#DicaMeon: a noite da Academia
A 87ª cerimônia de entrega do Oscar, realizada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, aconteceu no último domingo, 22 de fevereiro, no Dolby Theatre, em Los Angeles.


Birdman foi o grande vencedor da noite na Academia
Divulgação
A 87ª cerimônia de entrega do Oscar, realizada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, aconteceu no último domingo, 22 de fevereiro, no Dolby Theatre, em Los Angeles. E, diferente do que alguns críticos haviam previsto, a premiação surpreendeu.
Boyhood, o tão estimado filme de Linklater, foi embora para casa com apenas uma estatueta, a de melhor atriz coadjuvante para Patricia Arquette, que emocionou as atrizes presentes na cerimônia ao fazer um discurso pedindo igualdade salarial entre homens e mulheres.
As surpresas positivas da noite ficaram com Whiplash (Melhor Ator Coadjuvante para JK Simmons, Melhor Montagem e Melhor Mixagem de Som), um filme que conta a história do difícil relacionamento entre um aluno de bateria da orquestra de um dos principais conservatórios norte-americanos e seu abusivo maestro; e Jogo da Imitação (Melhor Roteiro Adaptado), filme baseado na história de Alan Turing, um matemático inglês que ajudou a acabar com a Segunda Guerra Mundial e foi julgado como “indecente” pelo Governo Britânico por ser homossexual, fato que o levou a cometer suicídio.
O que era de se prever com outro favorito da cerimônia, claro, também aconteceu. O Grande Hotel Budapeste, de Wes Anderson emplacou nos quesitos estéticos, ganhando quatro Oscar por Melhor Trilha Sonora, Melhor Design de Produção, Melhor Maquiagem e Cabelo e Melhor Figurino.
Mas, a noite foi do Homem-Pássaro. Birdman empatou com O Grande Hotel, mas ganhou os principais prêmios da noite. Pelo segundo ano consecutivo, o mexicano Emmanuel Lubezki (Gravidade) ganhou o Oscar de Melhor Fotografia, e seu conterrâneo, Alejandro Iñárritu ficou com as estatuetas de Melhor Roteiro Original, Melhor Diretor e Melhor Filme.
E, sim, podemos dizer que a Academia nos surpreendeu, pois Birdman apresenta um roteiro extremamente ácido e de crítica ao próprio modelo comercial de filmes produzidos em Hollywood. Diferente de Boyhood, que é o típico filme da vida suburbana que o norte-americano gosta de ver nas telonas. Além disso, é o segundo ano consecutivo em que o prêmio de melhor direção cai em mãos mexicanas, já que em 2014 Alfonso Cuarón levou o Oscar por Gravidade.
Mas, ao mesmo tempo em que Birdman ganha e traz consigo todo esse significado, a Melhor Animação fica, mais uma vez, com a Disney/Marvel, “Operação Big Hero”. Um filme que tentou ser algo, mas não conseguiu por apresentar um roteiro muito fraco. Assim, mais uma vez, o belíssimo trabalho da Laika, com The Boxtrolls, e a excelente história da DreamWorks, com “Como Treinar Seu Dragão 2”, perderam a chance de serem devidamente reconhecidos.
Contudo, como balanço geral da premiação, pode-se perceber uma Academia com um paladar menos comercial e mais atenta ao que se é possível produzir por amor – também – à arte cinematográfica. E essa mudança pode render bons frutos nos anos que virão.
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