Dólar e preocupações com cenário doméstico puxam taxas futuras para cima

Os juros futuros confirmaram no encerramento dos negócios a trajetória exibida desde o início desta segunda-feira, 9, fechando em alta pela quarta sessão consecutiva. O movimento teve respaldo do dólar, mas também do cenário interno conturbado traduzido nos números da pesquisa Focus. No câmbio, a moeda norte-americana negociada no balcão cravou…

Escrito por: Conteúdo Estadão3 min de leitura
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Os juros futuros confirmaram no encerramento dos negócios a trajetória exibida desde o início desta segunda-feira, 9, fechando em alta pela quarta sessão consecutiva. O movimento teve respaldo do dólar, mas também do cenário interno conturbado traduzido nos números da pesquisa Focus. No câmbio, a moeda norte-americana negociada no balcão cravou sua sétima alta em dez sessões, fechando em R$ 2,7800 (+0,29%), maior patamar desde 9/12/2004.

Ao término da sessão regular na BM&F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em abril de 2015 tinha taxa de 12,333%, na máxima, ante 12,325% no ajuste de sexta-feira, com 13.215 contratos. O DI para janeiro de 2016 (119.445 contratos) terminou em 12,88%, de 12,84% no ajuste anterior.

O contrato com vencimento em janeiro de 2017 encerrou em 12,79%, de 12,67%, com 215.380 contratos. E, com 78.385 contratos, o com vencimento em janeiro de 2021 fechou em 12,51%, de 12,35%.

O mercado já amanheceu com disposição para seguir adicionando prêmio à curva, em meio ao resultado da pesquisa Focus, que mostrou piora nas expectativas para o PIB de 2015 pela sexta semana consecutiva. A mediana das projeções caiu de 0,03% para zero. Ao mesmo tempo, a mediana para o IPCA este ano avançou de 7,01% para 7,15%.

A deterioração das expectativas na Focus pegou os investidores já preocupados com o futuro do País em meio aos riscos de racionamento de energia e de água, a crise na Petrobras e com as dificuldades que o governo pode enfrentar para realizar o ajuste fiscal e alcançar um superávit de 1,2% do PIB este ano.

O Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), por meio do Monitor do PIB, calcula que o indicador já encolheu em 2014, fechando em -0,1%. Caso o resultado seja confirmado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo cálculo oficial, será o pior desempenho desde 2009, ano em que a economia doméstica sofreu os impactos mais intensos da crise econômica mundial.

O resultado, porém, deve ser analisado com reservas, já que o Ibre/FGV emprega a metodologia atual de cálculo do PIB, mas o IBGE trará o resultado de 2014 já no novo modelo de estimativa, atualizado e de acordo com as recomendações mais recentes da Organização das Nações Unidas (ONU).

Apesar dos sinais de fraqueza na economia, a curva a termo segue precificando majoritariamente nova elevação de 0,50 ponto porcentual na Selic na reunião do Copom em março. Em reuniões fechadas das 20 maiores economias do mundo, o G-20, na Turquia, representantes do Banco Central disseram que o Brasil tem adotado medidas para recolocar a dívida pública em trajetória de queda e levar a inflação de volta à meta no fim de 2016. Esses, de acordo com eles, são os objetivos centrais do processo de reequilíbrio macroeconômico executado atualmente pela equipe econômica.

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