Dross, de 23 anos, sabia desde pequeno que era diferente. Porém foi na adolescência que realmente se descobriu gay.

Para a família do cantor, no começo foi difícil aceitar sua orientação sexual, pois ele era o primeiro filho homem. Mas hoje em dia todos o aceitam como é. “Acho que tanto eu quanto eles precisaram de um tempo para aceitar e assimilar por conta da criação tradicionalista que minha família teve”, contou.

Para Dross, ser gay no Brasil significa ser um guerreiro, pois todos os dias eles enfrentam uma batalha constante por conta do preconceito, da intolerância e até mesmo da falta de informações das pessoas.

Assim como Thamires, Dross disse que uma sociedade ideal para a comunidade seria que eles não precisassem se assumir mais. “Isso de ser ou não ser deveria ser natural. O hétero não se assume hétero, porque nós devemos nos assumir gay?”, questionou.

O cantor falou que o dia 28 de junho é muito importante pelo fato de significar a luta das pessoas que morreram para que hoje outras tenham o mínimo de direitos. “Esse dia é importante pela resistência, pelo amor, pela igualdade. Esse dia faz com que a esperança cresça a cada ano, onde um dia possamos pensar o quão ridículo é o preconceito com qualquer tipo de pessoa”, finalizou.

Sigla Q

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Marcus Vinício, de 29 anos, se descobriu Katrinny Lowell, há 10 anos. Ele faz parte da sigla Q, que significa ‘Queer’, que são aquelas pessoas que transitam entre as noções de gênero.

Katrinny, aos 18 anos, teve seu primeiro contato com a maquiagem e o universo drag. “Diferente das atuais, naquela época era muito restrito, comecei me montar através de um amigo que já conhecia a arte, porém não me montava com frequência”, contou.

Quando se mudou para São José dos Campos, há cinco anos, as coisas foram fluindo e ele começou a aparecer mais como Katrinny. “Investindo nas produções, recebi o convite de ser hostess em uma casa noturna de São José dos Campos, ali pude perceber o quão bem me fazia e o quanto me sentia feliz em trazer entretenimento ao público e muitas vezes dar a cara a tapa na sociedade. A arte de me transformar, sem dúvidas me ajuda a ser quem realmente sou”, disse.

A aceitação da sua família sempre foi muito tranquila, mas no início havia uma preocupação pelo fato de vir de uma cidade muito pequena. “Minha família ficava com medo de homofóbicos ou alguém que pudesse me fazer mal. Também precisei explicar o que era ser drag, mas sempre me amaram e me respeitaram”, contou.

Katrinny contou que ser drag é arte, é inovar. Mas, no Brasil, as drags queens ainda não são valorizadas como deveriam, além de muitos não enxergarem a arte como um trabalho que deve ser remunerado.

Uma sociedade mais empática seria o ideal na percepção da drag. Além disso, ela ressaltou que ninguém precisa ser LGBTQIA+ para lutar contra a LGBTfobia. “Acho que se nós colocarmos um pouquinho no lugar do outro podemos enxergar de outro anglo e respeitar a tudo e a todos! Ninguém precisa aceitar, mas sim respeitar”.

Por fim Katrinny falou da importância do dia do orgulho, mas que não nesta data, e sim durante o mês e o ano, a luta deve continuar com o orgulho prevalecendo todos os dias. “As marcas e pessoas que tem voz não devem ver apenas hoje como o dia do orgulho, e sim a importância de estar sempre falando e colocando em evidência assuntos LGBTQIA+ para uma sociedade preconceituosa e quem sabe as próximas gerações já cresçam com outro tipo de pensamento”, finalizou.

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