Dólar e crise política pressionam juros futuros para cima
O mercado doméstico ajustou-se ao agravamento do risco político durante o fim de semana, acelerando a compra de dólares e embutindo prêmios na curva de juros futuros nesta segunda-feira, 9. O dólar à vista no balcão fechou em R$ 3,1230, em alta de 2,39%, maior patamar desde 28/6/2004. Nos juros, as taxas terminaram a sessão em níveis muito…

O mercado doméstico ajustou-se ao agravamento do risco político durante o fim de semana, acelerando a compra de dólares e embutindo prêmios na curva de juros futuros nesta segunda-feira, 9. O dólar à vista no balcão fechou em R$ 3,1230, em alta de 2,39%, maior patamar desde 28/6/2004. Nos juros, as taxas terminaram a sessão em níveis muito superiores ao ajustes da sexta-feira, boa parte nas máximas. O DI janeiro de 2016 (394.725 contratos) fechou em 13,83%, ante 13,51%. O DI janeiro de 2017 subiu para 13,85% (máxima), com 500.340 contratos, ante 13,43% na sexta-feira. O DI janeiro de 2021 terminou em 13,22%, de 12,83%, com 142.590 contratos. Segundo operadores, em alguns contratos, como janeiro de 2017, houve zeragem de posição de investidores vendidos em taxa.
A colocação de prêmios na curva de juros reflete, além do risco à governabilidade, os efeitos nocivos do câmbio na inflação e a possibilidade de o ajuste fiscal emperrar em meio ao clima ruim entre o Executivo e o Legislativo. Na pesquisa Focus divulgada pela manhã, a mediana das previsões para o IPCA de 2015 passou de uma alta de 7,47% para 7,77%. Para o PIB, a mediana de queda passou de 0,58% para 0,66% em relação ao levantamento da semana passada.
Pela manhã, os investidores já repercutiam a lista do Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, divulgada na sexta-feira, e também os protestos em várias regiões do País, ontem, durante o pronunciamento da presidente Dilma Rousseff em homenagem ao Dia da Mulher. A lista de Janot relaciona os presidentes da Câmara e do Senado, Eduardo Cunha, e Renan Calheiros, respectivamente, do PMDB, entre os alvos de investigação na Operação Lava Jato, o que provocou a ira do partido e abriu de vez a crise com o Executivo.
Dilma deve enviar ainda hoje emissários de peso para conversar pessoalmente com Eduardo Cunha e com Renan Calheiros e tentar acalmar os ânimos ainda mais incendiados depois da divulgação da lista. De acordo com fontes do Planalto, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga (PMDB), e o da Fazenda, Joaquim Levy, foram escalados para acalmar Renan. O vice-presidente, Michel Temer (PMDB), e Levy, novamente, para tentar negociar com Cunha.
O problema é que a Fazenda depende do PMDB para aprovar as medidas fiscais propostas para levar ao superávit primário de 1,2% do PIB este ano, reduzindo, assim, não somente a aversão ao risco dos investidores como a desconfiança das agências de classificação de risco em relação ao Brasil.
À tarde, o dólar acelerou para as máximas, depois de um alerta feito pela Moody’s, puxando os juros ainda mais para cima. A agência afirmou que a investigação de corrupção na Petrobras deverá afetar negativamente partes dos setores público e privado, como cadeia de produção de petróleo e gás, os setores de construção e infraestrutura, assim como o setor imobiliário no Estado do Rio de Janeiro, mas o suporte do governo para a empresa provavelmente ajudará a conter o impacto negativo ao crédito.
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