#DicaMeon: a presença delas nas telas e na noite da Academia

No próximo domingo, 8 de março, comemoramos o Dia Internacional da Mulher.

Escrito por: Cecília Láua3 min de leitura
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Patricia Arquette foi eleita melhor atriz coadjuvante no Oscar

Getty Images

No próximo domingo, 8 de março, comemoramos o Dia Internacional da Mulher. E, é claro, não poderíamos deixar passar essa data sem falar da presença Delas no cinema. Ainda mais porque elas fizeram parte de um núcleo polêmico da cerimônia do Oscar deste ano, o qual, segundo a imprensa de uma maneira geral, marginalizou minorias.

De todos os concorrentes ao melhor filme, nenhum deles tinha como personagem principal uma mulher. A atriz que mais se aproximou de uma situação assim foi Felicity Jones que interpretou ninguém mais do que Jane Hawking, a esposa devotada a cuidar do grande físico Stephen Hawking.

Todas as atrizes que concorreram à estatueta desta categoria interpretavam mulheres descompensadas, com dificuldades imensas, fossem abalos psicológicos, problemas de saúde ou situações econômicas de baixa renda. Com as coadjuvantes não foi diferente. Em todas as produções elas se mostraram mulheres de fibra e garra, correndo atrás – cada uma à sua maneira – de situações melhores de vida.

Assim também elas fizeram durante a premiação. Patricia Arquette, que levou – merecidamente – para casa o Oscar de melhor atriz coadjuvante realizou um discurso politizado, ao dizer que dedicava a estatueta à “toda mulher que já deu à luz, todo cidadão que paga impostos, nós lutamos pelos direitos de todo mundo. É nossa vez de ter salários igualitários para todos e direitos iguais para as mulheres nos Estados Unidos”. A atriz interpreta, em Boyhood, uma mulher que: divorcia-se, muda-se com os dois filhos pequenos, volta a estudar, casa-se novamente, apanha do atual marido e a deixa sem nada nas mãos e, ainda assim, continua batalhando por um crescimento profissional e pessoal, buscando dar o melhor aos seus dois filhos. Seu posicionamento foi tão forte e relevante que outra rainha das cerimônias, Meryl Streep, fez vibrar e aplaudir de pé na plateia.

O que pode parecer um simples discurso feminista atentou para uma pesquisa recentemente publicada pela Universidade de San Diego, da Califórnia (EUA). Os dados revelam que as mulheres são minoria nas telas e por trás delas. Em 2014, segundo a pesquisa, apenas 12% dos cem filmes mais vistos nos Estados Unidos tiveram personagens principais femininas. Este ano, 93% das produções avaliadas pela Academia não tinham nenhuma mulher na equipe de direção.

Contudo, esta é uma situação que pode mudar. Exemplo disso, encontramos na atriz Reese Whiterspoon, que concorreu à estatueta por melhor atuação feminina em Livre (Wild, título original). O filme foi produzido pela Pacific Standard, produtora de Reese, e estrelado por ela mesma. Além dela, a atriz carregou mais dois nomes de peso para a premiação: Laura Dern, que interpreta a mãe de Reese no filme Livre, concorreu como melhor atriz coadjuvante, contra Rosamund Pike, pelo longa Garota Exemplar – também produzido pela produtora de Whiterspoon.

Qual a reflexão que fazemos sobre esse cenário? Sim, não só a Academia, mas também o mercado cinematográfico ainda segue uma tendência machista, em que os homens ganham mais e ocupam a maioria dos cargos, desde roteiristas até os grandes executivos da sétima arte. Mas, não, nenhuma tendência, hábito ou cultura é imutável. Assim como as personagens interpretadas nos filmes avaliados, as mulheres continuam lutando por mais espaço e, certamente, maior reconhecimento virá em breve.

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