Dia dos Namorados: a melhor idade para se apaixonar

Namorados da terceira idade dão exemplo de romantismo à moda antiga

Escrito por: João Pedro Teles4 min de leitura
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Festa Junina na Casa do Idoso: local também promove novos casais

Divulgação/PMSJC

Se na publicidade e nos veículos de comunicação o Dia dos Namorados é uma data reservada principalmente à juventude,  cada vez mais idosos seguem na contramão deste movimento para provar que nunca é tarde quando se trata de redescobrir as “borboletas no estômago” de uma nova paixão.

E se os smartphones e seus aplicativos de paquera temperaram  os romances atuais com o insosso condimento da impessoalidade, a velha guarda investe mesmo é na fórmula “old school” para manter um namoro saudável e apaixonado.

No caso do músico José Antonio da Cunha, 83 anos, não houve subterfúgios para conquistar o coração da cabeleireira Terezinha Jesus Silva, de 74. Contando apenas com a lábia afiada e a confiança no seu próprio taco, há oito anos o maestro do “Clube do Choro Pixinguinha”, de São José dos Campos, foi direto ao ponto.

“Entrei no salão onde ela trabalha até hoje e me declarei. Eu disse: ‘olha, gosto muito de você e quero que me aceite como o seu marido. O que me diz?’. Todo mundo que estava dentro do salão me olhou no ato e a Terezinha ficou bastante encabulada com o gesto, mas eu não desisti”, afirma sorridente o maestro.

E foi justamente na insistência que  Cunha chegou ao seu objetivo. Depois da investida romanesca no salão, ainda demorou um ano para que o maestro conseguisse, enfim, baixar a guarda de sua pretendente.

“O que mais me encantou nele foi que todos os dias ele passava lá. Com galanteios e mimos que aos poucos foram fazendo com que eu acreditasse nele.  Ele é uma pessoa brincalhona e eu sou mais séria. Mas nós encontramos um equilíbrio e hoje nos entendemos muito bem”, explica Terezinha, que ainda trabalha no mesmo salão.

A história de namoro dos dois durou sete anos, quando o casal resolveu assumir o matrimônio. Há dois anos, Terezinha e o maestro Cunha estão casados, mas o clima de namoro ainda permanece entre os dois.

Miss
Um concurso de Miss e Mister  Terceira Idade em 2014 foi o que uniu o casal de namorados Antonio Claret Paiva, 70 anos, e Maria de Lourdes Couto, de 67. Vencedores da etapa de São José dos Campos, os dois engataram um romance entre um desfile e outro.

“O que mais me interessou nela foi a alegria e a vontade de viver. Ela está sempre rindo e me colocando para cima. Isso é muito legal, principalmente na idade em que as pessoas acham que a gente deve ficar em casa envelhecendo”, explica.

Namorando há pouco mais de oito meses,  Paiva comemora o fato de já ter passado da idade de precisar dar satisfação para quem quer que seja.

“Se não há o mesmo vigor da juventude, a gente pelo menos não precisa dar satisfação para ninguém. E essa é uma das melhores partes. Ela dorme em casa, eu durmo na casa dela. A gente viaja.  Fazemos tudo o que gostamos sem precisar nos importar com a opinião dos outros”, comemora.

Vitalidade
O médico geriatra Roberto Schuueri, do Hospital Reger, de São José, engrossa o coro do namoro na terceira idade. De acordo com o especialista, não há idade para engatar um romance e o namoro faz muito bem para a saúde dos idosos.

“Estudos bem confiáveis já vêm mostrando que o namoro faz bem e aumenta a longevidade para as pessoas da terceira idade. Principalmente os homens, que por estatística vivem cerca de sete anos a menos, se beneficiam bastante do relacionamento afetivo após terminar um antigo casamento ou ficar viúvo. É um verdadeiro antídoto contra a depressão que assola a população nessa idade”, explica.

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