#DicaMeon – “O Grande Hotel Budapeste”, de Wes Anderson

O Meon abre o espaço para dicas de filmes, acompanhe

Escrito por: Cecília Láua3 min de leitura
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O filme foi vencedor de melhor comédia e/ou musical do Globo de Ouro

Divulgação

Na última quinta-feira, 15 de janeiro, foi anunciada a lista dos candidatos ao Oscar deste ano. E a um mês da cerimônia, marcada para acontecer na noite de 22 de fevereiro, começamos hoje uma série para comentar os principais competidores deste ano – que parecem apresentar um mesmo nível na competição, tornando as apostas mais arriscadas em 2015.

Assim como o Globo de Ouro, que funcionou como um termômetro para as outras premiações, as produções com um teor mais independente são maioria nas categorias. Hoje vamos comentar sobre o filme vencedor do globo de melhor comédia e/ou musical, “O Grande Hotel Budapeste”, de Wes Anderson.

Muitos vão dizer que os filmes de W. Anderson são muita estética e pouca história. Contudo, não foi o que a academia constatou no ano passado, indicando “Moonrise Kingdom”, também direção de Wes, como roteiro original. Este ano, deram a Anderson nove oportunidades de levar estatueta para casa: melhor filme, melhor diretor, melhor roteiro original, melhor fotografia, melhor edição, melhor design de produção, melhor figurino, melhor maquiagem e cabelo e melhor trilha sonora.

Este ano, a história que W. Anderson nos apresenta é a de um concierge de um antigo hotel, localizado no Leste Europeu, considerado fugitivo após roubar um quadro que lhe havia sido deixado como herança por uma senhora milionária, Madame D. (Tilda Swinton). A história, que é contada pelo mensageiro ajudante do concierge, mostra também como os acontecimentos dos anos 20 – quando a “Belle époque” cedia lugar a uma crescente onda de fascismo, que culminaria numa guerra – viriam a interferir na atmosfera do setor de serviços.

O longa conta com um elenco de peso, extremamente convidativo: Ralph Fiennes (M. Gustave, o concierge), Jude Law (jovem escritor), Adrien Brody (o vilão Dmitri), Edward Norton (o militar Henckels), Bill Murray (o amigo de Gustave, M. Ivan), o novato Toni Revolori (Zero, fiel escudeiro do concierge) e a bela Saoirse Ronan (Agatha). Estrelas que se encaixaram de maneira adequada aos papéis que lhe foram dados e conseguiram representar os personagens estereotipados dentro do contexto geral.

E quando há a união de um elenco harmônico com um roteiro bem escrito, em que a sequência de ações flui sem atropelar o ritmo do espectador, claro, o resultado é um filme agradável. Só que essa sensação de prazer ao ver as obras de Wes não surge apenas por causa desses dois elementos. Sim, Anderson é um diretor de obras, não de filmes. Por isso é forte candidato a levar a estatueta da categoria.

Não só com roteiro e com direção de estrelas ele se atenta. A marca de Wes é uma paleta de cores pré-definida e com certa saturação que vai perdurar por toda a fotografia do filme, e seu enquadramento simétrico. Isso mesmo. Os filmes de Wes são um descanso para os olhos pela sua simetria.

Em O Grande Hotel Budapeste, praticamente todos os quadros contam com três elementos (seja cenário ou ator) fechando o discurso daquele enquadramento. Os olhos não se perdem em pontas ou objetos fora do contexto. Contudo, suas obras são, ao mesmo tempo, uma provocação para o olhar, devido à saturação da paleta escolhida – neste caso uma escala do magenta e do vermelho.

Por isso, podemos apostar em O Grande Hotel Budapeste não só como melhor filme, roteiro original e direção, mas também – e principalmente – nas categorias de fotografia, melhor figurino e melhor design de produção. Pois além de história, Wes Anderson é sinônimo de uma estética meticulosamente perfeita.

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