Dois novos casos de cura de HIV são anunciados; total chega a 13; entenda
Pacientes estão há 14 e 12 meses sem antirretrovirais e permanecem com carga viral indetectável; casos envolvem transplantes de células-tronco para tratar doenças graves do sangue

Dois novos casos de possível cura do HIV foram anunciados nesta segunda-feira (27), elevando para 13 o número de casos de remissão ou cura registrados pela Sociedade Internacional de Aids (IAS). Os pacientes interromperam o tratamento com antirretrovirais e continuam sem carga viral detectável.
Um dos casos envolve um homem de 21 anos, conhecido como paciente de Kansas City, nos Estados Unidos. Diagnosticado com HIV e uma forma agressiva de leucemia em 2018, ele passou por um transplante de células-tronco em 2020. O tratamento antirretroviral foi interrompido em fevereiro de 2025 e, após 14 meses, os exames continuavam sem detectar o vírus.
O segundo paciente também recebeu um transplante de células-tronco para tratar uma doença grave do sangue. Ele está há 12 meses sem os medicamentos contra o HIV e permanece com carga viral indetectável. O caso é considerado particularmente complexo porque o paciente também tinha histórico de hepatite B.
Nos dois casos, os transplantes não foram realizados para tratar o HIV, mas para combater doenças graves do sangue. Os doadores apresentavam duas cópias de uma rara mutação genética, conhecida como CCR5-delta32, que dificulta a entrada das formas mais comuns do HIV nas células de defesa.
Casos ainda são acompanhados
Apesar dos resultados, os pesquisadores ainda tratam os dois casos como possíveis curas ou remissões sustentadas. Isso porque o período sem antirretrovirais ainda é considerado relativamente curto.
Segundo especialistas, é necessário acompanhar os pacientes por mais tempo para verificar se o vírus não voltará a se multiplicar. O termo mais utilizado é “remissão sustentada do HIV sem antirretrovirais”.
A interrupção dos medicamentos não deve ser feita fora de estudos científicos. Na maioria das pessoas que vivem com HIV, o vírus volta a se multiplicar rapidamente quando o tratamento é interrompido.
Por que o HIV é difícil de eliminar?
O HIV consegue inserir seu material genético nas células de defesa do organismo. Algumas dessas células permanecem em estado de latência e podem manter o vírus escondido por anos, formando o chamado reservatório viral.
Os antirretrovirais impedem a multiplicação do HIV, mas não eliminam completamente esse material viral. Por isso, quando o tratamento é interrompido, o vírus pode voltar a se multiplicar.
Além do sangue, o HIV pode permanecer em diferentes tecidos e órgãos, o que torna ainda mais difícil identificar e eliminar todas as células infectadas.
Transplante não é tratamento comum contra o HIV
Embora os casos de remissão após transplantes representem avanços importantes para a pesquisa, o procedimento não pode ser utilizado como tratamento convencional contra o HIV.
O transplante de células-tronco é um procedimento de alto risco, que pode provocar infecções graves, rejeição, danos a órgãos e até levar à morte. Por isso, ele é indicado apenas para pacientes que precisam do procedimento para tratar doenças graves, como leucemias e linfomas.
Os pesquisadores buscam reproduzir os efeitos observados nesses casos por meio de alternativas mais seguras, incluindo terapias genéticas, anticorpos e medicamentos capazes de estimular o sistema imunológico.
Total chega a 13 casos
Antes dos dois novos anúncios, a IAS contabilizava 11 casos de cura ou remissão do HIV após transplantes. Entre os casos mais conhecidos estão o paciente de Berlim, primeiro caso reconhecido de cura, em 2009, além dos pacientes de Londres, Düsseldorf, Nova York e City of Hope.
Também foram registrados casos em Genebra, Berlim, Marselha, Oslo, Chicago e Toronto, com diferentes características e respostas ao tratamento.
Os casos mostram que a remissão prolongada do HIV sem antirretrovirais é biologicamente possível, mas ainda não existe uma cura simples, segura e disponível em larga escala.
Enquanto novas estratégias são estudadas, os antirretrovirais continuam sendo o tratamento comprovado para controlar o HIV. Quando o tratamento mantém a carga viral indetectável de forma sustentada, a pessoa não transmite o vírus por via sexual.
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