Dia Internacional de Combate à Dengue reforça alerta no Vale do Paraíba

Região soma cerca de 9,5 mil casos confirmados e 18 mortes pela doença em 2026; mudanças no clima e a presença de criadouros mantêm a prevenção como principal estratégia

Escrito por: Rubens Baracho4 min de leitura
Mosquito da dengue

O Dia Internacional de Combate à Dengue, celebrado nesta quarta-feira (26), reforça a importância de manter os cuidados contra o mosquito Aedes aegypti durante todo o ano. No Vale do Paraíba, o alerta permanece diante da circulação da doença: a região soma cerca de 9.520 casos confirmados de dengue e 18 mortes em 2026, segundo dados do Núcleo de Informações Estratégicas em Saúde (Nies), atualizados nesta semana. Outros 1.413 registros permanecem em investigação.

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Entre as cidades com maior número de casos está Taubaté, com 3.969 registros confirmados, seguida por Jacareí, com 2.345 casos. No número de mortes, Taubaté também aparece na liderança regional, com 11 óbitos. Jacareí e Tremembé registram três mortes cada, enquanto São José dos Campos tem um óbito confirmado em 2026.

Os números mostram que, mesmo com a redução dos indicadores de infestação em algumas cidades, o combate ao mosquito continua sendo necessário. Em São José dos Campos, por exemplo, a terceira Avaliação de Densidade Larvária (ADL) do ano apontou Índice de Breteau de 0,8, considerado satisfatório. Foram vistoriados mais de 18 mil imóveis e nenhuma das 42 áreas urbanas avaliadas foi classificada como de risco.

Em Jacareí, o cenário também apresentou melhora no índice de infestação. A terceira ADL de 2026 apontou Índice de Breteau de 0,8, abaixo do 0,9 registrado no mesmo período do ano passado. Mesmo assim, o município mantém ações como visitas de agentes, nebulização e operações para retirada de materiais que podem acumular água.

Clima pode favorecer mosquito

Embora a dengue tradicionalmente apresente maior circulação durante períodos quentes e chuvosos, alterações no padrão climático podem modificar a dinâmica de transmissão.

Ondas de calor podem acelerar o ciclo de vida do Aedes aegypti e influenciar a replicação do vírus dentro do mosquito. Já chuvas intensas podem deixar recipientes com água acumulada em residências, terrenos e áreas públicas. Períodos de estiagem também exigem atenção, principalmente quando levam moradores a armazenar água de maneira inadequada.

Por isso, especialistas defendem que o combate aos criadouros não seja concentrado apenas nos meses tradicionalmente associados à dengue.

Prevenção começa dentro de casa

A principal forma de evitar a proliferação do Aedes aegypti continua sendo eliminar locais onde o mosquito possa colocar seus ovos.

Entre os cuidados estão retirar água acumulada de vasos, baldes, garrafas e outros recipientes, manter pneus em locais cobertos, tampar caixas d’água e reservatórios, limpar calhas e ralos e colocar areia nos pratos de vasos de plantas.

Também é importante dar destinação adequada a lixo, sucata e entulho.

Em São José dos Campos, a Prefeitura mantém a Operação Casa Limpa, que recolhe materiais que podem se transformar em criadouros. A iniciativa já havia realizado 30 edições neste ano em agosto e recolhido cerca de 19 toneladas de materiais.

Sintomas precisam ser observados

Os sintomas mais comuns da dengue incluem febre alta, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dores musculares e nas articulações, cansaço e manchas vermelhas na pele.

Em caso de suspeita, a recomendação é procurar atendimento médico, principalmente diante de sinais como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, sonolência, dificuldade para respirar ou queda da pressão.

A automedicação também deve ser evitada. Alguns medicamentos, especialmente aqueles que contêm ácido acetilsalicílico e determinados anti-inflamatórios, podem aumentar o risco de sangramento.

Dengue pode ocorrer mais de uma vez

Uma pessoa pode ter dengue mais de uma vez ao longo da vida. Isso ocorre porque existem quatro sorotipos do vírus — DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4 — e a infecção por um deles não garante proteção contra os demais.

Uma nova infecção por outro sorotipo pode, em alguns casos, aumentar o risco de evolução para formas graves da doença, o que reforça a importância da prevenção mesmo para quem já teve dengue.

A vacinação também integra as estratégias de controle, mas não substitui a eliminação dos criadouros. O combate ao mosquito continua sendo uma responsabilidade compartilhada entre poder público e população.