Diretor taubateano quer ‘ressuscitar’ o cinema de terror brasileiro

Jeferson De faz parte de geração que tem dado sobrevida ao gênero

Escrito por: João Pedro Teles3 min de leitura
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Cena de “O Amuleto” que será lançado no final de maio

Divulgação

Uma câmera na mão e um desafio na cabeça: tirar do limbo o gênero do terror no cinema brasileiro. Este é o desafio do diretor taubateano Jeferson De em seu novo longa, “O Amuleto”. O filme, segundo da carreira do cineasta, arrisca-se nas histórias de bruxaria e assassinato e faz parte de uma leva de produções que tenta resgatar o gênero no país.

Com Maria Fernanda Cândido e Bruna Linzmeyer no elenco, o filme narra a história de um grupo de jovens que vai até uma festa em uma área de mata fechada em Florianópolis. No caminho, eventos sobrenaturais e uma série de assassinatos dos integrantes do grupo dá o tom sombrio ao roteiro.

O filme estreia no circuito comercial dia 28 de maio. Antes disso, o longa será exibido no Cine PE, no Recife, que acontece entre 2 e 8 de maio.  A produção se junta a títulos como “Quando Eu Era Vivo”, “Isolados” (em fase de pós-produção), entre outros que ainda buscam orçamento para sair do papel, em uma nova leva de filmes nacionais que exploram o gênero que, no resto do mundo, tem se mostrado o mais rentável na relação custo-benefício do cinema.

Sucessos recentes como “A Invocação do Mal” (2013) e “Annabelle” (2014) são exemplos de produções de baixo orçamento que renderam bons dividendos aos estúdios. O primeiro custou US$ 20 milhões e arrecadou US$ 318 mi. Já o segundo tem orçamento ainda mais modesto, US$ 6,7 mi, e faturou mais de US$ 230 mi até agora.  Lucro ainda baixo quando comparado ao fenômeno “Atividade Paranormal”, que custou US$ 15 mil e arrecadou US$ 193 milhões.

O filme do taubateano custou R$ 934 mil e foi financiado com edital para filmes de baixo orçamento. Entretanto, ainda é difícil acreditar em um sucesso dessas proporções para universo do cinema nacional. Isso porque a distribuição ainda é um obstáculo para as produções nacionais.

“O filme estreia apenas nas capitais em São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis. Fora isso teremos o circuito de festivais, onde o filme também será exibido. A pretensão ainda não é de que o filme seja um sucesso tão estrondoso quanto esses fenômenos mundiais. Mas acho importantíssimo dar uma identidade ao terror nacional e provar que o país é capaz de produzir ótimos filmes do gênero”, explica.

Terror tupiniquim
De acordo com o diretor, o folclore brasileiro é um terreno fértil para desenvolver produções do gênero. O terror tupiniquim, segundo Jeferson não deve emular fórmulas que já deram certo em outros mercados.

“É preciso romper a barreira do preconceito para emplacar um filme falado em português. Um filme com a nossa identidade, nossas lendas, tem possibilidades incríveis a serem exploradas”, explica.

Em “O Amuleto”, Jeferson buscou nas lendas de Florianópolis a inspiração para o roteiro. “Floripa é conhecida como a ilha da magia justamente por ter esse lance de bruxaria muito presente nas crenças populares. E foi aí que a gente foi buscar inspiração para a nossa história”, afirma.

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