Diretor taubateano quer ‘ressuscitar’ o cinema de terror brasileiro
Jeferson De faz parte de geração que tem dado sobrevida ao gênero


Cena de “O Amuleto” que será lançado no final de maio
Divulgação
Uma câmera na mão e um desafio na cabeça: tirar do limbo o gênero do terror no cinema brasileiro. Este é o desafio do diretor taubateano Jeferson De em seu novo longa, “O Amuleto”. O filme, segundo da carreira do cineasta, arrisca-se nas histórias de bruxaria e assassinato e faz parte de uma leva de produções que tenta resgatar o gênero no país.
Com Maria Fernanda Cândido e Bruna Linzmeyer no elenco, o filme narra a história de um grupo de jovens que vai até uma festa em uma área de mata fechada em Florianópolis. No caminho, eventos sobrenaturais e uma série de assassinatos dos integrantes do grupo dá o tom sombrio ao roteiro.
O filme estreia no circuito comercial dia 28 de maio. Antes disso, o longa será exibido no Cine PE, no Recife, que acontece entre 2 e 8 de maio. A produção se junta a títulos como “Quando Eu Era Vivo”, “Isolados” (em fase de pós-produção), entre outros que ainda buscam orçamento para sair do papel, em uma nova leva de filmes nacionais que exploram o gênero que, no resto do mundo, tem se mostrado o mais rentável na relação custo-benefício do cinema.
Sucessos recentes como “A Invocação do Mal” (2013) e “Annabelle” (2014) são exemplos de produções de baixo orçamento que renderam bons dividendos aos estúdios. O primeiro custou US$ 20 milhões e arrecadou US$ 318 mi. Já o segundo tem orçamento ainda mais modesto, US$ 6,7 mi, e faturou mais de US$ 230 mi até agora. Lucro ainda baixo quando comparado ao fenômeno “Atividade Paranormal”, que custou US$ 15 mil e arrecadou US$ 193 milhões.
O filme do taubateano custou R$ 934 mil e foi financiado com edital para filmes de baixo orçamento. Entretanto, ainda é difícil acreditar em um sucesso dessas proporções para universo do cinema nacional. Isso porque a distribuição ainda é um obstáculo para as produções nacionais.
“O filme estreia apenas nas capitais em São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis. Fora isso teremos o circuito de festivais, onde o filme também será exibido. A pretensão ainda não é de que o filme seja um sucesso tão estrondoso quanto esses fenômenos mundiais. Mas acho importantíssimo dar uma identidade ao terror nacional e provar que o país é capaz de produzir ótimos filmes do gênero”, explica.
Terror tupiniquim
De acordo com o diretor, o folclore brasileiro é um terreno fértil para desenvolver produções do gênero. O terror tupiniquim, segundo Jeferson não deve emular fórmulas que já deram certo em outros mercados.
“É preciso romper a barreira do preconceito para emplacar um filme falado em português. Um filme com a nossa identidade, nossas lendas, tem possibilidades incríveis a serem exploradas”, explica.
Em “O Amuleto”, Jeferson buscou nas lendas de Florianópolis a inspiração para o roteiro. “Floripa é conhecida como a ilha da magia justamente por ter esse lance de bruxaria muito presente nas crenças populares. E foi aí que a gente foi buscar inspiração para a nossa história”, afirma.
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